O transporte rodoviário de cargas continua sendo o principal pilar da logística brasileira, respondendo por 68,5% da movimentação de mercadorias em Tonelada-Quilômetro (TKU) e por 84,3% em Valor-Quilômetro (VKU). Os dados fazem parte do Panorama de Transporte Rodoviário de Cargas, publicação do Observatório Nacional de Transporte e Logística da Infra S.A. que reforça o papel estratégico do modal para o escoamento da produção nacional e para a integração econômica entre as regiões do país.
O levantamento, publicado esta semana, traça um panorama atualizado da infraestrutura, da frota, do mercado de trabalho e dos desafios regulatórios do setor. Atualmente, o Brasil conta com mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias em operação. Desse total, cerca de 31 mil quilômetros estão sob regime de concessão, concentrando investimentos, monitoramento e padrões operacionais mais elevados nos principais corredores econômicos.
Segundo o Plano Nacional de Logística (PNL 2050), a movimentação de cargas segue diretamente associada à especialização produtiva das regiões brasileiras. Os granéis agrícolas, especialmente soja e milho, sustentam importantes corredores de exportação em direção ao Arco Norte e aos portos das regiões Sul e Sudeste.
Já a carga conteinerizada reforça a posição estratégica do Porto de Santos como principal hub logístico do país. Os fluxos de carga geral não conteinerizados permanecem concentrados nas áreas mais industrializadas, enquanto os granéis minerais mantêm corredores consolidados entre Minas Gerais e os terminais portuários do Rio de Janeiro.
Mercado de combustíveis, frota e trabalho
A predominância do transporte rodoviário também se reflete no consumo energético. Em 2025, a demanda por óleo diesel aproximou-se de 70 milhões de metros cúbicos, consolidando o combustível como a principal fonte de energia utilizada na movimentação de cargas do país.
A composição da frota nacional indica diferenças estruturais entre os segmentos do transporte. Enquanto as Empresas de Transporte de Cargas (ETCs), responsáveis por dois terços dos veículos registrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), operam com idade média inferior a dez anos, os Transportadores Autônomos de Cargas (TACs) mantêm veículos significativamente mais antigos, com média superior a 23 anos. Esse contraste revela desafios relacionados à produtividade, à eficiência energética e à renovação tecnológica do setor.
No mercado de trabalho, o transporte rodoviário encerrou 2025 com saldo positivo de mais de 46 mil empregos formais, embora ainda apresente forte sazonalidade nas contratações. O perfil da mão de obra permanece concentrado em trabalhadores do sexo masculino, com mais de 40 anos e ensino médio completo, refletindo características históricas da atividade.
Ao longo do ano, também avançaram iniciativas voltadas à profissionalização e à segurança operacional. Entre elas estão a ampliação dos Pontos de Parada e Descanso (PPDs), a consolidação do novo modelo de seguros obrigatórios e a expansão do sistema de pedágio eletrônico free flow.
Sinistralidade e sustentabilidade
A sinistralidade continua sendo um dos principais desafios do transporte rodoviário de cargas. Em 2025, os veículos de carga estavam envolvidos em 26,06% dos sinistros registrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O comportamento dos condutores foi apontado como a principal causa das ocorrências. O custo total desses eventos alcançou R$5,9 bilhões no ano, acumulando perdas de R$44,4 bilhões desde 2017.
Na área ambiental, o Índice de Desempenho Ambiental (IDA) da ANTT aponta que a maioria das concessionárias federais alcançou a faixa de excelência, classificada como Classe A.
O Programa MelhorAR também ganha relevância em um contexto no qual o setor de transportes responde por entre 36% e 38% da demanda energética nacional. Desse total, as operações rodoviárias representam 82,15% do consumo, posicionando o óleo diesel como a principal fonte de energia utilizada e, consequentemente, como o maior vetor de emissões de dióxido de carbono equivalente do segmento.
Sobre o programa
Panorama de Transporte Rodoviário de Cargas, está disponível no portal do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), e reúne indicadores estatísticos que auxiliam o acompanhamento e o planejamento do setor.
O material aborda temas como infraestrutura viária, concessões, dinâmicas de frete e fluxos dos principais corredores logísticos, além de apresentar o perfil sociodemográfico dos motoristas e os índices de sinistralidade.
O levantamento contribui para identificar desafios operacionais e regulatórios, oferecendo subsídios para investimentos, tomada de decisões e planejamento logístico voltados ao desenvolvimento do transporte rodoviário no Brasil.
Para acessar o documento completo, visite o portal ONTL: https://ontl.infrasa.gov.br/publicacoes-tecnicas/relatorios/
Fonte: Infra SA