A demanda por compras internacionais segue em alta no Brasil. De acordo com dados do DHL E-Commerce Trends Report 2026, produzido pela empresa de logística DHL com base nas respostas de 1.000 brasileiros, os principais países de origem dos produtos adquiridos pelos brasileiros são China (82%), Estados Unidos (56%) e Argentina (11%).
Os números reforçam a posição do Brasil como o terceiro maior mercado consumidor de produtos chineses, atrás apenas da Tailândia (95%) e da Malásia (87%). Esse comportamento, revela o levantamento, é impulsionado principalmente pelos preços mais competitivos (62%) e pela baixa disponibilidade de determinados produtos no mercado nacional (42%).
Mas a compra internacional tem obstáculos, sendo os principais taxas e impostos alfandegários (58%) e custos de entrega e prazos longos (47%), que geram desafios operacionais que prejudicam a jornada de compra. Para se ter uma ideia, nos últimos três meses, 79% dos consumidores entrevistados abandonaram itens nos carrinhos.
Quando perguntados sobre as perspectivas para os próximos cinco anos, eles afirmaram que comprariam mais do exterior se os varejistas oferecessem entrega gratuita (65%), mais clareza em relação aos prazos de entrega (58%) e garantissem pagamentos seguros e proteção ao comprador (54%).
O poder de venda do Tik Tok
O relatório também evidencia a força do social commerce, sobretudo do Tik Tok. Sessenta e nove por cento dos respondentes disseram que já adquiriram produtos por essa rede social, o que coloca o Brasil como o quarto maior mercado de compras no TikTok do mundo, atrás apenas de Malásia, Arábia Saudita e Reino Unido.
Dentre os que compraram por meio do app chinês, 77% são da Geração Z; 68%, Millennials; 63%, Geração X, e 61%, Baby Boomers.
Englobando as redes sociais como um todo, ofertas e descontos são o principal fator de compra, aparecendo em 71% das respostas, mas com espaço para crescer, uma vez que 53% dos brasileiros esperam navegar e comprar mais por aplicativos nos próximos cinco anos.
“O Brasil se destaca pela poderosa combinação de comportamento orientado à conveniência e rápida adoção digital. Do crescimento do social commerce à demanda cross‑border, os consumidores brasileiros estão moldando o futuro do varejo online em toda a América Latina”, aponta Pablo Ciano, CEO Global da DHL eCommerce.
Inteligência artificial
Os consumidores brasileiros também se mostram abertos à recursos de inteligência artificial, mas desde que aumentem confiança, segurança e transparência.
As capacidades da tecnologia mais desejadas para os próximos cinco anos são detecção de fraudes (61%), informações de sustentabilidade para apoiar decisões eco-friendly (59%), reposição automática de produtos que o cliente possa gostar, esteja acabando ou tenha assinatura (59%) e previsão de tendências e necessidades futuras (58%).
Apesar do interesse, 65% ainda têm preocupações com privacidade, confiança e segurança. “Aqueles que fecharem essas lacunas estarão mais bem posicionados para capturar crescimento em um dos mercados de e-commerce mais dinâmicos e digitalmente engajados da América Latina”, completa Ciano.
Fonte: Época Negócios | Crédito da imagem: Pexels