11/03/2022

Estradas federais terão metade dos recursos necessários para manutenção em 2022

 Estradas federais terão metade dos recursos necessários para manutenção em 2022


As rodovias federais públicas terão, em 2022, menos da metade dos investimentos que necessitam para serviços de manutenção e adequação de trechos. Para que a estrutura dos 50 mil quilômetros de estradas sob gestão pública pudesse, pelo menos, manter a qualidade atual – que já não é boa – seria necessário injetar R$ 12,3 bilhões. O que se prevê até o fim deste ano eleitoral, porém, é que esse montante chegue a, no máximo, R$ 6 bilhões, e isso incluindo incrementos pelo Congresso, já que o Orçamento Federal prevê oficialmente pouco mais de R$ 4,2 bilhões. É o pior cenário dos últimos 17 anos.

A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que analisou o histórico de investimentos públicos e as perspectivas para as estradas federais. Os dados históricos mostram que a demanda por investimentos nas rodovias públicas foi R$ 11,1 bilhões e R$ 12,2 bilhões, nos anos de 2019 e 2020 respectivamente. O valor efetivamente executado, porém, ficou em R$ 7,4 bilhões por ano.

Apesar do encolhimento dos valores destinados para rodovias federais, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, foi lançado pelo governo Bolsonaro como candidato ao governo de São Paulo ancorado na imagem de tocador de obras. O Ministério da Infraestrutura sustenta que a redução não foi uma decisão autônoma da pasta, mas motivada pela contenção de gastos determinada pela área econômica do governo.

Se considerado o que está previsto no Orçamento para 2022, a conclusão é de que os gastos giram em torno de apenas 10% do que foi injetado pelo governo nas estradas federais em 2010, quando receberam o equivalente a R$ 41,3 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.

Rombos no caminho\
O órgão do Ministério da Infraestrutura responsável pela aplicação dos recursos e contratação das obras é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A ordem é se concentrar em manutenção básicas e, apenas em situações extremamente necessárias, partir para duplicações ou construção de contornos, por exemplo.

Em 2020, 58% dos gastos foram direcionados para manutenção, 28% para adequações e 14% para construção efetiva. A atual malha federal administrada pelo Dnit é majoritariamente formada por rodovias de pista simples (94% do total) e apenas 2% da extensão passa por duplicação (746 km), conforme os dados da CNI. Os números do próprio governo mostram que mais de 50% da malha rodoviária federal se encontra em estado “regular”, “ruim” ou “péssimo”.

“É uma situação que requer alternativas, porque estamos falando de logística e de um serviço público essencial. As concessões nunca serão a resposta para tudo, porque nem todos os trechos se sustentam com esse modelo”, diz Matheus de Castro, especialista em infraestrutura da CNI. “Por isso, além de ações no Congresso, é preciso buscar recursos complementares, mais parcerias com instituições como o Banco Mundial, o Banco dos Brics, para financiar esses empreendimentos.”

A CNI acredita que, mesmo Estados com limitações orçamentárias para investimento, poderiam – isoladamente ou com apoio do BNDES ou outras instituições – absorver rodovias federais de “vocação” ou interesse estadual para serem licitadas individualmente ou em blocos, dentro de contratos de manutenção e adequação.

Ministério diz investir na parceria com a iniciativa privada\
A reportagem questionou o Ministério da Infraestrutura sobre a situação pífia dos investimentos. A pasta informou que, entre 2019 e 2021, revitalizou, construiu e duplicou 4,1 mil quilômetros de rodovias federais pelo País. Houve, também, segundo a pasta, cobertura contratual de serviços para mais de 94% da malha sob supervisão estatal.

“Com a redução orçamentária que ocorre nos últimos anos devido à necessidade de ajuste fiscal do país, o governo federal investe na parceria com a iniciativa privada, com um modelo de concessão que garante maciços investimentos e qualidade na prestação dos serviços em infraestrutura de transportes”, declarou o ministério.

Foram concedidas seis rodovias pelo governo, que terão R$ 37,3 bilhões em investimentos privados. “Este valor é equivalente a aproximadamente seis vezes o orçamento do Minfra para realizar obras em todos os setores de transporte”, informou a pasta.



Fonte: Estadão

Notícias Relacionadas
 Alemanha está entre os 5 países com a melhor logística do mundo

31/01/2023

Alemanha está entre os 5 países com a melhor logística do mundo

A Alemanha lidera o ranking de 155 países classificados no Índice de Desempenho Logístico’ (LPI) do Banco Mundial, um relatório publicado recentemente com base em mais de 5.000 avaliaçõe (...)

Leia mais
 Com R$ 18,8 bi para aplicar na infraestrutura de transportes, Brasil recupera capacidade de investimentos

31/01/2023

Com R$ 18,8 bi para aplicar na infraestrutura de transportes, Brasil recupera capacidade de investimentos

Retomar a capacidade de o Governo Federal investir em infraestrutura viária é o principal objetivo para o setor de transportes neste primeiro ano de gestão. A meta foi destacada nesta se (...)

Leia mais
 Sem privatização, governo Lula avalia conceder quatro áreas do Porto de Santos

30/01/2023

Sem privatização, governo Lula avalia conceder quatro áreas do Porto de Santos

Há pelo menos quatro áreas do Porto de Santos que podem ser transferidas para a iniciativa privada sem a privatização da autoridade portuária, hipótese descartada pelo ministro de Portos (...)

Leia mais

© 2023 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.