24/02/2021

Oscilações de preços no curto prazo afetam gestão de frete

 Oscilações de preços no curto prazo afetam gestão de frete


A cada ameaça de greve dos caminhoneiros, o debate sobre o frete rodoviário se intensifica, e dois tipos de queixas ficam mais evidentes: de um lado, empresas do agronegócio e produtores rurais sempre reclamam dos custos e esperam que eles caiam conforme avançam os investimentos em logística; de outro, motoristas e transportadoras afirmam que sua sua lucratividade tem sido massacrada pela alta dos preços dos combustíveis e da inflação. Em um estudo que acaba de ser finalizado, o Grupo de Extensão e Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (EsalqLog/USP) concluiu: os dois lados têm razão.

Os pesquisadores avaliaram dados sobre custo de frete rodoviário que cobrem mais de duas décadas. Em linhas gerais, o levantamento mostra que o preço real do frete de granéis agrícolas se mantém ligeiramente estável em intervalos de 36 meses. No entanto, a diferença entre preços mínimos e máximos chega a 40%.

Em dezembro de 2010, por exemplo, a média móvel dos preços efetivos de fretes era R$ 179,29 por tonelada. Dez anos depois, o valor passou a R$ 174,37 - o valor indicado na tabela mínima de frete rodoviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) era de R$ 120,68 a tonelada em dezembro do ano passado.

“Em termos reais, desde 2006, os níveis de preços têm se mantido ligeiramente estáveis e com certos padrões sazonais, de aumento significativo em época de colheita e queda acentuada na entressafra”, afirma Thiago Péra, coordenador do EsalqLog/USP.

As grandes diferenças de preço ao longo de um ano - a volatilidade anual média fica em torno de 25%, segundo o estudo - dificultam qualquer gestão eficiente dos custos de escoamento da produção. “É muito difícil trabalhar com tantos altos e baixos. Deve-se fixar o preço em contrato? Fazer spot?”, questiona Péra. As oscilações ocorrem principalmente quando há eventos extremos e não esperados, como paralisações em infraestrutura, mudanças regulatórias e legislativas, filas, quebras de safra e recordes de safra, afirma.

Em outro comparativo, em 2012, houve uma forte alta nos preços dos fretes em decorrência da Lei 12.619 (jornada do motorista) e da explosão de produção do milho safrinha (colheita de inverno). Anos depois, em 2016, os preços caíram acentuadamente no segundo semestre em função da quebra do milho safrinha.

O grupo avaliou indicadores de preços de fretes de granéis sólidos agrícolas, especificamente para uma faixa de distância de mil quilômetros no Brasil, em reais por tonelada. Os valores foram corrigidos pela inflação (IGP-M de dezembro de 2020).

Segundo Péra, apesar do grande aumento na produção de grãos, os fretes efetivos ficaram estáveis em função da crescente oferta de caminhões e do crescimento da capacidade de ferrovias e hidrovias. “Sem os investimentos dos últimos anos em logística, os valores seriam muito mais altos”, diz.

Notícias Relacionadas
 Brado Logística realiza operação com trens “double stack” movimenta 468,8 mil/t no 1S26

23/10/2026

Brado Logística realiza operação com trens “double stack” movimenta 468,8 mil/t no 1S26

A operação de trens com dois contêineres empilhados, conhecida como “double stack” movimentou 468,8 mil toneladas de produtos pela Brado Logística no primeiro semestre de 2026 (...)

Leia mais
 Vacância de condomínios logísticos cai a 4,2% e absorção atinge recorde no Brasil

22/10/2026

Vacância de condomínios logísticos cai a 4,2% e absorção atinge recorde no Brasil

Inventário nacional chega a 33,6 milhões de m², enquanto novas entregas avançam 60% no terceiro trimestre e e-commerce responde por seis das dez maiores locaçõesA (...)

Leia mais
 Na JSL, a ordem é reduzir a dívida e gerar caixa

21/10/2026

Na JSL, a ordem é reduzir a dívida e gerar caixa

Sob o comando de Guilherme Sampaio, a companhia foca no controle da dívida, fortalece a geração de caixa e avança na intralogística para ampliar a presença nos clientes< (...)

Leia mais

© 2026 ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos. CNPJ 17.298.060/0001-35

Desenvolvido por: KBR TEC

|

Comunicação: Conteúdo Empresarial

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.