04/05/2021

Comércio eletrônico impulsiona aluguel de galpões no Rio

 Comércio eletrônico impulsiona aluguel de galpões no Rio


Os investimentos de varejistas e operadores logísticos para fazer frente à expansão do comércio eletrônico no país tendem a manter o mercado de locação de galpões e condomínios logísticos aquecido no Rio de Janeiro. Nos próximos 12 a 15 meses, o país deve receber cerca de R$ 4 bilhões em investimentos nesse segmento imobiliário, segundo projeções da consultoria Newmark. Especificamente no Estado do Rio de Janeiro, a injeção de recursos vai significar um acréscimo de 280 mil metros quadrados ao estoque de novos galpões e condomínios ao longo do período.

No ano passado, a absorção líquida no Estado - a variação da metragem quadrada ocupada - foi positiva em 312 mil metros quadrados na comparação com 2019, de acordo com outra consultoria imobiliária, a Cushman & Wakefield. O valor é recorde na série histórica iniciada em 2012.

“Grandes empresas de varejo e logística estão nacionalizando seu portfólio. Continuam fechando o cerco do ‘last mile’ \a última milha, até a casa do cliente]”, resume Jadson Andrade, gerente de Inteligência de Mercado da Cushman & Wakefield. “Os imóveis de alto padrão, classe A e A+, foram responsáveis por um 2020 excelente.”

Pelas contas da Cushman & Wakefield, os primeiros três meses deste ano foram marcados por um aumento na taxa de vacância, a metragem disponível para aluguel em relação ao estoque total. O indicador passou de 17,3%, no fim de 2020, para 19,2% em março, principalmente devido à entrada no mercado de novos estoques. Nada próximo, no entanto, do patamar de 30% de vacância para o segmento atingido entre 2017 e 2018.

Ao longo do restante de 2021, a tendência é de que a vacância recue para o nível do fim do ano passado, projeta Andrade. Um percentual em torno de 17% está próximo do que o gerente da Cushman & Wakefield considera como uma taxa “saudável” de vacância: entre 10% e 12%, quando não há pressões excessivas nem sobre locadores nem sobre inquilinos.

Com base numa metodologia levemente diferente, a Newmark calcula que a vacância terminou os três primeiros meses do ano em 15,5%, o que representa queda em relação aos 20,1% no último trimestre de 2020. Apesar dos números divergentes nesse indicador específico, ambas as consultorias coincidem na expectativa positiva para o mercado de logística de alto padrão no Rio de Janeiro.

“O e-commerce mudou o padrão de consumo da população”, afirma Mariana Hanania, diretora de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark no Brasil. “Estimamos que esse movimento vai continuar forte”, acrescenta a executiva.

Em mercados onde o comércio eletrônico está mais maduro, como nos Estados Unidos e na China, varejistas digitais garantem a entrega de produtos em até três horas. Na capital paulista, por exemplo, esse tipo de entrega expressa ainda é incipiente, comenta Mariana. “Para atender rápido, é preciso estar perto da capital”, diz ela.

A mudança de patamar do Estado do Rio de Janeiro transparece na absorção líquida média registrada pela Newmark no Estado. Entre 2013 e 2019 a média histórica do indicador estava em torno de 50 mil metros quadrados. Com o resultado de 2020 (+188 mil metros quadrados) o patamar médio do período 2013 a 2020 subiu para 67 mil metros quadrados.

Fonte: [Valor Econômico

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