A agenda climática se tornou uma variável direta na gestão logística. O tema foi destaque no primeiro ABOL Day de 2026 da Diretoria ESG da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL), onde especialistas apontaram a necessidade de incorporar essa discussão nas operações.
“O risco climático deixa de ser uma percepção difusa e passa a ser tratado com base concreta, orientada por dados”, afirmou o head de Sustentabilidade da Bravo e diretor de ESG da ABOL. Para ele, isso muda a forma de planejar, permitindo maior capacidade de resposta diante de cenários adversos.
Durante encontro online, o especialista em ESG no setor de logística e transportes, Felipe Romera, apresentou impactos climáticos por modal e os efeitos diretos na continuidade das operações. O conteúdo foi baseado no workshop organizado pela ABOL e conduzido pela Climoo com empresas associadas.
O estudo estruturou os riscos em duas frentes: físicos, relacionados a ocorrências extremas com impacto direto na atividade, e de transição, ligados a mudanças regulatórias, pressões de mercado e incorporação de critérios climáticos à gestão e às estruturas de custo.
Chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos, instabilidade do solo, ressacas, ventos fortes e baixa visibilidade geram efeitos que variam entre interdições de vias no transporte rodoviário, danos à infraestrutura ferroviária, paralisações em operações portuárias, atrasos no modal aéreo e prejuízos a ativos e estoques em centros de distribuição.
RISCO OPERACIONAL
“Não é sobre clima, é sobre risco operacional, custos, contratos e continuidade dos negócios” destacou Romera. O ponto central não é apenas identificar ameaças, mas incorporar o risco climático ao planejamento estratégico, com medidas de prevenção a eventos meteorológicos extremos, reduzindo impactos operacionais e aumentando a resiliência das operações.
Nesse sentido, o diferencial competitivo está na capacidade de antecipar, monitorar e prever cenários, transformando variáveis climáticas em insumos para a tomada de decisão orientada por dados.
GESTÃO ESTRUTURADA
Para enfrentar esse cenário, o setor avança para uma gestão estruturada, apoiada por tecnologia que é capaz de antecipar os eventos e os respectivos desdobramentos. Essa foi a abordagem apresentada por Thomas Martin, cofundador da MeteoIA.
Segundo ele, a Inteligência Artificial permite converter dados climáticos em informações acionáveis. “A proposta é antecipar não apenas o evento, mas seu impacto em atrasos, despesas e desempenho logístico”, afirmou o executivo.
A MeteoIA avalia diferentes horizontes e incorpora dados históricos das empresas para gerar previsões personalizadas. Com isso, é possível estimar probabilidades de atraso, impactos financeiros e variações operacionais a partir de condições específicas.
Além disso, as análises, feitas em escala hiperlocal, consideram características de ativos como centros de distribuição, rotas e estruturas portuárias. A tecnologia também integra múltiplos riscos em um único ambiente, permitindo visão consolidada e suporte à tomada de decisão, além de viabilizar ações preventivas, como reprogramação de trajetos e ajustes operacionais.
Fonte: Mundo Logística