08/09/2026

Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura, diz DP World

 Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura, diz DP World



O Brasil precisa praticamente dobrar os investimentos em infraestrutura para melhorar a eficiência de seus corredores de exportação e ampliar a conexão marítima com mercados estratégicos. A avaliação é de Fábio Siccherino, CEO da DP World no Brasil, que aponta os gargalos logísticos internos como uma das barreiras à expansão do comércio exterior.


Segundo o executivo, o País investe atualmente cerca de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual que deveria chegar a 4,5% para acompanhar o crescimento da economia e sustentar uma participação maior do Brasil nos mercados internacionais.“O Brasil investe cerca de 2,2% do PIB em infraestrutura, quando deveria aportar 4,5%.


Para suportar o crescimento do Brasil e aumentar a sua participação em mercados internacionais, precisamos ter infraestrutura e corredores eficientes, principalmente com os países árabes”, afirmou Siccherino durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado em São Paulo.


Volume justificam novas conexões


Na avaliação do CEO da DP World, os volumes brasileiros de minerais, celulose e commodities agrícolas destinados aos países árabes já seriam suficientes para justificar corredores marítimos mais dedicados a esse comércio.


A eficiência de uma ligação marítima, entretanto, começa antes da chegada da carga ao porto. Rodovias, ferrovias, terminais e acessos portuários precisam acompanhar a expansão dos fluxos, além de haver condições adequadas de financiamento e segurança jurídica para novos investimentos.


O diagnóstico ganha relevância diante da importância crescente dos mercados do Oriente Médio para diferentes produtos brasileiros e da necessidade de diversificação das rotas internacionais em um cenário de maior instabilidade geopolítica.


Estratégia das cadeias duplas


Além das deficiências de infraestrutura em terra, os operadores logísticos enfrentam riscos crescentes nas principais rotas marítimas internacionais.


Siccherino citou os estreitos de Ormuz e Malaca entre os pontos de estrangulamento capazes de provocar interrupções e obrigar empresas a redesenhar suas cadeias de abastecimento.Uma das respostas tem sido a chamada estratégia de “cadeia dupla”: empresas mantêm uma rota logística alternativa preparada para ser acionada caso o corredor principal seja interrompido.


A solução eleva os custos, mas reduz o risco de paralisação completa do fluxo de mercadorias.A experiência recente no Golfo ilustra esse movimento. Hisham Al Ansari, CEO da MSC Saudi Arabia, relatou que restrições na região do Estreito de Ormuz levaram a companhia a estruturar alternativas combinando transporte marítimo e rodoviário para atender mercados como Catar, Bahrein e Kuwait.


Em uma dessas operações, mercadorias foram direcionadas para Jeddah, na Arábia Saudita, no Mar Vermelho, e transportadas por caminhão por aproximadamente 1,5 mil quilômetros, em muitos casos até Dammam, no Golfo. A partir dali, seguiam novamente por navio até o destino final. Também foram utilizados portos como Salalah e Sohar, em Omã, e Khorfakkan, nos Emirados Árabes Unidos, combinados ao transporte terrestre.Segundo Al Ansari, as alternativas permitiram manter os fluxos comerciais, embora com custos superiores aos de uma operação convencional.


Brasil vendeu US$ 4,17 bilhões ao Golfo


Mesmo diante das dificuldades logísticas e das tensões nas rotas marítimas, as exportações brasileiras para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) alcançaram US$ 4,17 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados apresentados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.


O resultado representa queda de 4,01% em relação ao mesmo período de 2025. O CCG reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. Para a DP World, ampliar a capacidade brasileira de aproveitar mercados como esses passa, portanto, por duas frentes: aumentar a eficiência da infraestrutura que leva a produção até os portos e desenvolver corredores internacionais capazes de oferecer maior previsibilidade e alternativas diante das interrupções das grandes rotas marítimas.


Fonte: Transporte Moderno



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