A integração entre diferentes tecnologias tem impulsionado uma nova etapa de ganhos de eficiência e competitividade na logística brasileira. Durante o evento Transporte do Futuro, realizado em São Paulo pela Mundo Logística, a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, destacou que os Operadores Logísticos (OLs) vêm direcionando investimentos para conectar sistemas, ampliar a visibilidade das operações, apoiar a tomada de decisões em tempo real e elevar os níveis de serviço em toda a cadeia de suprimentos.
Segundo Marcella, que integrou o painel “Construindo diferencial competitivo no Transporte”, a transformação digital deixou de estar concentrada na adoção de ferramentas isoladas e passou a priorizar a integração de plataformas e o compartilhamento de informações entre empresas, clientes e fornecedores.
Dados do último Perfil dos Operadores Logísticos, estudo realizado pela ABOL, mostram que 83% dos OLs investem em softwares. Entre as soluções mais difundidas estão os sistemas de gestão de transporte (TMS) e armazenagem (WMS), além das torres de controle, ferramentas de análise de dados e tecnologias voltadas à conectividade operacional.
A diretora ressaltou ainda que, o avanço tecnológico depende não apenas da inovação, mas da combinação entre processos bem estruturados, indicadores confiáveis, articulação entre os diversos agentes da cadeia e profissionais preparados para utilizar esses recursos de forma estratégica. Desafios relacionados à qualidade dos dados, à integração de sistemas e aos diferentes níveis de maturidade tecnológica ainda limitam a adoção de algumas soluções, como a roteirização dinâmica nas operações de última milha.
A executiva também abordou um dos principais desafios do setor, a atração e retenção de mão de obra qualificada. Diante das dificuldades para renovar o quadro de motoristas e profissionais que atuam em armazéns e centros de distribuição, a automação e a robotização tendem a ganhar espaço nos próximos anos. Entre as aplicações com potencial de expansão estão os robôs digitais para execução de tarefas administrativas e os equipamentos autônomos utilizados na armazenagem e movimentação de cargas.
Outro tema em destaque foi a multimodalidade. Para Marcella, o desenvolvimento logístico do país passa pela integração eficiente entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, com infraestrutura adequada nos pontos de conexão. Ela defendeu que a discussão sobre transporte deve priorizar a combinação mais eficiente de modais, considerando fatores como origem, destino, tipo de carga, prazo e nível de serviço.
Por fim, a diretora reforçou o papel estratégico dos OLs, que enxergam a cadeia de ponta a ponta, podendo ajudar o país a sair de uma lógica modal isolada para uma integrada de rede. Ao mesmo tempo, reforçou a importância da atuação do poder público na coordenação de políticas, planejamento de longo prazo e redução de assimetrias regulatórias entre as matrizes.