O Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) registra um crescimento contínuo da participação feminina nos últimos anos. Dados do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), por meio do “Índice de Equidade de Gênero”, indicam que a presença de mulheres nas empresas do setor passou de 15% em 2023 para 26% em 2024.
O levantamento aponta que 44% das empresas adotaram estratégias de recrutamento para ampliar a contratação de mulheres. Iniciativas como o movimento Vez & Voz, criado pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), têm desempenhado papel relevante no incentivo à inclusão e conscientização sobre a diversidade no setor.
Ana Jarrouge, presidente executiva do SETCESP, avalia que esse crescimento reflete uma mudança cultural e o impacto de ações voltadas para a valorização da diversidade. “Os números têm mostrado avanços, ainda que em um ritmo mais lento do que gostaríamos. Pequenas ações já demonstraram que podem trazer resultados positivos, e isso vai mexendo com a cultura das organizações. É um processo lento, mas estamos fazendo com qualidade, critérios, ética e responsabilidade social, garantindo uma verdadeira transformação do setor”, afirma.
A diversidade no TRC também influencia a gestão e o desempenho operacional das empresas. Joyce Bessa, diretora da TransJordano, destaca que a inclusão feminina contribui para inovação e aprimoramento das práticas de gestão. “A diversidade de perspectivas enriquece a tomada de decisões e melhora a eficiência operacional. Homens e mulheres têm formas distintas de pensar e abordar desafios, e essa pluralidade de ideias contribui para soluções mais inovadoras e assertivas.”
Além do impacto na gestão, a presença feminina em cargos estratégicos também tem efeito motivacional para outras profissionais. A TransJordano criou o projeto Jordanetes, voltado para estimular a participação feminina, fortalecer redes de apoio entre as colaboradoras e promover o desenvolvimento profissional dentro da empresa.
Para Ludymila Mahnic, COO da Mahnic Operadora Logística, a visibilidade e o suporte às profissionais são fatores decisivos para ampliar a inclusão no setor. “A forma como é colocado que a mulher pode, sim, trabalhar no Transporte Rodoviário de Cargas faz toda a diferença. Nós, que já temos uma trajetória consolidada, nos tornamos referências e incentivamos outras mulheres a buscar oportunidades na área logística.”
Segundo Mahnic, a presença feminina no setor contribui para um ambiente de trabalho mais equilibrado, com impactos positivos na dinâmica organizacional. “A inclusão traz mudanças positivas, proporcionando mais empatia e equilíbrio nas tomadas de decisão.”
O crescimento da participação feminina no TRC indica uma tendência de longo prazo, com impactos tanto na estrutura do setor quanto na competitividade das empresas. A ampliação da diversidade não apenas abre novas oportunidades para futuras gerações, mas também fortalece o mercado ao incorporar diferentes perspectivas e habilidades. “O futuro do TRC passa pela inclusão, e as mulheres têm um papel essencial nessa evolução”, conclui Joyce Bessa.
Fonte: Tecnologística