19/12/2025

Descarbonização no centro dos debates

 Descarbonização no centro dos debates



Reduzir a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) e adotar uma agenda ambiental mais consistente têm deixado de ser planos futuros e se tornam parte essencial do planejamento de diversas companhias. E no setor de logística, esse movimento foi evidenciado no II Inventário de Emissões GEE, lançado pela ABOL ao longo de novembro em palestra realizada na COP30, no pavilhão da CNT na Green Zone. O documento, que traz uma maturidade muito maior do que a primeira edição, apresentada ao público em 2024, mostra que cerca de 77% das empresas participantes já realizam inventários individuais, refletindo adesão robusta ao reporte climático setorial. 


Produzido em parceria com o Instituto Via Green, o estudo revela também que 77% das empresas atribuem importância “alta” ou “altíssima” à agenda ambiental institucional. Iniciativa da diretoria ESG da ABOL, a realização do inventário é uma forma de oferecer suporte às Associadas na tomada de decisões sobre quanto e onde descarbonizar.


“A agenda ambiental está ampliando e nossos associados têm evoluído e realizado diagnósticos mais completos, que auxiliam a estabelecer metas factíveis, o que impulsiona a evolução de toda a cadeia logística nacional no sentido do carbono zero, ainda que não saibamos quando ele de fato se tornará uma realidade no Brasil”, comenta Marcella Cunha, diretora Executiva da ABOL. 


Apresentar o estudo ao longo do maior evento global das Nações Unidas para discussão e negociações sobre as mudanças do clima – e que pela primeira vez foi realizado no Brasil -, trouxe ainda mais visibilidade às responsabilidades dos transportadores e prestadores de serviços logísticos integrados.


“O Uso da Terra e Transportes são pilares evidentes sobre os quais nós, cidadãos, governos e empresas privadas, devemos concentrar esforços hoje e nos próximos anos. A descarbonização é um pacto com o presente e o futuro e o jogo deve ser coletivo para fazer sentido. Atualmente, apenas 3% dos Operadores Logísticos conseguem passar, de forma integral, os custos com projetos de descarbonização em seu preço final. Isso impacta o nosso lucro, o nosso Capex e, como consequência, o investimento direcionado a novos ativos e tecnologias que reduziriam nossas emissões”, complementa Marcella, que lidera a entidade desde 2021, ano em que também fundou a Diretoria ESG.


Resultados - A edição traz informações exclusivas sobre escopos 1 (Emissões diretas de fontes próprias), 2 (Emissões indiretas da geração de energia comprada) e 3 (Emissões Indiretas proveniente da cadeia de valor), coletadas a partir de 22 empresas associadas, o que representa 73% da base de filiados da entidade.


A frota pesada é a principal responsável pelas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no transporte rodoviário, totalizando 1.377.911,95 tCO2e e representando cerca de 98,7% das emissões do setor, enquanto a frota leve contribui com apenas 1,3% (18.422,50 tCO2e). Esse resultado é impulsionado primariamente pela combustão móvel, que responde por aproximadamente 58% das emissões, complementada pelas emissões indiretas do Escopo 3, que incluem o transporte upstream e o ciclo de vida do combustível (Well to Tank - WTT).


Sobre a principal medida de mitigação adotada, 27% das empresas revelaram que usam alternativas tecnológicas e 27% investem em eficiência e otimização de processos. Além disso, os OLs também utilizam combustíveis alternativos, como biometano e etanol (14%). 


O inventário mostra também um pequeno aumento nas emissões biogênicas, que são aquelas que causam um impacto neutro na concentração de GEE na atmosfera, de 9% para 11%. Esse crescimento está relacionado ao maior uso de biocombustíveis, reflexo de políticas de transição energética e substituição parcial de combustíveis fósseis.


Outro ponto a ser destacado é que houve um aumento no engajamento nesta última edição do levantamento, com 77% das empresas reportando emissões de GEE com inventários mais completos que abrangem os Escopos 1, 2 e 3, superando o percentual de 72% do ciclo anterior. Isso evidencia maior maturidade na gestão de emissões e menos empresas sem reporte.



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