As constantes transformações operacionais e regulatórias do setor reforçam a necessidade dos Operadores Logísticos acompanharem decisões e publicações que impactam toda a cadeia. Para facilitar esse processo e garantir que as empresas tenham acesso às informações necessárias para atender às determinações sem sofrer penalidades, a ABOL tem realizado encontros periódicos, os chamados ABOL Days, voltados exclusivamente aos filiados da entidade. Apenas em maio, dois eventos online proporcionaram ao grupo a oportunidade de esclarecer dúvidas e se aprofundar em temas atualmente em evidência: as normas IFRS S1 e S2 e as alterações no CIOT.
No caso da IFRS S1 e S2, a chegada das regras deixa claro que a sustentabilidade deixou de ser apenas um pilar reputacional, tornando-se um vínculo direto com o desempenho financeiro, permitindo que investidores avaliem com mais clareza como riscos climáticos, escassez de recursos naturais e outros fatores repercutem na geração de valor e na alocação de capital.
Ao abordarem a questão, os especialistas Guto Lobato e Pedro Bentz, do Grupo Report, afirmaram, dentro do novo cenário regulatório, que os relatórios corporativos se tornaram mais técnicos, objetivos e baseados em dados auditáveis. Ou seja, as novas exigências demandam que a narrativa estratégica das companhias esteja fundamentada em informações mensuráveis, sobretudo no que se refere a ameaças e oportunidades ligadas à sustentabilidade.
Eles também ressaltaram que os novos padrões buscam corrigir uma lacuna histórica: as demonstrações financeiras tradicionais não incorporam o valor do capital natural, social e intelectual nos seus balanços. A proposta da IFRS é justamente integrar essas dimensões em uma perspectiva mais completa, aproximando definitivamente o relato corporativo do universo contábil e do mercado de capitais.
CIOT
A ampliação das exigências envolvendo o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) marcou o segundo bate papo deste mês. As mudanças tornam obrigatório o registro em toda a rotina de transporte remunerado, ampliando o controle sobre o pagamento de frete e o cumprimento do piso mínimo estabelecido pela ANTT.
Letícia Braatz, da efrete, e Bruna Minuzze, da Nstech, esclareceram os impactos das novas regulamentações e alertaram para a necessidade de revisão dos processos internos e de compliance das empresas. Segundo elas, o cruzamento eletrônico entre os dados do CIOT e do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) deve intensificar a fiscalização e ampliar o monitoramento das atividades.
As discussões também apontaram a importância do correto preenchimento das informações de transporte, como origem, destino e quilometragem, além da atenção às diferentes modalidades previstas nas novas regras. A avaliação é de que inconsistências cadastrais ou falhas no registro poderão resultar em penalidades e restrições operacionais.