25/03/2021

Com Big, Carrefour descola de rivais

 Com Big, Carrefour descola de rivais


A surpreendente aquisição do Grupo Big pelo Carrefour por R$ 7,5 bilhões, anunciada ontem e acertada em poucos meses de negociação, é a maior transação já vista no varejo nacional, em valor. Com o Big, o Carrefour passa de R$ 74,9 bilhões em vendas brutas para R$ 100 bilhões, ao ano, com 876 lojas e 137 mil empregados. E descola dos concorrentes.

O Carrefour passa a vender o dobro de Grupo Pão de Açúcar (GPA), que faturou R$ 55,6 bilhões em 2020 - GPA tem cerca de 1,5 mil, incluindo o braço da Colômbia. Carrefour também terá o dobro das vendas transacionadas na plataforma do Mercado Livre, a maior empresa on-line do Brasil.

O negócio faz do grupo francês a segunda maior rede varejista da América Latina. O Walmex, operação do Walmart no México e em mais cinco países latinos, fatura US$ 33,5 bilhões. O Carrefour Brasil, com US$ 16 bilhões, pela primeira vez supera a chilena Falabella (US$ 13 bilhões), calculou o Valor. “Isso é um sinal de que é um bom momento para investir no Brasil, mesmo com todo esse cenário que o mundo atravessa”, disse o presidente do Carrefour Brasil, Noël Prioux.

O Carrefour passa a ter cerca de 24% do varejo alimentar no país, segundo analistas (tinha 16% em 2019) e será mais forte nas regiões Nordeste e Sul, onde o grupo Big atua com as bandeiras Bompreço, BIG e Nacional. No Nordeste, a sua base de lojas aumenta quatro vezes e, no Sul, cinco vezes. Amplia poder de barganha pelo ganho de escala.E reforça a estrutura de logística (são mais 15 centros de distribuição), crucial no modelo digital que depende de entregas rápidas para ser competitivo. Pelos cálculos de consultores, a empresa pode ter antecipado em até dois anos o seu crescimento com a aquisição do Big.

O Sam’s Club, marca do Walmart herdada pelo Big, é uma nova frente de atuação do Carrefour. O clube de compras tem 49 lojas e responde por 25% das vendas do grupo Big.

O Carrefour vai transformar as lojas de atacado Maxxi, do Big, em unidades do Atacadão e parte das lojas BIG e BIG Bompreço para Atacadão ou Sam’s Club. As demais lojas serão convertidas para o hipermercado Carrefour. São 387 lojas do Grupo Big no país.

O comando do Carrefour disse que o Atacadão é mais rentável que o Maxxi. E que o plano é trazer toda a operação do Big para o nível de rentabilidade do Carrefour.

Sobre eventuais fechamentos de pontos de venda, o Carrefour afirmou que isso pode ocorrer em “algumas lojas”, caso o órgão antitruste (Cade) assim determine.

Unindo a operação do grupo Big a seu negócio, a rede francesa estima que deverá ter ganhos e alcançar um ebitda (lucro antes de juros, depreciação e amortização) de R$ 1,7 bilhão, três anos após a conclusão do negócio. A estrutura da operação prevê que o Carrefour Brasil adquirirá ações ordinárias representativas de 70% do capital social do Big por R$ 5,25 bilhões, em dinheiro e, após aprovação de acionistas, haverá a incorporação das ONs restantes (30%).

Cada ação ordinária do Big será substituída por ações do Carrefour Brasil, sendo emitido um total de 116,8 milhões de papéis, que não poderão ser transferidos pelos vendedores por até 6 meses. Assim que for concluída a operação, os acionistas serão diluídos: o Groupe Carrefour (controlador na França) terá 67,7% do Carrefour Brasil (hoje tem 71,6%) e a Península Participações, de Abilio Diniz, terá 7,2% (tem 7,7%). Advent e o Walmart, através de entidades afiliadas, terão juntos 5,6%. O Walmart passa a ter cerca de 1%.

O Carrefour Brasil concordou em realizar um adiantamento de R$ 900 milhões, que será deduzido do montante total. Esses recursos sairão do seu caixa. Para o restante, a rede recorrerá ao caixa e a linhas no mercado local ou no exterior, a depender das condições ofertadas. O Carrefour tinha R$ 5,6 bilhões em caixa ao fim de 2020. O endividamento não deverá ter aumento importante, segundo analistas.

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