30/07/2026

Escassez de motoristas desafia a logística e acelera investimentos em tecnologia

 Escassez de motoristas desafia a logística e acelera investimentos em tecnologia



A escassez de motoristas qualificados já afeta as operações dos Operadores Logísticos (OLs) associados à ABOL. Levantamento realizado pela entidade mostra que a falta de mão de obra especializada (88,9%) e a baixa atratividade da profissão (66,7%) são hoje os principais desafios para ampliar ou manter o quadro de profissionais. No mês do Dia do Motorista, celebrado em 25 de julho, a pesquisa reforça a necessidade de ações voltadas à valorização da carreira e à formação de novos profissionais.


Os reflexos já são sentidos pelas empresas. Para 66,7% dos filiados, a escassez impacta moderadamente as operações, enquanto 22,2% relatam efeitos significativos. Entre as principais consequências estão o maior tempo para preenchimento de vagas (77,8%), o aumento dos custos operacionais (66,7%) e dificuldades para atender à demanda e manter a capacidade operacional (44,4%).


Segundo a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, a falta de motoristas representa um desafio estratégico para toda a cadeia. "A logística presta um serviço essencial para a economia e não pode parar. Precisamos renovar essa força de trabalho, ampliar a multimodalidade e investir em soluções tecnológicas que aumentem a eficiência sem abrir mão da valorização dos profissionais", afirma.


A pesquisa mostra que a tecnologia vem sendo adotada como aliada para enfrentar esse cenário. Nos próximos dois anos, a prioridade dos Operadores Logísticos será ampliar investimentos em sistemas de roteirização e otimização de viagens, telemetria, monitoramento de frotas, Inteligência Artificial e automação de processos. Para a entidade, essas ferramentas contribuem para elevar a produtividade e apoiar a tomada de decisão, mas não substituem o papel dos motoristas.


Outro ponto destacado pelo levantamento é a importância do bem-estar dos profissionais. Mais da metade dos associados acredita que a saúde física e mental influencia a permanência na atividade, enquanto a melhoria da infraestrutura dos pontos de parada e descanso aparece como a principal iniciativa para tornar a profissão mais atrativa.


Para Marcella Cunha, tornar a carreira de motorista mais valorizada exige a atuação conjunta do setor privado e do poder público. "É preciso investir continuamente em capacitação, melhores condições de trabalho, benefícios e desenvolvimento profissional. A competitividade da logística depende da combinação entre tecnologia, infraestrutura e pessoas qualificadas", conclui.



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