22/10/2020

ESG como diferencial competitivo para as empresas de logística

 ESG como diferencial competitivo para as empresas de logística


Para o ABOL Day On-line sobre ESG: Melhores práticas ambientais, sociais e de governança e pressuposto de novas oportunidades do setor logístico, a ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos convidou a gerente executiva de Meio Ambiente – RUMO S.A. / BRADO (associada ABOL) e encarregada de todos os processos ambientais legais e operacionais da empresa, Renata Twardowsky Ramalho; a responsável por Gestão Corporativa de Sustentabilidade na SIMPAR (holding da JSL – associada ABOL), Patrícia Pereira; o especialista em Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa e líder no Conselho Regional das Redes Locais na América Latina e Caribe, Carlo Pereira, e o professor, advogado especialista em Direito Ambiental, Direito dos Resíduos e Sustentabilidade e sócio da Felsberg Advogados, Fabricio Soler.

A ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos organizou na última quarta-feira (21) um novo ABOL Day On-line, desta vez com o tema ESG: Melhores práticas ambientais, sociais e de governança e pressuposto de novas oportunidades do setor logístico.

Para compor o grupo de participantes, a associação convidou a gerente executiva de Meio Ambiente – RUMO S.A. (pertencente ao mesmo grupo da BRADO, associada à ABOL) e encarregada de todos os processos ambientais legais e operacionais da empresa, Renata Twardowsky Ramalho; a responsável por Gestão Corporativa de Sustentabilidade na SIMPAR (holding do Grupo JSL, também do conjunto de empresas afiliadas à ABOL), Patrícia Pereira; o especialista em Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa e líder no Conselho Regional das Redes Locais na América Latina e Caribe, Carlo Pereira, e o professor, advogado especialista em Direito Ambiental, Direito dos Resíduos e Sustentabilidade e sócio da Felsberg Advogados, Fabricio Soler.

O encontro foi apresentado pelo anfitrião, diretor presidente e CEO da ABOL, Cesar Meireles, com mediação do diretor adjunto de Assuntos Jurídicos e Regulatórios (DAJR) da ABOL, Luciano Neto.

Na abertura, Meireles comentou que a matéria ESG – sigla em inglês de Environmental, Social and Governance – dialoga diretamente com os 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) 2030. “ESG refere-se aos três fatores centrais na medição da sustentabilidade e do impacto social de um investimento em uma empresa ou negócio. Esses critérios ajudam a determinar melhor o desempenho financeiro futuro das empresas, algo crucial na tomada de decisão sobre investimentos. Essa oportunidade nos traz um objetivo determinante para que tratemos do tema de forma clara, direta e necessária para o desenvolvimento de nossas empresas, do nosso setor e do nosso país”.

Na sequência, Luciano Neto comentou a pluralidade de temas contidos no ESG. “Trata-se verdadeiramente de um tema instigante, apaixonante e complexo, pelas várias vertentes que envolve. Quando falamos de ESG, falamos de meio ambiente, responsabilidade social e governança, que por si sós levantam outros temas, como eficiência energética, direitos humanos, saúde e segurança, entre muitos outros. O ESG tem benefícios inegáveis, pois os investidores e clientes buscam esse tipo de comprometimento, o que passou de vantagem competitiva para condição de existência em diversos setores”, afirmou.

O primeiro a participar, Pereira salientou que, embora pareça, o ESG não é um assunto novo. “Quando pensamos em várias siglas e conceitos, como ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), ESG e sustentabilidade, por exemplo, apesar de se referirem a vários temas, todos circundam a mesma ideia. Quando falamos de ODS e sustentabilidade, fazemos isso sob a ótica empresarial, mas, no caso do ESG, o foco passa a ser o do setor financeiro – ou seja, o mesmo objeto visto por vértices diferentes”.

Segundo ele, a temática do ESG surgiu no Pacto Global, braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para o setor privado, em 2004, com a publicação sobre o impacto do ESG no setor financeiro e a definição do que se chama hoje de PRI (Principles for Responsible Investment), rede internacional de investidores (hoje, com mais de 3 mil instituições financeiras) que trabalham em conjunto para implementar seus princípios. “Estamos estudando o tema com afinco porque houve um acúmulo de conhecimento nos últimos anos e ocorreu também o que considero ‘um rompimento da fronteira dos investimentos’, isto é, estabeleceu-se entre os investidores a percepção de que as empresas precisam ter um propósito além do lucro, no qual a ação de gerar valor necessariamente se alinha com os anseios da sociedade e com a sustentabilidade dos recursos e do meio ambiente, em harmonia com os stakeholders. Isso se traduz em uma mudança estrutural do sistema financeiro e capitalista”, disse Pereira, que acrescentou: “A sociedade e os investidores querem saber o que as empresas do setor da logística estão fazendo para reduzir a emissão de gases poluentes, como se posicionam na questão do respeito à diversidade, ao compliance. Outra circunstância importante: estamos na era da transparência e da interconectividade, o que expõe todas as práticas ao escrutínio público”.

Carlo afirmou que a incorporação da cultura ESG nas empresas consiste em uma oportunidade competitiva de grande magnitude. “Gostaria de trazer a questão da expectativa com relação à liderança. Estamos em mundo complexo, diferente do que existia antes, quando a atuação como líder empresarial era muito mais simples. Na pesquisa global Edelman Trust Barometer 2019, percebe-se o papel determinante das empresas para a sociedade em geral. Segundos os dados, 21% das pessoas no Brasil confiavam no governo; 41%, na mídia; 56%, nas empresas, e 77%, na empresa em que trabalhavam. Outro dado muito significativo revela que por volta de 80% das pessoas entendiam que os CEOs das empresas devem tomar decisões em prol da sociedade sem esperar pelo governo”. Neste ano, a Edelman Trust Barometer 2020 mostra que a confiança subiu em todas as instituições no Brasil. Considerando o público total, constatou-se aumento de 9 pontos no governo (agora com 37%), de 6 nas empresas (64%), de 3 na mídia (44%) e de 2 nas ONGs (59%). Com isso, o índice geral (51) saltou 5 pontos, tirando os brasileiros da condição de “desconfiados” e posicionando-os como “neutros” – o que não ocorria desde 2016.

SIMPAR

Contando a experiência da SIMPAR (holding do Grupo JSL), Patrícia Pereira comentou que não há tempo a perder no desenvolvimento e implementação da cultura ESG na dinâmica empresarial. “Estamos trabalhando os temas relacionados ao ESG para engajar todos os níveis de executivos da empresa, de modo a criar condições de apropriação desses conceitos e práticas, para que no dia a dia essa filosofia permeie a dinâmica operacional e estratégica da empresa. Temos mais de 50 projetos em curso a envolver todas as integrantes do grupo”, disse.

Ela sugere que as empresas espelhem suas práticas nos protocolos internacionais, para que possam identificar onde estão e para onde precisam evoluir. “No setor de logística, não há como deixar de falar em emissões de gases poluentes. Somos vistos como vilões porque emitimos muito poluentes. Isso nos obriga a olhar para a cadeia como um todo, pois, como Operadores Logísticos, movimentamos a carga de alguém. Que tratamento daremos a esse assunto? De que maneira pensaremos, como setor, questões relativas à precificação dos créditos de carbono? Tais indagações já estão no radar do setor”.

RUMO

Pela RUMO, Renata Twardowsky comentou que a empresa vem implementando já há alguns anos projetos e ações baseados nos três pilares estruturais do ESG. “Tudo o que estamos fazendo nos fortalece como empresa, e encaramos o grande desafio de fazer melhor o que já estamos fazendo melhor, como priorizar projetos de eficiência energética e lançar o green bond, com emissão de US$ 500 milhões, visando ao aprimoramento na manutenção das linhas, modernização de locomotivas, desenvolvimento de alternativas de combustíveis, o projeto de double stack. Isso tudo, além de nos beneficiar_, _valoriza e moderniza todo o sistema logístico”.

Ela contou que a empresa definiu nove compromissos com o desenvolvimento social, que englobam desde a comunidade em torno das operações, dos colaboradores e das instituições brasileiras, com parcerias em prol do desenvolvimento. “O mais importante é a busca pelo desenvolvimento sustentável de cada negócio, detalhando a particularidade de cada modalidade de transporte”.

Ao final do encontro, Fabricio Soler parabenizou a ABOL pela iniciativa de propor uma discussão aprofundada sobre essa temática tão relevante para as empresas. “Todas as apresentações de hoje são muito complementares. O desafio do ESG reside em incorporar a filosofia na cultura da empresa, internalizada inclusive pela alta cúpula, que deve estar engajada no tema. Foi muito bem colocado o exercício dos critérios a serem adaptados e implementados, controlando as diversas variáveis envolvidas. O que fazer agora? Precisamos dar o pontapé inicial. Quem já caminha no assunto está de parabéns; quem ainda não, precisa dar o start. Não há mais tempo a perder, especialmente porque é condição sine qua non para a viabilização de investimentos. Não podemos nos esquecer da temática do compliance, especialmente no que se refere ao universo ambiental, tanto nas condições compulsórias como nas optativas no guarda-chuva ESG”, finalizou ele, convidando a todos a inscreverem-se no curso Compliance Ambiental e ESG, ministrado na Trevisan Escola de Negócios, que apoiará a capacitação de profissionais dos setores público e privado, visando à implementação, gestão e aperfeiçoamento do sistema de conformidade na área ambiental.

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