A proliferação de leilões de rodovias gerou uma onda de novos investidores no setor, movimento que deverá prosseguir neste ano. Em 2024, o mercado viu a entrada de grupos como a 4UM (antiga J.Malucelli), a plataforma formada por Kinea e grupo Way e a Azevedo e Travassos.
Para este ano, ainda há novos atores por vir: o BTG vem tentando conquistar seu primeiro contrato no setor, a XP e o Opportunity também já disputaram leilões, e outros grupos se preparam para investir no segmento, seja via leilões ou aquisições, como a Aenza, da IG4 Capital.
“Tem mais grupos por vir. Há muitos fundos interessados e também grupos de empreiteiras e usuários, donos de carga, empresas de transporte de passageiros se formando em blocos”, afirma Guilherme Sampaio, diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que deverá assumir o comando do órgão.
Para Viviane Esse, secretária nacional de transporte rodoviário, a expectativa é que os grupos que já disputaram leilões em 2024 sigam ativos nas concorrências, e que novos atores passem a participar, em especial grupos financeiros.
No setor privado, a percepção é que o mercado rodoviário vive um ciclo raro de oportunidades. “São muitos leilões, é uma janela que não existe para sempre. Ao fim de 2025, se o governo tiver sucesso, quem quiser entrar vai ter que comprar ou esperar outro ciclo”, diz Leonardo Boguszewski, presidente da 4UM, que em 2024 conquistou a concessão da BR-381 em Minas e disputou outros leilões.
“Há muita oferta de projetos e não tanta demanda do ponto de vista do capital, diante de um mercado de investimento debilitado no Brasil. Isso abre oportunidade de entrar em um mercado menos competitivo e fazer boas operações”, afirma Paulo Mattos, sócio da gestora IG4 Capital.
Para ele, a onda de projetos federais é o principal gatilho para o atual ciclo. “Há um movimento claro do governo federal, que sempre teve um posicionamento mais dúbio. Hoje, o ministério está fazendo um trabalho estruturado, buscando capital fora do país”, diz.
Boguszewski destaca outros dois fatores. “Muitas concessões existentes venceram e agora estão sendo novamente licitadas. O segundo ponto é a situação fiscal do país, que impede por completo o poder público de fazer frente a grande parte dos investimentos.”
No ano passado, o governo federal fez o leilão de sete concessões rodoviárias, que juntas somaram R$ 48 bilhões de investimentos. Além disso, o governo de São Paulo realizou outras três licitações do setor, com mais R$ 21 bilhões de obras contratadas.
Em 2025, estão agendados dois leilões, de sete contratos, para o primeiro trimestre. Em 27 de fevereiro, o governo federal planeja licitar a chamada Rota Agro Norte, que inclui o trecho da BR-364 entre Porto Velho e Vilhena (RO), com obras estimadas em cerca de R$ 6,5 bilhões. Em 14 de março, o governo de Mato Grosso marcou a licitação de seis lotes, que juntos deverão somar R$ 7,7 bilhões.
Os governos brasileiro e argentino também correm para leiloar a nova concessão da ponte de São Borja-São Tomé. Houve uma primeira tentativa em janeiro, que foi suspensa por medida cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU). O governo trabalha para reverter os questionamentos.
Ao longo do ano, o Ministério dos Transportes também prevê leiloar diversos outros contratos, como o corredor entre Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro, além dos lotes 4 e 5 de rodovias do Paraná.
Na carteira de projetos estaduais também estão previstas licitações do governo paulista - o Lote Paranapanema, a Rota Mogiana e o Circuito das Águas -, do Rio Grande do Sul, com o leilão do Bloco 2 de rodovias do Estado, e Minas Gerais tem como meta fazer cinco leilões rodoviários neste ano. Dois deles estão mais adiantados e deverão ser realizados no primeiro semestre, dos lotes Vetor Norte e Ouro Preto-Mariana.