A BBM Logística, um dos maiores operadores integrados de transporte e supply chain da América do Sul, dá início a uma nova fase em sua estratégia de internacionalização. Impulsionada pelo aquecimento do comércio intrazona, aportes na infraestrutura de fronteira e pela aplicação de tecnologia proprietária, a companhia prevê fechar 2026 com um crescimento de 20% no faturamento de sua divisão de transporte rodoviário internacional.
Como marco do plano de adensamento regional, a empresa planeja a abertura de uma filial própria no Paraguai em 2027.A área internacional, que responde atualmente por uma fatia entre 8% e 10% da receita bruta consolidada do grupo, destaca-se por sua alta rentabilidade relativa, tendo gerado cerca de 20% do resultado operacional da BBM em 2025.
A estrutura conta com uma equipe dedicada de 55 profissionais, apoiada principalmente pelo hub logístico de Uruguaiana (RS), pela filial própria na Argentina, por uma representação exclusiva no Uruguai e por parcerias operacionais no Paraguai, Chile, Bolívia e Peru.
“A operação internacional é sustentada por uma equipe altamente especializada em comércio exterior, processos aduaneiros e gestão de risco, capaz de atuar de forma integrada nos diferentes países onde a BBM opera”, afirma Matias Ferrari, Diretor de Transporte Internacional da BBM Logística.
Segundo Ferrari, a BBM Logística decidiu desvincular a atuação da disputa tarifária do valor do frete spot para focar em rentabilidade, previsibilidade e soluções logísticas de alto valor agregado. “O transporte internacional envolve múltiplos agentes — de despachantes a órgãos de fiscalização —, o que exige do operador inteligência de processos para garantir fluidez. Sendo o Brasil o principal parceiro comercial dos países sul-americanos, conseguimos construir fluxos de exportação e importação contínuos e equilibrados”, explica o executivo.
Liderança nos corredores do Mercosul e expansão infraestruturalCom forte presença no Cone Sul, a BBM detém a liderança no segmento de carga fracionada na rota Brasil–Uruguai e figura entre as principais transportadoras no corredor com a Argentina, além de manter operações consolidadas no mercado chileno.
Para absorver a maior demanda por escoamento terrestre na região, a empresa está executando um plano de modernização e ampliação do seu hub logístico em Uruguaiana, ponto focal para a consolidação e despacho aduaneiro de exportação.
Paralelamente ao transporte de bens de consumo, químicos e papel e celulose, a operadora realiza operações com especificações técnicas rigorosas, em cadeias industriais que exigem alto nível de controle operacional e compliance aduaneiro eestuda a entrada futura no segmento de transporte frigorífico internacional, avaliando oportunidades de diversificação em cargas climatizadas e soluções de maior valor agregado para o comércio intrarregional.
Inteligência Artificial aplicada à gestão aduaneira e logística
Um dos pilares da estratégia de diferenciação da divisão é o desenvolvimento de plataformas digitais customizadas para grandes embarcadores industriais. Construídas na fábrica de software interna da BBM com o uso de ferramentas de Inteligência Artificial para acelerar a codificação, as soluções integram exportadores, importadores, despachantes aduaneiros e órgãos anuentes (Receita Federal, Anvisa e Mapa) em um mesmo ambiente de dados em tempo real.
Além de otimizar processos internos, a IA foi desenhada para gerar valor direto ao cliente, oferecendo visibilidade total da cadeia, autonomia para programar entregas e informações acionáveis que reduzem custos, evitam gargalos e aumentam a previsibilidade das operações.
A aplicação de IA também permite antecipar gargalos operacionais, prever riscos em processos de fronteira e otimizar o fluxo de cargas entre Brasil e países vizinhos. “A tecnologia também analisa padrões de movimentação em fronteiras, tempo de permanência em recintos aduaneiros e variações de demanda nas rotas internacionais, permitindo ajustes proativos na programação logística”, diz Ferrari, observando que aIA passou a desempenhar um papel central na automação inteligente de processos, realizando leitura e validação de documentos, cruzamento de informações aduaneiras e identificação automática de inconsistências que poderiam atrasar o fluxo de exportação ou importação.
Outro avanço é a aplicação de IA preditiva para monitorar o comportamento das cadeias de suprimentos, identificando tendências de estoque, variações de consumo nas plantas industriais e necessidades futuras de abastecimento.
“Com isso, a tecnologia deixa de ser apenas um recurso operacional e passa a atuar como um diferencial competitivo, permitindo que o cliente tome decisões mais rápidas, seguras e fundamentadas em dados em tempo real”, ele ressalta. O modelo é exemplificado pelo projeto desenvolvido para o grupo Cartocor/Arcor, na indústria de papel e celulose.
A BBM realiza a coleta mensal de cerca de 6.000 toneladas de papel em unidades fabris brasileiras, faz a gestão do estoque intermediário no hub de Uruguaiana e disponibiliza um portal onde o cliente visualiza o inventário em tempo real. Pela ferramenta, o embarcador solicita o envio fracionado conforme a necessidade de suas oito plantas na Argentina, monitorando desde a liberação alfandegária até os indicadores de nível de serviço (KPIs).
“Desenvolvemos essa plataforma customizada em apenas quatro meses e já temos três cases ativos ou em fase final de implantação na cadeia de papel e celulose. Ao digitalizar a jornada da carga, eliminamos gargalos de comunicação, damos previsibilidade ao cliente e criamos um diferencial competitivo robusto frente ao mercado tradicional”, acrescenta o executivo.
Segundo Ferrari, a IA é justamente o que permite transformar essas plataformas em ambientes vivos, capazes de aprender com o comportamento das operações e melhorar continuamente a experiência do cliente.
Horizonte 2028 e ventos favoráveis no comércio exterior
O planejamento estratégico da área internacional projeta dobrar o faturamento registrado em 2025 até o ano de 2028. Além da abertura da filial no Paraguai e do avanço sobre novas cadeias de suprimentos, o plano contempla a oferta de serviços operacionais domésticos nos países vizinhos, como operações de cross-docking e eventuais fusões e aquisições (M&A) locais a partir de 2027.
“O cenário macroeconômico global tem jogado a favor do transporte rodoviário internacional na América do Sul. As oscilações de custos e a imprevisibilidade do frete marítimo, impulsionadas por gargalos geopolíticos, levaram diversos exportadores e importadores a migrarem suas cargas para a malha terrestre, atraídos por maior agilidade, segurança e previsibilidade operacional.
Além disso, o avanço das negociações do acordo Mercosul–União Europeia e a implementação da Duimp [Declaração Única de Importação] no Brasil trazem um horizonte muito promissor, simplificando trâmites aduaneiros e acelerando o intercâmbio comercial na região”, salienta Ferrari.
Fonte: Bem Paraná