11/12/2020

O momento atual e os Operadores Logísticos

 O momento atual e os Operadores Logísticos


Paulo Roberto Guedes - Conselheiro Consultivo da ABOL

Todos os cenários desenhados para os próximos dois ou três anos, principalmente para o Brasil, são de situação bastante difícil. É sabido que os erros cometidos pelos nossos governos, inclusive o atual, tem complicado ainda mais a situação. Com a pandemia, as expectativas negativas são ainda maiores. Se a exagerada insistência em um modelo econômico que se baseou somente no consumo das famílias e nos inócuos incentivos para a indústria não deu o resultado esperado, mostrando-se inadequado e defasado enquanto política econômica voltada ao crescimento, as políticas (?) atuais – mesmo antes da pandemia – se mostraram equivocadas. Aliás, como tenho aqui neste espaço comentado.

Sem qualquer tendência ao “terrorismo”, a conclusão é a de que os problemas vividos pelo Brasil atualmente (políticos, sociais, econômicos, ambientais, morais e éticos) são muito maiores e mais complicados do que se admite ou se percebe. E o ‘negacionismo’ que impera no governo federal, além de não ajudar, complica. As possibilidades de entrarmos em recessão com inflação e desemprego são enormes. E ainda temos a pandemia sem uma diretriz geral. Momento difícil para todos!

Consequentemente, a grande maioria das empresas brasileiras, com as exceções de sempre, encontrará sérias dificuldades para colocar seus planos de negócios em bons termos, não sendo à toa que todas elas busquem, inicialmente, resolver os problemas voltados à própria sobrevivência. 

E é neste momento complicado que surgem grandes oportunidades para os operadores logísticos, pois os objetivos empresariais buscados exigem, entre outras providências, a melhoria no atendimento a clientes, suas cadeias de suprimentos e seus processos operacionais. Pesquisas em todo o mundo tem demonstrado que a terceirização das atividades logísticas tem sido um dos principais caminhos para que essas providências sejam alcançadas com eficácia.\
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Como se sabe, o operador logístico atual exerce papel de importância estratégica, possibilitando que os tomadores de serviços logísticos alcancem novos mercados, satisfaçam cada vez mais seus clientes e colaborem efetivamente para a realização de novos negócios. Em resumo, operações logísticas eficazes aumentam o faturamento e diminuem os custos de movimentação de pessoas e mercadorias. Portanto, aumento de produtividade, imprescindível neste momento de altíssimos níveis de competição.\
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Isto é o que tenho chamado de “importância estratégica da logística”, pois que, além de ser um vigoroso meio para redução de custos, colabora e facilita a realização dos negócios empresariais.

Mas em qualquer circunstância, para terceirizações já implantadas ou a implantar, é necessário que se revejam as relações entre usuários e prestadores de serviços, pois é fundamental adaptar-se aos novos momentos e compreender as necessidades e exigências dos clientes. Se já era importante a realização periódica de avaliações de performance e ajustes contratuais, agora tornou-se fundamental a reavaliação dos contratos vigentes e, principalmente, das premissas consideradas à época da contratação. Nesta época de pandemia, muitas ‘cadeias de abastecimento’ foram quebradas ou alteradas de forma importante. Consequentemente, configuram-se como imprescindíveis algumas providências, tais como:

•Estabelecer planos de proteção à saúde efetivos, de forma a garantir segurança aos empregados, clientes e fornecedores;

•Redefinir, claramente, escopo e obrigações de cada uma das partes;

•Propor soluções logísticas com maior resiliência;

•Reescrever fluxos operacionais de forma clara e que reflitam o novo momento operacional, bem como os aspectos estruturais relevantes;

•Especificar os novos níveis de serviço, de segurança, de indicadores de desempenho e de relatórios de acompanhamento exigidos;

•Estabelecer, sempre, programas de melhoria contínua, planos de contingência e de ganhos de produtividade;

•Estabelecer processos de auditorias constantes e periódicas;

Caberá ainda aos operadores logísticos, uma vez que os desenhos logísticos tendem a ser mais personalizados e específicos para cada cliente, produto ou região, em mercados (consumidores ou fornecedores) cada vez mais complexos, entender que os desenhos das cadeias de abastecimento ou das redes logísticas, além de alto desempenho precisam ter maior resiliência, pois ali estarão incorporadas todas as decisões estratégicas e táticas do cliente. 

Algumas limitações, entretanto, precisarão ser reconhecidas e administradas, tanto por operadores quanto pelos tomadores de serviços: (i) entender o que está ou não está sob seu controle; (ii) considerar o que não se sabe; (iii) entender as diferenças culturais entre as empresas; (iv) antecipar riscos e as resistências às mudanças; (v) solucionar os problemas do cliente, e não somente aqueles identificados através de sua percepção.

Neste cenário, os operadores logísticos que quiserem ocupar espaços maiores terão, sem dúvida, que compreender as novas exigências, o novo momento e, mais do que nunca, os possíveis e eventuais impactos gerados pela pandemia, muitos dos quais ainda não se conhecem com a profundidade requerida.

Como comentado em artigo anterior (“A vida de todas as pessoas interessa a todos”, publicado aqui neste site dia 25 pp), se atualmente já se fala em “capitalismo consciente”, em empresas ESG (“Enviromment, Social e Governance”) e empresas praticantes de medidas explícitas de combate ao racismo e à violência, parece ter chegado o momento para que também os operadores logísticos comecem a se posicionar a respeito desses temas. Até para aumentarem suas possibilidades comerciais ou atraírem novos investidores. Como escrevi, dado o ‘negacionismo’ atual, “urge uma resposta sistemática e institucional (a esses assuntos), de tal forma que o tema faça parte da gestão empresarial, não como moda ou algo que venha para resolver um problema circunstancial, mas de uma nova postura, na qual é preciso ficar claro que “a vida de todas as pessoas interessa a todos”.

Está óbvio que na medida em que as empresas usuárias de serviços logísticos, quase que de forma obrigatória, buscam a melhoria significativa no atendimento aos seus clientes e às suas cadeias de abastecimento, novos espaços e oportunidades vão sendo criados para os operadores. Mas é preciso estar preparado para bem aproveitá-las.

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