09/10/2020

"'Multimodalidade é necessidade para competir em economia global', diz gerente da ANTT"

 "'Multimodalidade é necessidade para competir em economia global', diz gerente da ANTT"


André Ramos acredita que a multimodalidade será cada vez mais incentivada e que redução do desequilíbrio no transporte de cargas no Brasil só será possível com integração e planejamento

A escolha do melhor modal e a redução do desequilíbrio no transporte de cargas no Brasil só serão possíveis com integração e planejamento. A avaliação é do gerente de regulação de transporte rodoviário e multimodal de cargas na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), André Sousa Ramos. Para ele, o modal rodoviário é o mais adequado para transporte de cargas de curtas distâncias, ao passo que o modal aquaviário tem custo mais constante com distâncias maiores. Ramos ponderou que esses conceitos podem variar dependendo do tipo de produto exportado.

"A multimodalidade não é mais opção, é necessidade se quisermos competir em economia cada vez mais global", projetou Ramos, nesta quinta-feira (8), durante apresentação no evento Intermodal Xperience, promovido pela Informa Markets.

Ele acredita que a multimodalidade deve ser cada vez mais incentivada. Entre os benefícios dessa diversificação da matriz de transportes, Ramos apontou a logística mais adequada, elevando nível de satisfação dos clientes. A partir da utilização de modais mais adequados, se espera o aumento da segurança rodoviária e a retirada de de veículos pesados das estradas, o que pode eventualmente acarretar economia para concessionárias e redução de preços do pedágio. Ramos observa que os conceitos de intermodalidade e multimodalidade ainda se misturam e, às vezes, são utilizados de forma incorreta.

O transporte no Brasil é majoritariamente por rodovias (61%), enquanto 21% são movimentados por ferrovias, 12% por cabotagem, 2% por hidrovias e menos de 1% por aeronaves. Nos rankings de infraestrutura, o Brasil ocupa a 8ª posição na América Latina e a 85ª mundial. Os custos logísticos do país representavam 12% em relação ao PIB, segundo dados Ilos de 2016.

"Em vez de planos de Estado, se viu até agora planos de governo fazendo com que projetos de infraestrutura fossem feitos de forma descoordenada, fazendo uma espécie de mosaico na infraestrutura do transporte nacional sem agregar valor", comentou Ramos. Ele percebe iniciativas positivas para mudança desse cenário, como a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a integração multimodal no Brasil que resultou em um acórdão com recomendações aos ministérios da infraestrutura e da economia.

Ele também destacou a portaria 123/2020, publicada em agosto, que trata do planejamento integrado de transportes. Além disso, ele vê as concessões do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo federal criando expectativas de bilhões de investimentos para o setor logístico. Ramos acrescentou que o programa de estímulo à cabotagem (BR do Mar) é essencial como incentivo ao uso dessa alternativa para transporte de commodities em longa distância. O gerente da ANTT ressaltou que o rodoviário deve continuar a ser importante, dentre outros motivos, para garantir o transporte porta a porta. "A escolha do melhor modal só é possível com integração", salientou.

Fonte: Portos e Navios

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