11/05/2026

Alta do diesel e conflitos internacionais reacendem debate sobre multimodalidade e transição energética



A recente alta do diesel, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, recoloca no centro do debate a transição energética e a multimodalidade no setor logístico. A volatilidade dos preços amplia a pressão por alternativas, como biometano e GNV, e a eletrificação. No entanto, a adoção ainda avança de forma limitada diante de gargalos de infraestrutura e de custos. Paralelamente, cresce a necessidade de fortalecer a integração entre modais, tratando-a como política pública.


De acordo com a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, esse movimento exige uma abordagem conjunta, que contemple infraestrutura para diferentes modos de transporte, planejamento operacional articulado e o desenvolvimento de tecnologias e combustíveis, com a participação da indústria.


“Sabemos que o diesel é um insumo transversal, presente em diferentes modais, como o rodoviário, a cabotagem e a ferrovia, além de compor o QAV, da aviação. Vejo esse momento como um convite para todos investirem mais no combustível do futuro, em função da lei aprovada em 2024. O objetivo era o governo federal estimular a produção e o expansão de outras fontes mais sustentáveis, até mesmo o etanol, que para algumas operações têm poluído bem menos, sendo uma solução com impactos positivos”, destaca Marcella Cunha. 


Ela avalia o programa, voltado à descarbonização e com previsão de R$ 260 bilhões em investimentos até 2037, como o principal arcabouço legal capaz de integrar todos os elos da cadeia. Além disso, Marcella reforça a importância de tratar a multimodalidade como política pública, um pleito da própria Associação, que acompanha de perto os impactos sobre as empresas, tanto nas negociações contratuais quanto na prestação de serviços, sempre que o combustível sofre variações conjunturais.


Esse cenário se torna ainda mais sensível diante do fato de o diesel responder por cerca de 40% dos custos dos operadores logísticos.“Não existe hoje um ecossistema organizado que faça todos os elos conversarem e se desenvolverem no mesmo ritmo. Mas é um exercício nosso formar essas redes em que a gente traga mais a Anfavea, associação que representa a indústria, mesmo ela também tendo os seus limites institucionais”, complementa a diretora. 


Tecnologia


O avanço da transição energética também passa pela maturidade tecnológica e pela viabilidade econômica das novas soluções. “Tem uma curva de amadurecimento que envolve investimento e testes”, afirma a diretora da ABOL.Nesse cenário, o biometano tem ganhado espaço e, segundo a executiva, em alguns casos tende a ser mais competitivo do que o elétrico.


Apesar desse movimento, a implementação ainda exige adaptações relevantes. Diferentemente do modelo tradicional, algumas soluções demandam estruturas específicas de abastecimento, muitas vezes próximas aos polos produtores.Iniciativas já em curso ilustram esse movimento. Um operador do agronegócio implantou uma usina própria em Paulínia, próxima à sua operação, para atender grandes embarcadores.


“Nesse caso, foi necessária autorização da Agência Nacional de Petróleo (ANP), entre outras determinações. Ainda há entraves burocráticos para quem busca maior autonomia energética”, conclui a diretora.



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