08/03/2021

Cadeia logística prevê impacto menor em nova onda

 Cadeia logística prevê impacto menor em nova onda


O agravamento da pandemia traz novas incertezas para a cadeia logística no país, mas os efeitos deverão ser muito menores do que aqueles vistos no auge da crise em 2020, segundo empresas do setor.A percepção é que o mercado aprendeu a lidar com a dinâmica cíclica da crise e que não deverão se repetir as turbulências vistas no ano passado, que levaram a um cenário de desabastecimento no país.

A Brasil Terminal Portuário (BTP), um dos maiores operadores de contêineres no porto de Santos, afirma que ainda não houve queda nos pedidos de importações, que inclusive seguem em alta, afirma o presidente da companhia, Ricardo Arten. Como as viagens marítimas são demoradas, há um certo atraso na percepção dos terminais. Ainda assim, o executivo avalia que, se houver retração, será transitória - uma percepção que não existia há um ano, no início da crise.

“Hoje, entendemos a pandemia como uma montanha-russa. Com a nova onda, há incertezas, talvez nos próximos meses tenhamos uma redução nos pedidos. Mas é uma situação que não vai perdurar. Esse foi um aprendizado que tivemos após um ano”, afirma o executivo.

Em 2020, a cadeia de suprimentos sofreu perturbações que levaram ao desabastecimento em diversos setores. Um dos problemas é que as companhias reduziram sua produção e deixaram de renovar estoques, diante da incerteza sobre como a demanda reagiria.

Porém, logo se constatou uma retomada no consumo, inclusive com a disparada na procura por eletrônicos, móveis e outros itens ligados à nova dinâmica de isolamento social. As empresas, porém, não conseguiram reagir a tempo diante desse descompasso entre oferta e demanda, o que levou à falta de algumas matérias-primas e produtos.

Os portos e empresas de navegação acompanharam o movimento de perto: entre março de julho do ano passado, foram canceladas 23 viagens de cargueiros vindos da China ao Brasil - o equivalente a pelo menos cinco semanas sem importações chinesas, segundo dados da Solve Shipping.No entanto, a partir do segundo semestre, com a reação da demanda interna, os pedidos passaram a aumentar intensamente. Desde então, os armadores têm recorrido a navios adicionais para dar conta do volume extra de importações.

“As pessoas deixaram de gastar com serviços, viagens, e passaram a gastar com produtos. Essa tendência deve continuar com a continuidade da pandemia”, afirma Luigi Ferrini, presidente da empresa de navegação Hapag-Lloyd. Por enquanto, a companhia também não sentiu efeitos da nova onda no Brasil e projeta que o fluxo de importações de contêineres seguirá firme nos próximos meses.

Uma diferença significativa entre as restrições atuais e as do início da pandemia é que, agora, as medidas têm um prazo limitado, avalia Cesar Meireles, presidente da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol).

“No início, as medidas de isolamento eram mais duras e não tinham data para acabar. Ainda que a situação seja mais grave atualmente, as janelas de restrição deverão ser menores, e a vacinação traz uma perspectiva. Por isso, não acredito que haverá uma descontinuidade substancial”, afirma Meireles.

Outro fator significativo é a disparada do comércio eletrônico, diz André Prado, da BBM Logística, que faz transporte de carga terrestre. “Já começamos a sentir uma redução no comércio de rua. Por outro lado, desde o ano passado observamos uma forte migração para as vendas on-line. O consumidor se adaptou aos novos canais, o que deu estabilidade”, afirma.

Outra diferença do cenário atual é que não há risco de um “apagão logístico” do país, diferentemente do início da pandemia, quando havia dúvidas sobre a continuidade da operação nos portos e estradas. Hoje, o governo e as empresas conseguiram consolidar o entendimento de que se tratam de atividades essenciais, que não podem parar.

Ainda assim, Prado afirma que, nas últimas duas semanas, começou a constatar entraves decorrentes das novas restrições, principalmente no Sul do país. São problemas ainda pontuais, mas que afetam a operação - por exemplo, a impossibilidade de concluir uma entrega porque o entregador não encontrou a loja aberta ou até mesmo a dificuldade para almoçar na rua.

Para grande parte das empresas do setor, outro grande fator de otimismo e tranquilidade é que as exportações de commodities continuam em franca expansão, independentemente de pandemia. A BTP, por exemplo, teve um aumento de 10% em sua movimentação no ano passado, mesmo com as dificuldades na importação.Outros grupos bastante ligada ao agronegócio, como Hidrovias do Brasil e Rumo, também não veem o atual agravamento da pandemia como uma preocupação para 2021.

Notícias Relacionadas
 CNT realiza pesquisa para avaliar o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul sobre as empresas

24/05/2024

CNT realiza pesquisa para avaliar o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul sobre as empresas

Para que a CNT (Confederação Nacional do Transporte) desenvolva medidas de apoio mais eficazes aos transportadores impactados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, a Confederação está re (...)

Leia mais
 Estudo sobre frotas sustentáveis aponta inovação e investimento sem precedentes em momento de transição energética ativa

24/05/2024

Estudo sobre frotas sustentáveis aponta inovação e investimento sem precedentes em momento de transição energética ativa

Agora em sua quinta edição, o relatório State of Sustainable Fleets 2024, divulgado nesta segunda-feira (20), lança luz sobre um setor que está passando por um momento de transição ativa (...)

Leia mais
 JSL investe em simulador de direção para mais segurança dos motoristas

23/05/2024

JSL investe em simulador de direção para mais segurança dos motoristas

Com foco na segurança e treinamento de sua equipe de motoristas, a JSL, empresa com o maior portfólio de serviços logísticos do país, investiu R$ 2 milhões na aquisição de um simulador d (...)

Leia mais

© 2024 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.