29/06/2026

Fim da escala 6x1 pode elevar custos, pressionar o frete e ampliar a escassez de mão de obra na logística



O fim da escala 6x1 promete gerar impactos laborais, trabalhistas e econômicos relevantes para o setor de logística, conforme dados consolidados pela Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL) junto às empresas filiadas. Diante do cenário, a entidade defende a construção de uma solução equilibrada para os segmentos que atuam de forma contínua e não podem interromper suas atividades, podendo prejudicar, inclusive, a saúde humana e animal.


Enquanto isso, a expectativa da ABOL é pela manutenção da carga de trabalho até que haja uma regulamentação específica sobre o assunto e um prazo constitucional de transição definido. “Diferentemente de setores que podem modular horários comerciais, a cadeia logística não consegue interromper turnos sem comprometer embarques, descargas e entregas”, destaca a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha.


O argumento integra o ofício encaminhado pela Associação ao relator da PEC 221/2019 - ainda em tramitação - o deputado federal Leonardo Prates. O documento, que também traz propostas mitigadoras, tem como base a pesquisa cujo resultado reforça a importância de medidas para evitar desorganização nos processos, estímulo à informalidade, perda de arrecadação e danos à continuidade de serviços essenciais ao País.


A necessidade de contratação imediata de mais de 100 funcionários para armazéns e centros de distribuição está entre as consequências da redução do expediente de 44 para 40 horas, afirmou 50% dos respondentes do levantamento realizado pela ABOL. Metade desse grupo chegou a prever a admissão de 200 novos colaboradores em um contexto já desafiador devido à escassez de mão de obra.


O mesmo vale para os motoristas: 66,7% estimam ter que empregar até 50 condutores, enquanto outros 33,3% esperam ser obrigados a contratar mais de 200 novos funcionários igualmente escassos no mercado. Somado ao reforço dos quadros de funcionários, há projeção de aumento significativo dos custos.


78,6% indicam elevação da folha de pagamento, outros 42,9% apontam efeitos adicionais ligados ao cumprimento de cotas trabalhistas, como aprendizes, pessoas com deficiência (PCDs) e integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). Como estratégia, 64% analisam ampliar a terceirização da frota, enquanto metade dos consultados prevê intensificar investimentos em automação para compensar a perda de produtividade.


Os reflexos também devem chegar ao mercado. As empresas estimam aumento médio de aproximadamente 13% no valor do frete e alta de cerca de 6,7% no lead time (tempo entre o pedido e a entrega).Na avaliação dos OLs, a alteração pode ainda atingir a competitividade do Brasil. Os dados apontam que a diminuição da jornada, sem um período de adequação e medidas compensatórias, pode elevar o Custo Brasil, diminuir a atratividade para aplicação de recursos e levar multinacionais a reavaliarem projetos de expansão no país.


Para os OLs, a solução seria a adoção de alternativas de mitigação, como o retorno da desoneração da folha de pagamento, redução de encargos e despesas incidentes sobre o transporte, linhas de crédito para automação e uma adaptação gradual, definida por setor econômico. Os resultados do levantamento foram reiterados durante o ABOL Day, organizado pelas diretorias de Capital Humano e de Assuntos Jurídicos e Regulatórios para debater os impactos da PEC.


Os especialistas Marília Ravazzi e Dario Rabay alertaram para os riscos de insegurança jurídica durante a transição e a complexidade da reorganização operacional exigida pela modificação. Os sócios do escritório Cescon Barrieu também defenderam que as empresas aproveitem esse período para revisar escalas, contratos e aportes em tecnologia para preservar a produtividade e minimizar os efeitos da reestruturação.



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