08/09/2022

Na familiar Localfrio, a energia limpa é o negócio mais quente

 Na familiar Localfrio, a energia limpa é o negócio mais quente



Durante quase sete décadas, a Localfrio foi essencialmente uma empresa de armazéns — refrigerados (daí o nome) e, sobretudo, os pouco “sexy” terminais alfandegados, que ficam perto dos portos e guardam mercadorias importadas enquanto a burocracia é desembaraçada. 


Na pandemia, porém, o negócio da família Vasone (que vendeu o Hospital São Luiz à Rede D'Or) passou por uma transformação que dá especial destaque à energia limpa— e quer faturar R$ 600 milhões este ano muito graças a ela.


Seu carro-chefe no nicho de transporte de cargas, no qual entrou nos últimos dois anos, é o que chama de “projetos especiais”: levar placas solares e torres e pás de turbinas eólicas para firmas como GE e Intelbras. A aposta foi surfar a alta demanda por energia limpa e se especializar em um segmento com barreira de entrada elevada. 


Afinal, poucas empresas conseguem transportar uma torre eólica, que chega a pesar mais de cem toneladas e mede o mesmo que um prédio de dezenas de andares.


A Localfrio centralizou a maior parte desse negócio em Suape (PE) — ela também tem terminais em Itajaí (SC) e Santos (SP) —, dada a pujança do Nordeste na energia limpa.


— Pelo menos 35% do faturamento em Suape já vêm do transporte desse tipo de carga — diz Rodrigo Casado, o engenheiro carioca que assumiu o comando da Localfrio no ano passado, com a profissionalização da gestão. — A energia renovável já representa algo entre 12% e 15% do nosso negócio nacional. Esse número pode crescer para 20% —.


O novo negócio tem acelerado o balanço do grupo, diz Casado. No primeiro semestre, a receita cresceu 50%, para R$ 278 milhões. A meta é fechar 2022 na casa dos R$ 600 milhões, ou mais de 40% acima do resultado de 2021.


O faturamento também teve um empurrãozinho da operação-padrão da Receita Federal, que, desde o ano passado, tornou mais morosa a burocracia nos portos. Isso fez com que as cargas precisassem ser armazenadas por mais tempo em seus terminais alfandegados.


— Aproveitamos esse tempo para oferecer mais serviços. Podemos tratar a carga, colocar etiqueta, montar etc. Ganhamos mais, mas geramos mais valor pro cliente — diz o CEO.


O crescimento do balanço aproxima a Localfrio do tamanho adequado para abertura de capital. Por ora, Casado descarta o movimento:


— Enquanto o crescimento estiver nesse nível, não faz sentido pensarmos em um movimento como um IPO. A partir de 2023, vamos decidir se seremos consolidados (comprado) ou consolidadores (compradores).


Fonte: Estadão



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