11/05/2026

Novas normas de sustentabilidade elevam exigência de transparência e aproximam ESG das decisões financeiras



A crescente demanda por transparência nas práticas ESG está transformando a forma como as empresas reportam seus resultados e se posicionam no mercado. Com a chegada das normas internacionais IFRS S1 e S2, a sustentabilidade deixa de ser apenas um pilar reputacional e passa a se conectar diretamente ao desempenho financeiro, permitindo que investidores avaliem com mais clareza como riscos climáticos, escassez de recursos naturais e outros fatores repercutem na geração de valor e na alocação de capital.


Nesse contexto, a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) promoveu um encontro online com os especialistas Guto Lobato e Pedro Bentz, do Grupo Report, para discutir os impactos práticos dessas diretrizes e os desafios de adaptação. O debate trouxe uma visão aplicada sobre como as organizações podem se preparar para esse novo cenário regulatório, cada vez mais presente nas relações com financiadores, clientes e parceiros.


Um dos pontos centrais foi a mudança estrutural nos relatórios corporativos, que se tornaram mais técnicos, objetivos e baseados em dados auditáveis. As novas exigências demandam que a narrativa estratégica das companhias esteja fundamentada em informações mensuráveis, sobretudo no que se refere a ameaças e oportunidades ligadas à sustentabilidade.


"O objetivo é claro, permitir que investidores e agentes do mercado tomem decisões bem informadas em relação aos riscos e oportunidades de sustentabilidade e climáticos. Portanto, se faz imperativo que as questões sociais, ambientais e climáticas, com potencial de gerar efeitos financeiros para a organização, sejam traduzidas para a linguagem dos demonstrativos financeiros" , destaca Bentz.


 Os especialistas também ressaltaram que os novos padrões buscam corrigir uma lacuna histórica: as demonstrações financeiras tradicionais não incorporam o valor do capital natural, social e intelectual nos seus balanços. A proposta da IFRS é justamente integrar essas dimensões em uma perspectiva estratégica mais completa, aproximando definitivamente o relato corporativo do universo contábil e do mercado de capitais.


Em termos práticos, a S1 estabelece os requisitos gerais para que a empresa desenvolva internamente processos de gestão capazes de monitorar, gerenciar e reportar como ela é afetada por incertezas e oportunidades de crescimento responsável.


Já a S2 aprofunda esse olhar para as questões climáticas, abrangendo perigos físicos e de transição, emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) dos Escopos 1, 2 e 3, e mais de 90 requisitos qualitativos e quantitativos. O encontro abordou ainda desafios operacionais relevantes, como a identificação de ameaças materiais, a integração entre as áreas de sustentabilidade, capital e governança, e a complexidade de mensurar financeiramente impactos climáticos e socioambientais.


Bentz detalhou uma trilha de adequação estruturada em etapas que vão desde o mapeamento e a priorização dos temas materiais até a divulgação do documento em conformidade com as IFRS.Para o setor logístico, a discussão é especialmente estratégica. Mesmo corporações não diretamente reguladas pela CVM ou Banco Central são demandadas a fornecer dados sobre emissões, cadeia de valor e exposição a perigos atmosféricos.


"Seus parceiros são regulados em algum lugar e vão precisar de informações de escopo 3. Para quem eles vão recorrer? Para vocês", alerta Lobato. "Esse tipo de debate, cujo tema foi escolhido pelos próprios associados, reforça o compromisso da ABOL em apoiar as companhias diante de um ambiente em transformação, no qual transparência e gestão de riscos socioambientais passam a ter impacto direto sobre competitividade, investimentos e geração de valor", conclui a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha.



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