2025 foi um ano de muito trabalho e de resultados expressivos para a ABOL. Pode listar um pouco do que foi desenvolvido por cada diretoria?
Com certeza foi um período intenso, marcado por muito trabalho e que nos traz imensa satisfação. Ao longo de 2025 pudemos dar andamento em projetos que impactam não só a rotina dos associados como também o mercado como um todo, principalmente tendo em vista a relevância do setor para a sociedade. O período reforça o legado da adaptabilidade, em que a geopolítica, as mudanças climáticas e as novas formas de consumo e de comunicação trarão cada vez mais necessidade de inovação por parte das empresas.
Na Diretoria de Assuntos Jurídicos e Regulatórios o período foi marcado por conversas com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); a participação na Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio; os debates sobre frete, declaração única de importação, ; a constante atuação para a aprovação do Projeto de Lei dos Operadores Logísticos (PL 3757/2020); e a mobilização para melhorar a segurança da carga em TECAs de aeroportos.
Já na Diretoria Tributária Contábil, realizamos contribuições técnicas à Reforma Tributária, junto à Receita Federal, além da consolidação sobre impactos do PLP 108/2024, a participação em projetos-piloto da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o monitoramento tributário com foco no impacto logístico. Também oferecemos um curso para OLs com a Escola Superior de Tributação de Brasília (ESTB).
O trabalho da Diretoria de Capital Humano teve foco na Norma Regulamentadora 1 (NR-1), na escassez de motoristas e na utilização de Inteligência Artificial no RH, além da entrega da Pesquisa de Cargos, Salários e Benefícios, as rodas de conversa sobre sucessão, PCDs e Jovem Aprendiz e a parceria com a plataforma de capacitação profissional.
Com o tema cada vez mais em voga na sociedade, a Diretoria ESG, como não poderia deixar de ser, teve um ano de muita exposição. Realizamos a formação presencial Lixo Zero, e entregamos o 1º Inventário de GEE da ABOL no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), SEST SENAT e Confederação Nacional do Transporte (CNT), participamos do Fórum ILOS, tivemos encontros sobre clima, carbono e soluções sustentáveis e lançamos o II Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) das associadas ABOL durante a COP30, em Belém (PA).
A escassez de motoristas e a necessidade de uma humanização maior no trato com esses profissionais foram alguns dos temas que nortearam as ações da Diretoria de Operações e Inovação. Além disso, realizamos encontros com seguradoras em parceria com CNseg e FenSeg, contribuímos com o Plano Nacional de Logística 2050 e, em parceria com a Infra S.A., colaboramos com o estudo matriz O/D da carga e oportunidades de multimodalidade. Por fim, na Diretoria de Logística de Produtos de Interesse à Saúde, seguimos com as discussões sobre o futuro da RDC 430/2020 e regulação da cadeia logística farmacêutica.
Falando sobre instrução e capacitação, realizamos 9 edições de ABOL Day, em que debates técnicos, normativos e de mercado promoveram trocas ricas entre os associados e especialistas. Foi um ano de construção, diálogo e fortalecimento. Em 2026, seguiremos ampliando conexões, contribuindo com os principais debates e decisões que impactam a logística no Brasil.
E mesmo com tanto já trabalhado, ainda existem desafios, não é mesmo? Quais os principais que devem ser enfrentados pelos Operadores Logísticos em 2026?
Com certeza, os desafios sempre existirão e nossa missão é atuar justamente para auxiliar os associados a superarem cada um deles. Dentre o que já podemos avaliar que será determinante em 2026, destaco os ajustes contábeis e fiscais dos Operadores Logísticos em tempos de regulamentação da Reforma Tributária; a robotização como aliada na falta de profissionais em determinadas partes da operação; a escassez de motoristas e novas oportunidades que possam surgir a partir dessa carência.
Além disso, o calendário de 2026 exigirá uma gestão ainda mais refinada de planejamento de capacidade, alocação de mão de obra, malha de transporte e uso inteligente de dados por parte dos Operadores Logísticos, que precisarão, ainda mais, antecipar cenários, reforçar integrações com fornecedores e clientes, e investir em tecnologias preditivas permitirão amortecer os impactos do ano atípico em que eleições, copa do mundo, feriados e agendas sazonais poderão impor quebras forçadas no ritmo das operações.
No âmbito internacional, quais devem ser os principais entraves e pontos de atenção?
2026 deve intensificar pressões ligadas a custos de frete internacional, principalmente impactadas por restrições marítimas e as tensões geopolíticas. Além disso, poderemos ter maior competição por capacidade nos portos, caso o fluxo global siga mais instável, reconfiguração dos hubs logísticos globais, demandando reposicionamento estratégico, e maior exigência de compliance ambiental, com países e clientes demandando cadeias mais verdes.
Falando em cadeias mais verdes, a sustentabilidade deve estar, ainda, em foco, correto?
Sim! Os Operadores Logísticos têm grande responsabilidade com a agenda climática mundial e por isso estarão sempre no centro dos debates, principalmente sobre descarbonização. Essa é uma pauta muito importante pra mim, inclusive. No ano em que assumi a diretoria executiva da associação, em 2021, criei também a Diretoria ESG e tenho orgulho de dizer que em poucos anos conseguimos não só levar mais conhecimento para os associados como também engajamos muitos deles a incorporarem no dia a dia de suas empresas ações voltadas para a medição e diminuição da emissão de gases. E para 2026 não será diferente. Enquanto setor, posso afirmar que estamos abertos e desejamos ser parte ativa de mudanças estruturais, de cunhos Governamental e Regulatório, Industrial e Operacional, que promovam transformações climáticas reais.