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Após redução de serviços de longo curso, portos se preparam para receber navios de 366 metros

Após redução de serviços de longo curso, portos se preparam para receber navios de 366 metros

Nos últimos 12 anos, segundo a Solve Shipping, o país sofreu uma redução de 53% de serviços de longo curso na costa brasileira.

Com a dinâmica de crescimento dos navios ao longo dos anos, houve uma redução significativa na quantidade de serviços semanais de longo curso na costa brasileira, conforme análise da Solve Shipping. De acordo com o sócio-consultor da empresa, Leandro Barreto, em 2008 a costa recebia 48 serviços, enquanto que, atualmente, apenas 18, o que representa uma redução de 53%. As limitações para que o país receba navios maiores, como de 366 metros de comprimento manteve estável a capacidade do comércio exterior nos últimos 12 anos no país, com um crescimento de apenas 3%. A informação foi dada durante primeira Webinar promovida pela Portos e Navios, sobre ‘Desafios para a recepção de navios de maior porte’, realizada nesta quinta-feira (30).

Porém, por outro lado, o aumento no tamanho dos navios fez crescerem os serviços de cabotagem. Isso porque, segundo ele, como os grandes navios não conseguem entrar em todos os portos no Brasil, a cabotagem acaba fazendo o serviço de feeder. Por essa razão, ele identifica que parte do crescimento nesse segmento é lastreada por este serviço. Os dados da consultoria mostram que a cabotagem passou de sete serviços para dez, e a capacidade saltou de sete mil TEUs por semana para quase 24 mil TEUs.

Barreto destacou que, embora o debate esteja girando em torno das limitações do país para o recebimento de navios de 366 metros, ainda existem restrições para receber aqueles de 336. Segundo ele, 60% dos navios que operam na costa brasileira atualmente possuem calado maior ou igual a 14 metros e a maior parte dos portos ainda não consegue operar esses navios. No Porto de Santos, por exemplo, o calado se mantém entre 13,5 e 14,5 a depender da maré. Isso significa, de acordo com ele, que os portos estão com um metro, ou um metro e meio de capacidade ainda em aberto. Além disso, ele frisou que para cada metro de limitação de calado, o armador está deixando para trás algo em torno de 750 contêineres.

Apesar desse cenário, hoje muitos portos já estão em busca de receber navios maiores. De acordo com o conselheiro da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Caio Morel, que também esteve presente a videoconferência, parte dos associados já está com profundidade compatível com navios de 366 metros, como é o caso de Porto de Rio Grande e do complexo de Itajaí, que em breve também estará. Além do Porto de Santos que depende apenas da dragagem de aprofundamento, e dos portos do Rio de Janeiro, Sepetiba (RJ), Suape (PE), isto é, todos já habilitados.

Para ele, o que vai permitir que navios de 366 metros frequentem esses portos dependerá de dois fatores: da capacidade de competição e da quantidade de transbordo. “Uma vez que o navio no Sul começa a subir para o Norte vai ser mais econômico que ele ‘chame’ o porto, do que fazer todo o transbordo para outro navio, visto que ele vai passar em frente aquele porto”, explicou. Segundo ele, todos os portos vão entrar na corrida para ter condições de receber navios cada vez maiores, pois eles competem entre si. “O tempo que vai dizer quais os mais hábeis para conseguir o aprofundamento”, completou.

Morel afirmou que terminais que prorrogaram os contratos de concessão, já estão se adequando para receber navios 366 metros, pois, segundo ele, serão os tipos de navios dos portos brasileiros daqui em diante. Para ele, caso nem todos estejam totalmente adequados, essas adequações estão em vista. Além disso, segundo ele, os investimentos necessários para isso são razoavelmente compatíveis com a vantagem que a operação desse navio vai trazer ao terminal. Assim, ele acredita que em um período de 15 meses o terminal já encomenda portêineres da china e adequação se daria de forma rápida.

Para Barreto, considerando o atual momento de crise mundial, será difícil a existência de navios de 366 metros em rotas para os Estados Unidos, mas apenas para a Ásia. E como esta rota não exige que navios cruzem a costa do Sul até o Norte, é provável que apenas dois ou três portos no país recebam navios com essa dimensão.

No Porto de Santos, de acordo com Morel, não existe no momento a perspectiva para receber navios 366 metros, apenas de 336, por dois motivos principais: pelas restrições de entrada, ou seja, no canal de navegação, e de calado. A profundidade hoje no porto de Santos chega a quase 15 metros, porém, seriam necessários 17  para esta próxima classe de navios. Ele disse que para o porto atingir essa profundidade se faz necessário uma dragagem de dois metros em uma extensão de canal de 13 milhas náuticas, o que vai demandar uma quantidade de seis metros cúbicos de material dragado. Esse processo deve demorar em média quatro anos para ser concretizado. E, segundo ele, até a efeitvação da privatização, que tem como um dos objetivos resolver esse tipo de questão, é possível que esse prazo se alargue ainda mais.

O diretor presidente do Complexo Portuário de Itajaí, Marcelo Werner Salles, também presente ao debate virtual, informou que o porto precisou realizar estudos para a implantação de uma nova bacia de evolução com a finalidade de receber navios de 366 metros. Com as duas bacias de evolução já em operação, ele afirmou que muitas restrições já foram superadas, com a realização de manobras noturnas, por exemplo, promovendo um significativo ganho operacional. Em função disso, o porto já anunciou um investimento de 100 milhões de dólares para a compra de equipamentos capazes de receber navios 366 metros. Isso também permitiu, segundo ele, que o governo federal desse início ao processo de concessão do porto.


Fonte: Portos e Navios


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