09/05/2022

Comerciantes e consumidores brasileiros sentem efeitos do lockdown em Xangai

 Comerciantes e consumidores brasileiros sentem efeitos do lockdown em Xangai



A Rua 25 de Março traz a China para perto de São Paulo: barracas e prateleiras ocupadas por uma infinidade de produtos importados do país que é a grande fábrica do mundo. Mas, por lá, já se viu mais variedade. Nem tudo que foi encomendado tem sido entregue.


“A gente tem notícias de empresas que receberam os produtos de Páscoa depois da Páscoa. Nós percebemos também que a própria indústria nacional vem tendo dificuldade em receber matéria-prima de fora, e isso também vem acarretando falta de produto acabado aqui no Brasil”, afirma o comerciante Pierre Sarruf.


Essa é só a ponta de um problema muito maior. Nesse mundo globalizado, só se consegue encontrar os produtos nas lojas sem atrasos na entrega, com qualidade e a um custo acessível por causa da chamada “logística global”.


É uma engrenagem complexa, que envolve a fabricação, o estoque e o transporte de produtos pelos quatro cantos do planeta, e que, neste momento, está emperrada, porque o maior porto do mundo em movimentação de carga está travado.


O que falta na 25 de Março pode estar parado no Porto de Xangai, na China. A cidade, capital financeira do país, está em lockdown desde o fim de março. O porto funciona, mas não à plena carga.


“É um porto livre. Chega de tudo, então todas as cadeias de manufaturados, de produtos baratos, de produtos caros, de produtos de carro, de produtos de painéis solares… Tudo pode passar por Xangai” afirma Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shangai e da Fundaçao Dom Cabral.


O professor Rodrigo Zeidan mora em Xangai. Ele conta que o tempo de espera para descarregar um navio no porto chegou a dobrar. Daí, o congestionamento de embarcações.


“Obviamente, a capacidade diminuiu. Isso é um problema porque o mundo está passando por um processo inflacionário no momento. Então, você tem inflação alta na Europa, inflação alta no Brasil, inflação alta nos Estados Unidos. Qualquer problema de cadeia de suprimentos tende a exacerbar a inflação mundial”, diz Zeidan.


É que o custo do transporte está na composição do preço que a gente paga por qualquer produto. A diretora-executiva da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos, Marcella Cunha, explica que quanto menos navio no mar, mais caro fica o frete.


“A boa notícia é que, como solução, algumas empresas aqui no Brasil já estão buscando novos fornecedores fora da China, ainda que sejam na Ásia. Mas esse movimento não é rápido, não é trivial, uma vez que as empresas têm que já escolher um novo parceiro, já estabelecer uma nova relação comercial, um novo contrato. Isso também vai implicar um novo planejamento de fluxo logístico”, destaca.


Foi o que fez um comerciante da 25 de Março. Encontrou uma saída por terra, na nossa vizinhança.


“A gente acabou encontrar um parceiro bastante interessante aqui no Mercosul, que é a Argentina, e estamos trazendo mercadoria por transporte rodoviário. É um processo muito mais dinâmico e a um custo extremamente inferior ao transporte marítimo da China”, conta.


Fonte: Jornal Nacional



Notícias Relacionadas
 ABOL: 14 anos construindo o futuro da logística brasileira

30/07/2026

ABOL: 14 anos construindo o futuro da logística brasileira

Por Marcella Cunha – diretora executiva da ABOLDia 17 julho a Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL) completa 14 anos de atuação. A cada virada de ano (...)

Leia mais
 Escassez de motoristas desafia a logística e acelera investimentos em tecnologia

30/07/2026

Escassez de motoristas desafia a logística e acelera investimentos em tecnologia

A escassez de motoristas qualificados já afeta as operações dos Operadores Logísticos (OLs) associados à ABOL. Levantamento realizado pela entidade mostra que a falta de mão de obra espe (...)

Leia mais
 Congresso ABOL reúne especialistas para debater os rumos da logística brasileira

30/07/2026

Congresso ABOL reúne especialistas para debater os rumos da logística brasileira

Nos dias 13 e 14 de agosto, em Ibiúna (SP), a 10ª edição do Congresso ABOL reunirá líderes do setor, representantes do governo, especialistas e executivos para discutir os principais tem (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.