14/09/2022

Custo Brasil do setor logístico deve consumir 13,3% do PIB em 2022

 Custo Brasil do setor logístico deve consumir 13,3% do PIB em 2022



Os altos custos logísticos no Brasil vêm crescendo vertiginosamente nos últimos anos, podendo fechar o ano com um consumo de 13,3% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país, frente aos 12,6% registrados em 2020 e 12,3% observados em 2017, conforme estimativa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Em países ditos mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, esse custo gira em torno de 6% a 7%.


Para o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, esse aumento do Custo Brasil logístico está relacionado à alta do preço dos combustíveis em 2022, ao custo de reposição de capital, que encareceu o carregamento de estoques, à depreciação das infraestruturas de transporte e ao baixo investimento público nas últimas décadas, entre outros fatores.


Como soluções em curto, médio e longo prazo, visando à redução do Custo Brasil logístico, ele ressaltou que, com base em diversos diagnósticos e estudos, a CNT tem proposto uma série de ações para definir uma agenda estratégica para o setor de transporte e para o país. “A Confederação busca contemplar temas relacionados à melhoria das infraestruturas de transporte, à solução de entraves ao desenvolvimento do setor, à ampliação da sustentabilidade econômica e ambiental do transporte e à garantia de segurança jurídica para os empresários e investidores”, disse Batista à Portos e Navios.


Para reduzir o custo logístico, o diretor executivo da CNT tratou como urgente a adoção de medidas que garantam a melhoria da competitividade à atividade empresarial, a partir da redução da carga tributária, desburocratização do ambiente de negócios, maior previsibilidade na política de preços dos combustíveis, entre outros. “Também é necessário promover investimentos nas infraestruturas de transporte. Nesse sentido, é preciso recompor o orçamento público para financiamento de projetos de elevada importância social e aqueles que possam viabilizar a maior utilização da integração modal, além de avançar na agenda de concessões e privatizações”, destacou Batista.


Ao avaliar o sistema marítimo do Brasil nesse cenário do Custo Brasil logístico, ele citou o Índice de Competitividade de 2019 do Fórum Econômico Mundial: “A qualidade dos nossos serviços em portos e terminais portuários brasileiros se encontra na posição 104 entre 141 economias comparadas. Essa posição coloca em risco a competitividade das mercadorias brasileiras, sendo necessárias ações efetivas de melhorias dos processos e de infraestrutura dos ativos portuários”, ressaltou o diretor executivo da CNT.


A Confederação propõe medidas mais concretas para a infraestrutura portuária, a partir da criação de novos acessos aos portos e melhoria dos existentes em vias terrestres; resolução de interferências entre diferentes modais e com o perímetro urbano; realização de dragagem e/ou derrocamento (de manutenção e de aprofundamento), evitando problemas de limitações operacionais; e implantação e modernização de equipamentos portuários; entre outras.


Na análise de Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes da Fundação Getúlio Vargas, o Custo Brasil é fortemente impactado pela logística do país. “Há uma estimativa de que o Custo Brasil [total] esteja em 22% do PIB, chegando a aproximadamente R$ 1,5 trilhão. E são muitos os obstáculos, entraves e dificuldades, que abalam toda a nossa economia, principalmente em relação à carga tributária, burocracia, parte trabalhista, infraestrutura total, etc”, disse o especialista.


Ele enfatizou que, do Custo Brasil total, por volta de 13% a 13,7% do PIB está relacionado à infraestrutura de transporte, um cenário visto como bastante grave, pois faz com que o país seja menos competitivo no cenário internacional. Para Quintella, esses gargalos não envolvem somente o transporte propriamente dito, levando em conta que são observados entraves relacionados à parte armada na armazenagem, estoque e gerenciamento de transporte, por exemplo.


“A economia do Brasil perde muito com tudo isso. Os gargalos logísticos brasileiros elevam de 7% a 8% os custos dos produtos exportados. Muitas vezes, é mais barato – em termos de transporte – transportar dos portos para a China do que a parte produtiva do agronegócio levar sua mercadoria até o porto”, comparou. Quintella também destacou a precariedade das estradas brasileiras e a extrema dependência do país do modal rodoviário, que só tem contribuído para aumentar o alto Custo Brasil, principalmente no setor logístico:


“Estima-se que 65% de todas as cargas brasileiras sejam transportadas por rodovias e em rodovias precárias. No caso de longas distâncias, isso é feito de forma bem equivocada, pois segue na contramão do que manda todo bom negócio, o que manda a cartilha dos transportes”. Conforme o especialista, hoje, o transporte rodoviário percorre entre mil e dois mil quilômetros, mas seria razoável ser utilizado até 500 quilômetros. Para ele, o ideal é que, para o restante desse tráfego de longa distância, o transporte de cargas fosse feito pelo modal aquaviário ou cabotagem ou ferrovia.


“A concentração do nosso transporte é muito grande em rodovias, sendo que elas têm uma avaliação muito ruim: 65% estão em estado regular, péssimo ou ruim. As rodovias concedidas ao setor privado até escapam um pouco disso, mas mesmo assim, há muitas rodovias concedidas em estado ruim. Tudo isso porque nós temos uma situação de não termos rodovias pavimentadas – somente 14% da malha nacional são pavimentadas”, salientou Quintella.


Na visão geral do diretor da FGV Transportes, a redução do Custo Brasil só vai prevalecer, quando houver investimentos pesados na infraestrutura do país. “Como não há recursos volumosos para os próximos anos, dificilmente nós teremos um custo logístico reduzido em curto e médio prazo, porque nós já deveríamos estar investindo pesado para trazer, ao Brasil, uma infraestrutura compatível com a pujança da economia nacional e da potencialidade de crescimento do nosso país”, disse Quintella.


Fonte: Portos e Navios



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