A bola está em campo, o Brasil avança rumo ao hexa e, assim como ocorre em outros grandes eventos, o setor de logística acompanha de perto toda a dinâmica gerada pela Copa do Mundo. Enquanto a rotina dos brasileiros ganha uma nova configuração, impulsionada pela expectativa e pelo calendário dos jogos, os Operadores Logísticos também precisam de planejamento especial para manter a eficiência dos processos.
Trata-se de mais uma oportunidade de aprendizado diante de uma data atípica, apesar das partidas ocorrerem exclusivamente nos Estados Unidos, México e Canadá. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) com suas afiliadas apontou que megaeventos globais influenciam diretamente a programação das atividades dessas empresas no Brasil.
Para 60% dos respondentes, no caso da Copa, essa influência se traduz na necessidade de antecipação operacional e revisão de processos, um sinal de maturidade do setor, que já reconhece nesses momentos uma chance para aprimorar a gestão. Outros 40% destacam o modal aéreo como o mais sensível às oscilações geradas pelo campeonato. A avaliação reflete uma característica estrutural do setor: parte relevante da carga aérea é transportada nos porões de aeronaves de passageiros.
Dessa forma, alterações na demanda por viagens, remanejamentos de aeronaves e mudanças de malha durante grandes eventos internacionais podem impactar diretamente a disponibilidade de capacidade para mercadorias, exigindo planejamento antecipado dos operadores.
O levantamento da Associação também mapeou os principais pontos de atenção. Todos os entrevistados apontaram congestionamentos em portos e aeroportos como algo a ser considerado no período. A necessidade de maior segurança e controle de carga é citada por 40% dos participantes. No entanto, os reflexos mencionados não representam um obstáculo. O consenso indica que o mercado tem clareza sobre os gargalos, condição essencial para transformar possíveis riscos em estratégia.
Os operadores mencionaram ainda, como pontos de atenção, possíveis alterações e atrasos nas rotas marítimas; importância de uma coordenação eficiente das entregas e gestão de equipes nos dias de jogo, além da reorganização das escalas de trabalho. Ao mesmo tempo, uma das respostas enfatizou a dupla dimensão que a competição esportiva representa: oportunidade de crescimento de receita, desafio relevante na execução operacional e controle de custos.
Não à toa, 40% do grupo já trabalha na estruturação de rotas alternativas. Demanda aquecida - Entre os nichos que costumam ser campeões de vendas durante o torneio, estão: alimentos e bebidas, televisores, equipamentos de áudio e eletrônicos, e moda esportiva liderando o topo da lista das empresas; na sequência, produtos promocionais, merchandising e materiais para eventos são citados por grande parte dos OLs; seguidos de combustíveis e insumos energéticos sinalizando uma cadeia de abastecimento ampla e diversificada, com oportunidades em múltiplas frentes.
Na véspera da estreia do Brasil, as vendas online de produtos ligados à Seleção cresceram mais de 20 vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior.As informações estão alinhadas às previsões de fluxo no varejo, que deve chegar a R$ 4,32 bilhões, alta de 6,5% em relação à última Copa, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Desse total, hipermercados e supermercados devem concentrar quase 70% das vendas, alcançando R$ 3,97 bilhões.
Em seguida, aparece vestuário e acessórios, com faturamento aproximado de R$ 803,7 milhões. Logo após, estão os artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas especializadas e venda de eletroeletrônicos menores, com R$ 262,6 milhões, informática e comunicação, com R$ 198,5 milhões, e móveis e eletrodomésticos, com R$ 80,2 milhões.
“Grandes eventos funcionam como catalisadores de adaptação e transformação para a logística. Eles aceleram a adoção de práticas alternativas e criativas, fortalecem a integração entre os diferentes elos da cadeia de suprimentos e abastecimento e deixam aprendizados que continuam gerando valor mesmo após o encerramento das competições”, avalia a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha.