A multimodalidade esteve entre os principais temas do 10º Congresso ABOL, realizado nos dias 13 e 14 de agosto, em Ibiúna (SP). A discussão ganhou força a partir da conexão entre as diretrizes do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 e os dados do novo Perfil do Operador Logístico no Brasil, que apontam desafios para ampliar a integração entre os modais.
Ao final das palestras, os participantes responderam perguntas relacionadas aos temas discutidos ao longo do evento. Os resultados ajudam a revelar as principais preocupações e os movimentos que já estão sendo adotados diante das transformações na logística.
Entre os respondentes, 52% apontaram maior previsibilidade regulatória e de recursos como o avanço que mais poderia destravar o crescimento de suas empresas nos próximos anos. Na sequência, aparecem a melhor conexão entre os modais (39%) e a modernização e ampliação das rodovias (36%).
O levantamento também mostrou que 88% consideram que o avanço da multimodalidade depende de uma atuação coordenada entre planejamento e políticas públicas, de um lado, e investimentos e execução privada, de outro. O dado ganha relevância diante do atual estágio, no qual apenas 31% dos OLs realizam operações multimodais.
Os participantes também apontaram como estão se preparando para um ambiente internacional mais instável. Entre eles, 57% afirmaram estar revisando contratos para obter maior flexibilidade, enquanto 39% estão diversificando matrizes e rotas e o mesmo percentual ampliando parceiros.
A Reforma Tributária também já influencia as iniciativas. Metade dos associados indicou ajustes no planejamento financeiro e no capital de giro, considerando o split payment e o novo sistema de crédito tributário. Outros 36% estão readequando estruturas tributárias, societárias e portfólios de serviços.
Construção coletiva
Na abertura do Congresso, a diretora-executiva, Marcella Cunha, destacou as bandeiras de atuação da entidade, consolidadas em quatro propostas prioritárias para o próximo período de governo: multimodalidade, ambiente regulatório e tributário, escassez de mão de obra e descarbonização.
Para Ricardo Buteri, presidente do Conselho Deliberativo, a ABOL se consolida como um ecossistema de conhecimento e colaboração, reunindo empresas que competem no mercado, mas encontram no Congresso um espaço de convergência e propósito comum. “A força da entidade está na sua capacidade de transformar ideias em demandas e principalmente em projetos concretos”.
Marcella reforçou que os Operadores Logísticos estão preparados para o novo ciclo e destacou a importância de estabilidade, integração e coordenação entre os diferentes elos públicos e privados. Para ela, mais do que identificar obstáculos, o Congresso evidenciou caminhos para construir uma cadeia de suprimento e abastecimento mais aderente às novas necessidades de quem produz e consome no Brasil.