Um levantamento da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) mostra que a Copa do Mundo já influencia diretamente o planejamento das empresas do setor e reforça a maturidade dos operadores logísticos diante de grandes eventos globais.
Segundo a pesquisa realizada com empresas afiliadas, 60% dos respondentes afirmam que megaeventos como a Copa exigem antecipação operacional e revisão de processos, indicando um nível mais estratégico de gestão. Para 40%, o modal aéreo é o mais impactado, especialmente por oscilações na oferta de capacidade em razão de ajustes na malha de voos comerciais, que também movimentam cargas.
Os principais desafios apontados incluem congestionamentos em portos e aeroportos (citados por 100% dos entrevistados) e maior necessidade de segurança e controle de carga (40%). Também foram mencionados possíveis atrasos em rotas marítimas, reorganização de escalas de trabalho e coordenação das entregas nos dias de jogos. Diante do cenário, 40% das empresas já trabalham com rotas alternativas, transformando riscos em planejamento estratégico.
Entre os nichos que costumam ser campeões de vendas durante o torneio, estão: alimentos e bebidas, televisores, equipamentos de áudio e eletrônicos, e moda esportiva liderando o topo da lista das empresas; na sequência, produtos promocionais, merchandising e materiais para eventos são citados por grande parte dos OLs; seguidos de combustíveis, sinalizando uma cadeia de abastecimento ampla e diversificada, com oportunidades em múltiplas frentes. Na véspera da estreia do Brasil, as vendas online de produtos ligados à Seleção cresceram mais de 20 vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior.
De acordo com estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo deve movimentar R$ 4,32 bilhões durante a Copa, alta de 6,5% em relação à edição anterior. Hipermercados e supermercados concentram cerca de 70% desse total, seguidos por vestuário e acessórios, artigos de uso pessoal e doméstico, informática e comunicação, e móveis e eletrodomésticos.
Para a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, grandes eventos funcionam como catalisadores de transformação para a logística. “Eles aceleram a adoção de novas práticas, fortalecem a integração entre os diferentes elos da cadeia de suprimentos e deixam aprendizados que continuam gerando valor muito depois do encerramento das competições.”