14/09/2026

Economia digital aprofunda conexões entre China e Brasil

 Economia digital aprofunda conexões entre China e Brasil



A expansão da economia digital vem criando novas formas de integração entre China e Brasil, com empresas chinesas ampliando sua atuação em áreas que vão do comércio eletrônico à logística e aos serviços financeiros. O movimento acompanha a transformação das relações econômicas entre os dois países, que passam a envolver não apenas o fluxo de mercadorias, mas também plataformas digitais, sistemas de entrega e soluções para operações comerciais.


Na China, os serviços digitais ocupam espaço crescente na economia. Nos primeiros sete meses de 2026, o comércio de serviços do país movimentou quase 4,45 trilhões de yuans, segundo dados oficiais chineses, com alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o comércio eletrônico também mantém expansão, criando um mercado de grande interesse para empresas estrangeiras que combinam tecnologia, venda e distribuição em uma mesma plataforma.


Entre as companhias chinesas que ampliaram sua presença no país estão AliExpress, Huawei e Keeta. A AliExpress, plataforma do grupo Alibaba, firmou em maio um memorando de entendimento com os Correios para ampliar a cobertura de entregas no território brasileiro. A Keeta, marca internacional da Meituan, iniciou operações em São Paulo em dezembro de 2025, enquanto a Huawei ampliou sua atuação no mercado brasileiro também com a abertura de uma loja física na capital paulista.


A expansão chega à logística, setor em que empresas chinesas vêm incorporando tecnologias para tornar mais eficiente o transporte de mercadorias e a chamada última milha, etapa final da entrega. A entrada de plataformas digitais com operação local aproxima consumidores, vendedores, transportadoras e sistemas de pagamento, fazendo com que diferentes serviços passem a funcionar de forma integrada.


O setor financeiro também participa desse processo. O ICBC do Brasil, banco que atua como instituição de compensação do renminbi no país, oferece serviços para operações entre empresas brasileiras e chinesas. Em março, a instituição firmou acordo com a JD Industrials do Brasil, combinando serviços financeiros com soluções relacionadas a compras digitais e comércio internacional.


Esse processo de integração ocorre enquanto o Brasil também adapta seu ambiente regulatório às necessidades de uma economia mais conectada internacionalmente. O Banco Central informou que novas regras para determinadas operações em moeda estrangeira por pessoas jurídicas entrarão em vigor em outubro de 2026, incluindo possibilidades voltadas a empresas exportadoras e companhias brasileiras com participação direta de capital estrangeiro.


A medida faz parte do processo de modernização das regras cambiais brasileiras.A aproximação entre os dois mercados, portanto, ocorre em diferentes etapas de uma operação comercial. Um produto pode ser comercializado por uma plataforma digital, transportado por uma rede integrada de logística e ter sua operação financeira apoiada por instituições que conectam os sistemas dos dois países. Essa combinação amplia o papel da tecnologia nas relações econômicas bilaterais.


Para o Brasil, a expansão dessas empresas representa a chegada de novos serviços e ferramentas a um mercado de grande dimensão. Para as companhias chinesas, o país oferece espaço para internacionalização de modelos de negócios digitais desenvolvidos em uma das maiores economias digitais do mundo. A tendência indica que a relação China-Brasil passa a incorporar, cada vez mais, uma dimensão digital que acompanha o crescimento dos fluxos comerciais e de investimentos.



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