19/03/2026

GUERRA NO ORIENTE MÉDIO: IMPACTOS DO AUMENTO DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS NO SETOR DE OPERADORES LOGÍSTICOS BRASILEIRO



NOTA DE POSICIONAMENTO
Brasília - DF, 18/03/2026



A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) vem a público manifestar sua preocupação com o agravamento do conflito no Oriente Médio e reforçar a importância de uma solução pacífica e diplomática para a crise, diante de seus efeitos humanitários, sociais e econômicos, em âmbito global. A intensificação das tensões na região não afeta apenas os países diretamente envolvidos, mas gera desdobramentos nas cadeias produtivas e no cotidiano de milhões de pessoas em todo o mundo.



Na logística, a elevação expressiva do preço internacional do petróleo nos últimos dias tem pressionado o custo do diesel e de outros combustíveis essenciais ao transporte e à movimentação de cargas, em todas as regiões do país. Caso o cenário persista, os efeitos tendem a se intensificar, com reflexos diretos sobre os fretes e, consequentemente, sobre a inflação e o Custo Brasil.


Nesse contexto, destaca-se que os Operadores Logísticos (OLs) desempenham papel essencial na economia, ao integrar atividades de transporte (por qualquer modal), armazenagem e gestão de estoques, atendendo a praticamente todos os setores produtivos. São responsáveis por viabilizar o abastecimento da população, a fluidez do comércio exterior, a distribuição de medicamentos e vacinas, o escoamento do agronegócio e o suporte contínuo às indústrias. No entanto, é um segmento que há muitos anos opera, em muitos casos, com margens reduzidas, fortemente pressionadas por custos com combustíveis, que podem representar até 40% das despesas operacionais totais. Diante da elevada sensibilidade do insumo às oscilações do mercado internacional, é importante que todos os elos que se conectam ao Operador Logístico — desde fornecedores e parceiros até os clientes e a sociedade em geral — compreendam os desdobramentos e impactos já sentidos nos custos dessas empresas, e que, inevitavelmente, refletem-se nos fretes e preços dos serviços logísticos.


Nesse sentido, é essencial que as medidas temporárias já adotadas pelo governo brasileiro para mitigar esse cenário sejam efetivamente cumpridas por toda a cadeia de abastecimento, a partir da isenção das alíquotas de PIS e COFINS sobre a comercialização e importação do óleo diesel e da criação de subvenção econômica para produtores e importadores de combustível1. A cada dia, Operadores Logísticos relatam defasagens e assimetrias no repasse desses benefícios até os postos de combustível, o que indica que a redução esperada não tem se concretizado. Como resultado, novamente, observa-se uma elevação contínua dos custos operacionais dos OLs, com impactos diretos não apenas sobre os fretes, mas também na própria eficiência das operações. Soma-se a isso a preocupação com possíveis paralisações de caminhoneiros e aumento do piso mínimo do frete, recentemente atualizado em função do aumento do diesel2.


Levantamento interno da ABOL, realizado nesta semana, confirma o cenário: todos os associados respondentes já identificam aumento no preço do diesel em todas as cinco regiões do país. Alguns já enfrentam dificuldade de abastecimento, a exemplo de Santa Catarina. Em média, o aumento geral percebido é de 20%, alcançando patamares mais elevados em localidades como: Rio de Janeiro (até 50%), Bahia (30%), Santa Catarina (até 35%) e São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul (até 25%)3. Outros combustíveis, como o bunker (marítimo) e o QAV (aéreo), também registram elevações preocupantes.



Diante desse cenário, a ABOL reafirma seu compromisso com a estabilidade do setor, atuando de forma colaborativa para preservar a continuidade dos serviços logísticos e mitigar efeitos sobre clientes, cadeias produtivas e a sociedade brasileira. A Associação permanece à disposição para contribuir tecnicamente com o aprimoramento das medidas em curso, na expectativa de que seus efeitos se materializem com efetividade e que a eficiência do setor logístico seja devidamente preservada.



Marcella Cunha
Diretora-Presidente






1 As medidas se referem ao Decreto nº 12.875/2026, que reduziu as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização do óleo diesel, e à Medida Provisória nº 1.340/2026 e Decreto 12.878/2026, que instituíram uma subvenção econômica de R$ 0,32 por litro, limitada a R$ 10 bilhões e condicionada ao repasse integral ao consumidor final. No total, estima-se um alívio de aproximadamente R$0,64 por litro (desoneração + subvenção).





2 Portaria SUROC 3/2026, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), publicada em 13 de março, reajustou os coeficientes da tabela de piso mínimo do frete a partir do gatilho regulatório, considerando a variação acumulada de 13,32% do Diesel S10, o que também eleva os custos dos Operadores Logísticos.





3 Levantamento finalizado em 17/03/2026.




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