06/07/2026

CNT apresenta estudo inédito com propostas para destravar as hidrovias

 CNT apresenta estudo inédito com propostas para destravar as hidrovias



Como aproveitar um dos maiores potenciais hidroviários do mundo para tornar o transporte brasileiro mais eficiente, competitivo e sustentável? Essa foi a questão que norteou o estudo inédito Propostas para o Desenvolvimento da Navegação Interior Brasileira, apresentado pela CNT nesta quinta-feira (2), em Brasília. Elaborado pela consultoria Pezco, em parceria com o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o documento reúne um diagnóstico da governança e da regulação da navegação interior e apresenta uma agenda de recomendações técnicas para impulsionar o desenvolvimento das hidrovias brasileiras. 


O estudo foi divulgado durante o workshop Governança e Regulação da Navegação Interior, realizado na sede da CNT, e integra uma etapa do processo de elaboração do documento. O encontro reuniu representantes do governo, da iniciativa privada, da academia e de entidades ligadas ao transporte aquaviário para discutir as propostas e apresentar contribuições que serão avaliadas pela equipe técnica para aperfeiçoar o estudo.


Na abertura do evento, o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, destacou que o fortalecimento das hidrovias está diretamente relacionado à necessidade de tornar a matriz de transportes brasileira mais equilibrada e eficiente. “Não podemos continuar com uma matriz em que cerca de dois terços das cargas são transportados por caminhões e mais de 90% dos passageiros dependem do transporte rodoviário.


Precisamos desenvolver outros modais, e a navegação interior é um deles”, pontuou.Segundo Valter Souza, a CNT entende que a logística deve ser tratada como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo e participação conjunta dos diferentes atores envolvidos. “A logística é um projeto de Estado, não um projeto de governo. Mudar a matriz de transporte exige continuidade, planejamento e união entre todos os envolvidos.


O Brasil tem um enorme potencial para desenvolver a navegação interior, e qualquer iniciativa que contribua para esse objetivo precisa ser construída de forma conjunta”, acrescentou.O secretário adjunto de Competitividade e Política Regulatória do MDIC, Leonardo Ferreira de Oliveira, lembrou que o trabalho teve início em 2024, a partir da identificação da necessidade de aprofundar o debate sobre a governança da navegação interior. “Essa iniciativa não representa um ponto de chegada, mas um ponto de partida.


É uma agenda que sinaliza os temas em que precisamos avançar como sociedade, seja por meio de aperfeiçoamentos regulatórios e mudanças legais, seja por meio de ações coordenadas entre governo e setor produtivo.”O secretário nacional de Hidrovias e Navegação do MPor, Otto Burlier, afirmou que o Brasil ainda utiliza muito pouco seu potencial hidroviário e que o desenvolvimento do modal é urgente. “É inadmissível um país com cerca de 20 mil quilômetros de rios naturalmente navegáveis, e potencial para chegar a 40 mil ou até 60 mil quilômetros, utilizar apenas cerca de 5% da sua matriz logística por hidrovias e 11% por cabotagem. Precisamos enfrentar esse atraso histórico”, defendeu. 


A secretária executiva do MPor, Thairyne Oliveira, destacou que a criação da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação demonstra a prioridade dada pelo governo ao tema, mas observou que o país ainda enfrenta desafios estruturais, regulatórios, ambientais e de comunicação. “Sabemos que não há como imaginar o avanço da infraestrutura brasileira sem considerar as hidrovias. O que precisamos agora é definir uma estratégia, estabelecer prioridades e uma agenda clara para enfrentar esses desafios.


O estudo representa uma oportunidade para transformar diagnósticos em uma estratégia concreta de implementação”, disse. Responsável pela apresentação técnica do estudo, o economista Frederico Turolla, da Pezco Economics, explicou que as propostas foram estruturadas para fortalecer a inserção das hidrovias no planejamento logístico nacional e enfrentar os principais gargalos identificados durante o diagnóstico. Segundo ele, organizadas em ações de curto, médio e longo prazo, as recomendações buscam aperfeiçoar a governança, a infraestrutura, a regulação, a formação de mão de obra e os mecanismos de financiamento.


“O estudo não se limita a identificar problemas. Ele apresenta uma agenda estruturada de transformação para que as hidrovias passem a ser consideradas, de forma efetiva, como alternativa modal no planejamento logístico brasileiro”, garantiu.Uma agenda para fortalecer a navegação interiorO estudo parte do reconhecimento de que o Brasil possui uma das maiores redes hidrográficas do mundo, mas ainda aproveita de forma limitada esse potencial para o transporte de cargas e passageiros. A proposta busca posicionar as hidrovias como elemento estratégico para ampliar a competitividade da economia brasileira, reduzir custos logísticos, promover o desenvolvimento regional, integrar diferentes modais de transporte e contribuir para uma logística mais sustentável. 


Para isso, o documento apresenta um diagnóstico detalhado da estrutura de governança da navegação interior brasileira, identifica os principais gargalos do setor e propõe uma agenda de transformação organizada em ações de curto prazo (até quatro anos), médio prazo (entre quatro e doze anos) e longo prazo (entre doze e vinte anos), com horizonte estratégico até 2046. A elaboração do estudo envolveu revisão bibliográfica, análise do marco legal e regulatório, mais de 60 entrevistas com representantes do poder público, operadores, empresas, entidades setoriais e especialistas.


Envolveu, também, a realização de missões técnicas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa para conhecer experiências internacionais de gestão da navegação interior. Entre os principais desafios identificados para o transporte de cargas, estão a baixa percepção estratégica das hidrovias, a fragmentação da governança, a insegurança regulatória, o planejamento insuficiente da infraestrutura, o déficit de mão de obra especializada, a insegurança patrimonial e as limitações de financiamento. 


Para a navegação de passageiros, o estudo aponta a ausência de dados estruturados e a elevada informalidade do setor, além da deficiência de infraestrutura de terminais e atracadouros e da dificuldade de acesso a mecanismos de financiamento. Agenda de transformaçãoO estudo propõe uma agenda de transformação voltada ao fortalecimento da navegação interior brasileira, com medidas para aperfeiçoar a governança e a regulação do setor, ampliar os investimentos em infraestrutura, aumentar a eficiência logística, reduzir entraves burocráticos, fortalecer a segurança, qualificar a mão de obra e criar um ambiente mais favorável à participação da iniciativa privada e ao financiamento de novos projetos. 


Para alcançar esses objetivos, o documento apresenta recomendações, como: a criação de uma instância nacional de coordenação da política para hidrovias; a elaboração de um plano setorial para o modal; o fortalecimento dos programas de dragagem e manutenção das vias navegáveis;a implantação de um programa permanente de eclusas; ea estruturação de novos mecanismos de financiamento e concessões hidroviárias.São apresentadas, ainda, propostas voltadas ao transporte de passageiros, incluindo a regularização da operação, a modernização dos processos de outorga, a revitalização de terminais e o incentivo ao financiamento de embarcações. As contribuições apresentadas durante o workshop serão agora analisadas pela equipe responsável pelo projeto.


A expectativa é que as sugestões dos participantes ajudem a aperfeiçoar as recomendações e subsidiem a elaboração do relatório final, que reunirá as propostas consideradas prioritárias para o desenvolvimento da navegação interior no Brasil. O material será entregue ao Ministério de Portos e Aeroportos para buscar as melhores medidas na construção de uma política de Estado.


Fonte: Agência CNT



Notícias Relacionadas
 Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos chineses, aponta DHL

03/07/2026

Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos chineses, aponta DHL

A demanda por compras internacionais segue em alta no Brasil. De acordo com dados do DHL E-Commerce Trends Report 2026, produzido pela empresa de logística DHL com base nas respostas de (...)

Leia mais
 CMA CGM anuncia aquisição da FedEx Supply Chain por US$ 1,4 bilhão

02/07/2026

CMA CGM anuncia aquisição da FedEx Supply Chain por US$ 1,4 bilhão

O CMA CGM Group anunciou um acordo para adquirir a FedEx Supply Chain, subsidiária da FedEx Corp., em uma transação avaliada em US$ 1,4 bilhão. A operação, que ainda depende de aprovaçõe (...)

Leia mais
 Plano Safra de R$ 525 bilhões deve ampliar movimentação de cargas em portos e hidrovias nacionais

02/07/2026

Plano Safra de R$ 525 bilhões deve ampliar movimentação de cargas em portos e hidrovias nacionais

O volume recorde de recursos do Plano Safra 2026/2027, lançado nesta terça-feira (30) pelo Governo do Brasil, amplia as perspectivas de crescimento da produção agropecuária e reforça a i (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.