23/07/2026

Operadores Logísticos ampliam investimentos para impulsionar a competitividade do Centro-Oeste



Responsável por mais de um terço da produção agrícola brasileira e por um volume crescente de cargas, o Centro-Oeste consolidou-se como uma das principais fronteiras logísticas do País. Ao mesmo tempo em que impulsiona o agronegócio e as exportações, a região expõe os desafios da infraestrutura nacional, com fluxos rodoviários intensos  e demanda por maior integração entre os diferentes modais de transporte. Diante desse cenário, os Operadores Logísticos (OLs) têm ampliado os investimentos para elevar a competitividade regional, com aportes em centros de distribuição e armazenagem, soluções para garantir mais agilidade no transporte de insumos e expansão da movimentação de cargas conteinerizadas, reforçando a multimodalidade como estratégia para reduzir custos, aumentar o desempenho logístico e preparar a operação para os picos de demanda do agronegócio.


A análise integrou o painel "Multimodalidade e Eficiência Logística na região Centro-Oeste", mediado pela diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, durante o Centro-Oeste Export, realizado em Rio Verde (GO), nos dias 23 e 24 de julho. O debate reuniu Marcos Vilela, CEO da Bravo Serviços Logísticos, e Daniel Salcedo, diretor comercial da Brado Logística, ambas com forte atuação na região, com focos em produtos e insumos importantes para o agro, como fertilizantes e defensivos agrícolas. 


De acordo com o prefeito, Wellington Carrijo, que participou da abertura do evento, Rio Verde responde sozinha por quase 30% das exportações de Goiás. Além disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)  aponta que mais de 144 milhões de toneladas foram transportadas pelas rodovias do Centro-Oeste apenas no primeiro semestre deste ano. "Os números reforçam o papel dos OLs como agentes diretos do desenvolvimento da região, ao viabilizar estratégias multimodais que aliviam a pressão sobre as estradas, ampliam a performance e reduzem custos para o produtor", destacou Marcella.


Em sua apresentação, Marcos Vilela detalhou as iniciativas da Bravo, com destaque para o centro de distribuição em Rio Verde, que reúne mais de 44 mil posições-palete e recebeu investimentos de quase R$ 100 milhões desde 2022. Segundo o executivo, o objetivo é aproximar os insumos agrícolas do empreendedor rural do Sudoeste Goiano, garantindo maior capacidade de resposta nos momentos mais críticos da safra e aumentando a produtividade do agro diante dos mercados internacionais.


Vilela também apresentou a operação de lockers criada para agilizar a retirada de matérias primas por produtores, distribuidores e cooperativas. Disponível 24 horas por dia, a solução permite reduzir o prazo de coleta para até quatro horas em algumas situações. A empresa pretende ampliar para 30 pontos desse tipo na macrorregião entre 2026 e 2027.


Salcedo detalhou a atividade da Brado Logística no Mato Grosso, estado onde a companhia mantém um terminal próprio que se destaca como uma de suas principais bases operacionais e estratégicas, e o case desenvolvido em parceria com a Bravo, que integra ferrovia e rodovia entre o Porto de Santos, o terminal de Rondonópolis (MT) e o centro de distribuição da Bravo em Cuiabá.


Os contêineres com insumos importados seguem do complexo santista por ferrovia até o terminal multimodal da Brado em Rondonópolis, são transportados por caminhão até Cuiabá e retornam carregados principalmente com algodão para exportação, otimizando o uso dos equipamentos e aumentando o rendimento da operação. Segundo o diretor, a expectativa é movimentar cerca de 17 mil contêineres de algodão neste ano, com prazo porta a porta de 10 a 11 dias.


O executivo destacou ainda o crescimento das exportações conteinerizadas de DDG (subproduto do etanol de milho utilizado na nutrição animal), que passaram de 23,8 mil para 55,5 mil toneladas anuais, ao lado de uma das suas principais parceiras localizadas em Primavera do Leste (MT). A companhia projeta dobrar as operações voltadas a essa carga em 2026. Durante o debate, os participantes concordaram que o avanço da multimodalidade depende de planejamento, integração entre os diferentes elos da cadeia logística e colaboração entre operadores, clientes e embarcadores para garantir escala, eficiência e competitividade.


Frete mínimo – A medida provisória, recém aprovada, que altera o tabelamento do frete rodoviário mínimo também integrou as discussões. Marcella reiterou que a ABOL não é contrária ao mecanismo, mas defende ajustes para preservar as operações multimodais. Salcedo ressaltou que reconhece a importância do tabelamento do frete mínimo, mas alertou que a nova tabela pode desestimular contratos que combinam ferrovia, rodovia e cabotagem, especialmente nos trechos complementares de first e last mile.


Para ele, é necessário avaliar os impactos da medida sobre a competitividade das soluções que utilizam diferentes modais de forma integrada. Vilela acrescentou que, no geral,  excessos de regulação podem comprometer a competitividade logística brasileira frente aos concorrentes globais, justamente em um momento em que a integração entre modais se mostra cada vez mais estratégica para o crescimento do agronegócio.



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