11/09/2020

Novas cadeias de valor poderão gerar US$ 1 trilhão, diz Swiss Re

 Novas cadeias de valor poderão gerar US$ 1 trilhão, diz Swiss Re



Reestruturação das cadeias de abastecimento se tornou uma tendência macroeconômica central

A criação de cadeias globais paralelas de valor, para reforçar a resiliência das indústrias, poderá gerar exportações e investimentos adicionais de US\$ 1 trilhão em um período de transição de cinco anos, segundo estudo da resseguradora suíça Swiss Re.

A reestruturação das cadeias de abastecimento se tornou uma tendência macroeconômica central. Durante a pandemia, confinamentos causaram quase uma paralisação nos fluxos comerciais internacionais, aumentando a preocupação em governos e indústrias sobre a vulnerabilidade em relação a fornecedores externos.

Economistas do Swiss Re Institute estimam que haverá aceleração no deslocamento de produção da China para alguns emergentes asiáticos mais baratos e também preveem um reforço da tendência de ‘reshoring’, processo pelo qual indústrias fazem o caminho de volta para casa, esperando ter cadeias de suprimento mais resilientes.

O novo cenário será, provavelmente, de desenvolvimento de novas cadeias globais paralelas de valor e/ou de cadeias globais multipolares, com produção juntamente com operações manufatureiras na China e em outros mercados.

Haverá ganho de resiliência, mas isso virá com aumento de custo de produção, que se refletirá no preço final mais elevado e menor lucro para as companhias.

Os EUA têm o maior volume de importação para potencial substituição por retorno da produção no território americano, que é estimulado por Donald Trump e poderá ser reforçado em um eventual governo do democrata Joe Biden.

Segmentos de forte dependência americana em relação à China incluem notebooks, PCs, tablets, smartphones e componentes, drones, confecções, videogames, móveis e roupas de cama. Países com as mesmas indústrias serão alternativas para atender os americanos, especialmente Vietnã e México. O estudo menciona também o Brasil como um dos ganhadores como supridor para os EUA, apesar de sua presença tímida hoje nas cadeias globais.

A China, por sua vez, aumenta esforços para ter fornecedores fora dos EUA e para produzir em seu território. A gigante da telecomunicação Huawei começou a se abastecer em cerca de US\$ 11 bilhões de tecnologia fora dos EUA recentemente.

Taiwan adotou um plano que encoraja suas companhias a repatriar produção. No fim do ano passado, 166 empresas taiwanesas que operavam na China anunciaram investimentos de US\$ 23 bilhões de novo no território de Taiwan.

Neste ano, o Japão anunciou que 87 empresas japonesas eram elegíveis a receber subsídios governamentais se deslocarem sua produção da China de volta para o território japonês ou em algum outro mercado do sudeste asiático.

Na Europa, a Comissão Europeia também quer reverter a fatia de manufatura em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), para chegar a 20% após 2020 comparado a 16% em 2011. O Parlamento Europeu igualmente adotou um relatório para reindustrialização do velho continente. Um estudo mostra que várias companhias já tomaram o caminho de retorno para a Europa, a maioria voltando da China.

A estimativa sobre aumento de exportações e investimentos, com novas cadeias de valor, é baseada na hipótese de que a China perde 20% de exportações com valor agregado para 20 mercados emergentes mais baratos, e outros 10% com o ‘reshoring’ para mercados desenvolvidos.

A criação de novas cadeias de abastecimento poderá gerar volume de prêmios de US$ 63 bilhões para companhias de seguro durante um período de transição de cinco anos. Isso inclui aumento de US$ 1,2 bilhão vinda de nova demanda para seguros na fase de construção de indústrias e infraestrutura e de US\$ 9 bilhões para seguro comercial na fase operacional das novas usinas.

Fonte: Valor econômico

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