15/07/2020

Exportações para os EUA têm pior primeiro semestre da década

 Exportações para os EUA têm pior primeiro semestre da década



Após recorde em 2019, os embarques aos EUA caíram quase 32% no primeiro semestre na comparação com a primeira metade do ano passado, para US$ 10 bilhões
Com o choque duplo da pandemia e da queda dos preços do petróleo, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos apresentou forte recuo no primeiro semestre de 2020, ampliando a distância dos americanos para o nosso principal parceiro, a China. Soma das exportações e importações, a corrente Brasil-EUA recuou 18,5% nos primeiros seis meses deste ano em relação a igual período de 2019, para US$ 23,2 bilhões, aponta monitor da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil).

A queda é explicada, sobretudo, pelo tombo nas exportações. Após recorde em 2019, os embarques do Brasil aos EUA caíram quase 32% no primeiro semestre na comparação com a primeira metade do ano passado, para US\$ 10 bilhões. Esse é o pior resultado para um primeiro semestre na década, de acordo com a Amcham. “Não é surpresa, dada a magnitude do efeito da pandemia no comércio internacional, mas interrompe um momento muito bom”, diz Abrão Árabe Neto, vice-presidente-executivo da Amcham e ex-secretário de Comércio Exterior.

A queda nas exportações aos EUA foi mais de quatro vezes superior à observada nos embarques totais (-7,1%). “O Brasil tem um desempenho mais favorável nas exportações agrícolas. Os embarques à China crescem 15%. O perfil do comércio com os Estados Unidos é outro, é principalmente de manufaturados, itens de maior valor agregado, que têm sofrido mais na pandemia”, diz Árabe Neto. A indústria de transformação respondeu por 87% das exportações aos americanos no primeiro semestre.

Outra explicação, segundo Árabe Neto, é a crise internacional do petróleo, desencadeada quando, no início do ano, países não conseguiram fechar acordo para cortar produção e os preços do barril desabaram. As vendas de óleos brutos de petróleo, com peso de 6% na pauta do Brasil aos EUA, caíram mais do que pela metade (53,8%) no primeiro semestre de 2020 ante o ano anterior, enquanto os óleos combustíveis recuaram 46,4%. “Os preços caíram mais do que as quantidades e foram decisivos para reduzir exportações”, diz Árabe Neto.

O “choque duplo” também ajuda a explicar a queda nas importações brasileiras de origem americana. Nesse caso, porém, o recuo foi bem menor, de 4,4% ante o primeiro semestre de 2019, para US$ 13,2 bilhões. Só a importação de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 1,2 bilhão amenizou bem a retração. A Amcham estima que, se aquisições de equipamentos de engenharia civil tivessem repetido em 2020 o desempenho do primeiro semestre de 2019, a queda nas importações seria de 13,2%.

Com a perda mais pronunciada nas exportações, o Brasil passou de ligeiro superávit com os EUA no primeiro semestre de 2019, de US$ 930 milhões, para déficit comercial de US$ 3,1 bilhões neste ano. “Foi o maior déficit do Brasil no primeiro semestre, seguido pela Alemanha, com US\$ 2,5 bilhões”, diz Árabe Neto.

Os Estados Unidos se mantiveram como o segundo principal parceiro do Brasil, com participação de 9,9% nas exportações e de 16,6% nas importações do primeiro semestre. “O que aconteceu é que aumentou a distância dos Estados Unidos em relação à China, que se consolidou ainda mais como principal parceiro do país”, diz Árabe Neto. Os EUA representaram 13,4% da corrente de comércio do Brasil, enquanto chineses atingiram 29,4%.

Para Árabe Neto, isso não deixa o Brasil em situação delicada na disputa comercial entre Washington e Pequim. “O ano de 2020 não deve ser tomado como retrato do que vai acontecer com os fluxos de comércio, é um momento muito particular. Por mais que essa distância [entre EUA e China] tenha aumentado, não quer dizer que permanecerá assim. Os dois países têm importância muito grande para o comércio exterior brasileiro”, diz. Mas Árabe Neto ressalta que o Brasil precisa evitar que a queda em itens de maior valor agregado permaneça. “Talvez, a maneira mais inteligente de enxergar esse cenário seja: como o Brasil pode fortalecer sua relação com os EUA sem um posição excludente em relação com os EUA sem um posição excludente em relação à China?”

Para o ano, a Amcham espera uma queda na corrente de comércio Brasil-EUA entre 18,4% e 21,9%, com retração de 20% a 25% nas exportações brasileiras e de 16% a 18% nas compras de origem americana. “A queda nas importações deve acelerar, até porque, no começo do ano, estavam crescendo, mas esse início positivo não se repete no segundo semestre.” Do lado das exportações, o desempenho deve continuar pior do que 2019, mas alguma recuperação nos preços do petróleo pode minimizar as perdas, observa ele.

Ainda mirando o segundo semestre, Árabe Neto diz que, independentemente do resultado da eleição presidencial americana, prevista para novembro, a relação entre Brasil e Estados Unidos é “muito vistosa” e “esse cenário deve se manter”. O governo de Jair Bolsonaro tem política externa alinhada a Donald Trump, mas pesquisas recentes de intenção de voto apontam para a vitória do democrata Joe Biden.

A Amcham enviou às autoridades dos dois países documento com dez “entregas” ainda neste ano para fortalecer a parceria comercial, como a conclusão da primeira etapa de um acordo não tarifário e a renovação do Brasil no Sistema Geral de Preferências (SGP), que outorga preferências tarifárias para a entrada de certos produtos no mercado americano e expira em dezembro.

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