07/03/2022

Guerra na Ucrânia afeta as exportações brasileiras


As ligações comerciais encurtam as distâncias do mapa. É por isso que, mesmo longe, o Brasil não escapa dos abalos do terremoto econômico provocado pela guerra no Leste Europeu.

Gigantes do transporte marítimo suspenderam as rotas para a Rússia e para a Ucrânia. O que significa carga parada nos portos, à espera de uma solução na zona de conflito.

A Associação Brasileira de Operadores Logísticos diz que a movimentação de pelo menos dois dos cinco produtos mais exportados para a Rússia já caiu nessa semana. Uma queda de até 15% por dia no caso das cargas de frango e de até 25% nos contêineres de amendoim.

“O momento é de cautela e o setor de logística tem se preocupado sobretudo com a segurança dos seus funcionários locais que estão trabalhando no dia a dia não interrompendo a cadeia de suprimento”, comenta Marcella Cunha, diretora executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos.

Os exportadores dizem que o gargalo logístico é, nesse momento, o maior problema que enfrentam. E que cria outros, numa espécie de "efeito cascata". Se a carga que já tinha sido comprada não chega, não há razão para se fazer novas encomendas. E isso impacta a produção brasileira.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santini, diz que a Rússia está entre os dez maiores compradores do Brasil, e que a solução é buscar novos mercados: “Essas vendas que a gente fazia para a Rússia representavam 2,5% das exportações totais do Brasil de carne de frango e 0,8% das exportações totais de carne suína. Vai diminuir um pouco as exportações, mas como nós vendemos para mais de 150 países do mundo vai se conseguir realocar essa produção que era destinada à Rússia para outros mercados sem nenhuma ruptura do comercio brasileiro”.

As exportações para a Rússia também são afetadas por decisões tomadas fora do Brasil. É o caso da fabricante sueca de caminhões Scania, que, na Europa, anunciou a interrupção das entregas de veículos e peças de reposição. A filial brasileira seguiu a orientação da matriz e também parou de exportar para a Rússia.
A Mercedes-Benz do Brasil também deixou de produzir motores para veículos pesados que eram vendidos aos russos.

E a empresa brasileira Embraer, assim como as estrangeiras Boeing e Airbus, anunciou que não vai mais vender peças e aeronaves para a Rússia.

O professor de economia internacional do Insper Roberto Dumas lembra que o banimento dos maiores bancos russos do swift, o sistema de pagamentos internacional, ainda vai trazer mais impactos às exportações: “A economia mundial vai sentir, principalmente a economia da Europa. Ela vai sentir essa diminuição do comércio internacional tanto da economia europeia, dos Estados Unidos, da Ásia e não tem como o Brasil não ser afetado numa hora dessas”.



Fonte: Jornal Nacional

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