20/04/2021

"Oferta bilionária de ações da Renner tem um claro alvo: a compra da Dafiti"

 "Oferta bilionária de ações da Renner tem um claro alvo: a compra da Dafiti"


Em meio à oferta de ações que poderá lhe render até R$ 6,5 bilhões, a varejista Renner já tem um alvo claro: o e-commerce de moda Dafiti, que tem um valor estimado no mercado de R$ 10 bilhões, segundo apurou o Estadão. O foco da Renner com o movimento, o mais ousado de sua história, ajudará a companhia a se posicionar no novo mercado de moda, que tem acelerado sua migração para o mundo digital com a pandemia de covid-19.

Se a aquisição avançar, a Renner conseguirá dar um novo salto, colocando-se de vez entre as maiores empresas do varejo de moda online no País. Na B3, a Renner tem um valor de mercado de R$ 36 bilhões, com valorização de 13% em um ano.

Por conta do preço estimado da Dafiti, a leitura é de que a transação envolverá, além do dinheiro, troca de ações. A empresa atua, além do Brasil, na Argentina, na Colômbia e no Chile. A Dafiti prevê faturar R$ 3 bilhões em 2021.

A Renner não é a primeira empresa a buscar uma operação online de moda para alavancar seu negócio. Em 2019, o Magazine Luiza e a Centauro disputaram palmo a palmo a compra da Netshoes, um negócio que enfrentava dificuldades, mas tinha a vantagem de ter forte presença digital. No fim das contas, o Magalu levou a melhor, mas, diante do leilão, teve de pagar quase o dobro do que originalmente havia oferecido.
A Netshoes, no entanto, foi uma importante âncora da diversificação do Magazine Luiza, que fez nada menos de 17 aquisições em menos de 18 meses, comprando negócios que vão desde o site de livros Estante Virtual, passando por fintechs, empresas de logística, de propaganda digital e até de conteúdo.

Agora, a Dafiti pode fazer o mesmo pela Renner: ser o pontapé inicial de uma virada no negócio da varejista de moda, que está buscando uma estratégia de diversificação. Uma fonte do mercado financeiro definiu a questão de forma direta: “A Renner quer ser a Magalu da moda.”

Fontes de mercado chegaram a considerar que um dos alvos da Renner poderia ser uma concorrente direta, como a C&A ou a Marisa – a primeira sofre com o desinteresse de seus sócios holandeses em continuar no Brasil, enquanto a segunda enfrenta um cenário difícil há vários anos, pontuam fontes do setor.

No entanto, ir atrás de uma C&A, por exemplo, poderia significar uma dor de cabeça com órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). E, ao contrário da Dafiti, a C&A também não traria a camada de diversificação que a Dafiti adicionaria para a Renner.

Mercado de moda em ebulição
O movimento da Renner para se capitalizar e ganhar musculatura para uma grande aquisição ocorre em um momento de grande agitação do setor de moda do País, com empresas que se saíram melhor na crise sanitária, por terem a vertente digital de seus negócios mais madura, partindo para a consolidação desse mercado.

A Arezzo, por exemplo, tenta adquirir a tradicional Cia Hering. Outra que tem se movimentado é o Grupo Soma, dona de marcas como a Animale e Farm, e que neste momento negocia a compra da Shoulder. De maneira geral, a situação do setor é ruim, por causa do fechamento das lojas por causa da pandemia de covid-19 – o que gera oportunidades para os grupos em melhores situação financeira comprarem ativos por preços mais baixos.

A Renner não quis comentar a questão da aquisição da Dafiti. Porém, ao confirmar sua oferta de ações, informou ao mercado que utilizará os recursos a serem captados para o desenvolvimento e fortalecimento de seu ecossistema de moda e lifestyle por meio de expansão de projetos internos e aquisições, além da continuidade na digitalização e no desenvolvimento de ‘omnichannel’ (uso de vários canais de venda).

Além disso, citou a construção de um novo centro de distribuição, expansão das lojas físicas, ampliação de serviços financeiros e flexibilidade para realizar investimentos. O Itaú BBA coordena a oferta juntamente com o BTG Pactual, JPMorgan, Morgan Stanley e Santander.

Procurada pela reportagem, a Dafiti afirmou que não comenta especulações de mercado.

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