25/02/2021

GPA negocia acordo com Mercado Livre e busca ‘apps’

 GPA negocia acordo com Mercado Livre e busca ‘apps’


Com o aumento da competição na venda on-line alimentar, principalmente após a pandemia, o GPA fez mudanças em sua estratégia digital para tentar ganhar mais mercado. O grupo deixará de utilizar apenas o James Delivery, empresa adquirida em 2018, para entrega dos produtos vendidos pela internet, e começa a fechar acordos com outros aplicativos.

Além disso, as redes do grupo - Pão de Açúcar e Extra - passarão a vender em "marketplaces" (shoppings virtuais) de plataformas digitais e de outros varejistas. O GPA tem analisado potenciais acordos.

Isso pode abrir uma nova frente de cruzamento de negócios entre grandes varejistas. A depender da evolução desses contatos, será possível ver o Pão de Açúcar, em dado momento, vendendo produtos no site Americanas.com, da Lojas Americanas, ou no braço digital do Magazine Luiza, por exemplo.

O GPA já está em conversas avançadas para a venda de itens de supermercado no Mercado Livre e deve anunciar esse acordo no fim de março, como antecipou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. É a primeira parceria do Mercado Livre com uma grande varejista de alimentos no país, e intensifica a disputa dos marketplaces nesse segmento. O Carrefour não vende esses itens pelo Mercado Livre.

Pelo que vem sendo negociado, o GPA deve ter uma loja virtual do Pão de Açúcar e do Clube Extra (hipermercados) no Mercado Livre e poderá utilizar o sistema de logística do marketplace (retirada, armazenagem e envio de produtos). Por esse sistema, 70% das entregas ocorrem em até dois dias. As mercadorias devem fazer parte da política de frete grátis para compras acima de R$ 99 no Mercado Livre.

Ontem, o vice-presidente sênior do Mercado Livre, Fernando Yunes, confirmou a negociação e disse que será fundamental na estratégia de a empresa ganhar relevância maior nas categorias de supermercados - área de atuação complexa no digital e menos explorada pela companhia. Procurado, o GPA também confirmou as conversas, dentro da estratégia anunciada ontem a analistas, durante teleconferência de resultados.

Na apresentação de ontem, o grupo informou que analisa acordos com parceiros em marketplaces e, em entrevista ao Valor, observou que está contatando todas as principais plataformas, sem citar nomes de empresas. Magazine Luiza e Americanas.com são rivais diretos do Mercado Livre.

“No fim do ano passado, começamos a fazer essas negociações e a depender do modelo, podemos usar nossa logística, a da plataforma ou algo misto. A questão é que nós temos o conhecimento da venda alimentar e a escala, os produtos, e isso tem alto valor hoje”, disse Jorge Faiçal, presidente do braço de varejo do GPA.

A princípio, o plano geral no marketplace será começar vendendo itens de mercearia, e numa segunda fase, partir para itens frescos (dentro de uma lista de 10 categorias). Numa terceira fase, em 2022, será aberta a comercialização de não-alimentos.

Além dessa frente, há outra sendo tocada, na entrega final ao cliente. O GPA decidiu não utilizar apenas o James Delivery nessa atividade e, nesta semana, fez as primeiras vendas pelo Rappi.

A empresa ainda está contatando outros aplicativos - Uber Eats e iFood estão entre os maiores do setor. No ano passado, o Magazine Luiza comprou o aplicativo aiqFome. “Depois da pandemia começamos a discutir o assunto e nós nos demos conta que manter um sistema fechado, só com o James, não seria o suficiente para acompanharmos todas essas mudanças que estão acontecendo muito rapidamente. Os investimentos subiram de patamar. Poderíamos perder negócios se nos mantivéssemos fechados”, disse o executivo. Outras empresas também poderão fechar acordos de entrega com o James.

A intenção inicial da empresa, em 2018, era espalhar pelo país a operação do James, sediado no sul, e estar entre as maiores na área em três anos. Na época, o GPA saiu do Rappi, cancelando o contrato, e, meses depois, a plataforma fechou acordo com o Carrefour. Com o James apenas, na prática, o GPA teria que estruturar e investir de forma constante nessa plataforma para atender uma demanda que já cresce aceleradamente - e busca ser atendida agora.

Se pode ganhar agilidade ao se abrir a novos “apps”, o GPA terá que dividir rentabilidade ao pagar taxas às empresas de entrega, como ocorre com todo o varejo - grupos com maior escala pagam taxas menores. O GPA seguirá usando também o James. O braço digital do GPA vendeu R$$ 1,1 bilhão em 2020, 5% do total, ante 2% de participação em 2019.

Faiçal reforçou que essas parcerias na entrega final ao cliente, assim como o início da operação de seu marketplace próprio - em novembro, a empresa lançou a sua plataforma virtual - têm como ambição tornar a empresa um dos cinco maiores marketplaces generalistas do país. E começará esse caminho focando em suas especialidades, ou seja, no que é forte no alimentar.

Na operação de lojas físicas, o GPA disse que o seu modelo premium de lojas, da bandeira Pão de Açúcar, será prioridade em 2021. O GPA prevê abrir 50 unidades do Pão de Açúcar em três anos (são cerca de 180 hoje) e 100 unidades do Minuto Pão de Açúcar (são 86 atualmente) também nesse prazo. A ideia é que esses modelos premium aumentem retornos e representem parcela ainda maior da rentabilidade no futuro.

Apesar das expectativas, a empresa foi questionada por analistas ontem sobre o desempenho de venda do Pão de Açúcar abaixo dos outros formatos. A cadeia cresceu 6,4% em 2020 e 3% no quarto trimestre - abaixo da média do grupo. A direção creditou o desempenho aos efeitos da pandemia, que levou uma migração de consumidores ao atacarejo, formato mais barato, e a uma mudança de clientes da rede para outras cidades, por conta do isolamento social. “Vamos mitigar esses efeitos em 2021, com um movimento contrário do que vimos”, disse Faiçal.

Em 2019, porém, mesmo sem pandemia, a rede também teve um desempenho mais fraco (venda líquida caiu 1,1%). Nesse caso, o fato de a companhia estar reformando lojas e fazendo mudanças nos formatos da rede, impediu uma alta, disse o comando.

Sobre o formato de hipermercados Extra, o GPA reforçou que vem mudando a política comercial em certas categorias de produtos, operando com preço mais baixo de forma constante e menos promoções - algo que ocorre desde 2020, como antecipou o Valor no começo deste mês. É uma estratégia que se aproxima daquela adotada no atacarejo.

Esse movimento começou com 23 lojas e se estenderá para mais 80 restantes do Extra até metade do ano. Algumas unidades que têm sido alvo das mudanças apresentam cartazes de preços com o valor no atacado e no varejo. Faiçal ainda afirmou que o grupo pode fechar menos lojas do que previa (de 5 a 6 hipermercados Extra deficitários) por conta das mudanças no formato recentes - no começo do ano, a projeção eram 10 fechamentos.

Após a publicação do balanço do quarto trimestre do GPA, analistas da Ativa, XP e BTG Pactual classificaram os números como “sólidos” e reiteraram a recomendação de compra para as ações ordinárias do GPA. O BTG citou o braço do Extra e Pão de Açúcar, com uma “estratégia de preços mais assertiva e um menor impacto das reformas de lojas”. O GPA Brasil teve uma alta de 6,6% na venda bruta no trimestre e de 7,9% em 2020 (descontando “elementos excepcionais”). O lucro líquido desse braço em 2020 subiu 560%, para R$ 1,2 bilhão.

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