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Webinar promovido pela FGV Transportes e ABOL reúne empresários do setor de logística para analisar o cenário pós Covid-19

Com foco em como ficam as operações logísticas para o cenário pós pandemia, o Núcleo de Estudos para Transportes da Fundação Getúlio Vargas, a FGV - Transportes, realizou, esta semana, o webinar O futuro dos operadores logísticos pós Covid-19: impressões e tendências

O evento contou com a apresentação do diretor-presidente da ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, Carlos Cesar Meireles Vieira Filho, e seguiu com a interação entre o CEO da JSL (associada da ABOL), Fernando Antônio Simões; da diretora-presidente da TORA (associada da ABOL), Janaína Fagundes Duarte Resende Araújo; e do presidente da SEQUOIA (associada da ABOL), Armando Marchesan Neto. A discussão teve a moderação feita pelo responsável pelas Relações Institucionais da FGV Transportes, Rodrigo Vilaça e pelo presidente da DHL e presidente do Conselho Deliberativo da ABOL, Maurício Mattos Barros.

Entre os temas analisados pelos participantes manteve-se atenção sobre a precipitação das transformações estruturais, operacionais e estratégicas provocadas pela pandemia e também sobre a necessidade de preservar o ser humano, as pessoas, seja na organização seja na sociedade, assegurando condições de convivência e de sobrevivência que viabilizem o trabalho e o consumo.

Cesar Meireles, diretor-presidente da ABOL - comentou que, deflagrada a pandemia, os operadores logísticos ganharam ainda mais relevância ao sustentar os fluxos das cadeias de suprimentos, distribuição e de abastecimento de segmentos considerados essenciais, mas também daqueles que amplificaram a demanda, como o comércio eletrônico (e-commerce). “O mundo não será o mesmo e é neste contexto que realizamos esta tão importante discussão, com empresas líderes que atuam na estratégia das cadeias de suprimento e distribuição e que, com suas equipes, desafiam os obstáculos para atenderem as necessidades de abastecimento de todas as pessoas, em todos os recantos do Brasil. É muito encorajador saber que temos líderes que ponderam objetivamente, como transformar os negócios de forma a viabilizar que os Operadores Logísticos atendam, ao final do dia, os clientes dos seus clientes, a população, de um modo geral”.

Já o presidente do Conselho Deliberativo da ABOL, Maurício Barros, também presidente da DHL, avaliou que é fundamental para os Operadores Logísticos encontrarem o equilíbrio entre flexibilidade e resiliência. “Enfrentamos uma crise global, que afeta o mundo em diferentes níveis de severidade e que nos transforma, com desafios antes impensados. Como DHL, temos a prioridade de garantir a segurança das pessoas e, ao mesmo tempo, mantermos vivos os negócios dos nossos clientes, o que não tem sido uma tarefa fácil. Como Operadores Logísticos dizemos que somos uma parte essencial do cotidiano de todos os setores econômicos”.

Janaína Araújo, da TORA, contou que a empresa, que é um dos mais importantes Operadores Logísticos do país em termos de volume e expertise logística, teve relevante aumento nas operações de importação para o setor médico/hospitalar, tendo, contudo, registrado queda nos setores siderúrgicos e automotivo. “Acredito que devemos manter e fortalecer a relação com os nossos clientes, para encontrar soluções úteis para todos”.

Outra questão abordada pela executiva foi a tendência à digitalização. “É uma realidade que será amplificada com a crise. Vejo movimentos para eliminar a burocracia das nossas operações. É um caminho sem volta. Devemos aproveitar este momento para implementar mudanças”.

Especializados no e-commerce, o Operador Logístico SEQUOIA, que conta com mais de 350 bases operacionais espalhadas pelo País e mais de 4 mil colaboradores, experimenta hoje os dois lados da moeda da crise: a ausência de demanda em setores do varejo físico e a explosão do consumo digital. O executivo da empresa, Armando Marchesan, conta que o momento é de realidades antagônicas. “Temos operações voltadas para o varejo físico, que reduziram em cerca de 50% o volume operado e temos o que parece ser outro mundo: o comércio eletrônico, que cresce dia a dia. Temos uma ociosidade grande por um lado e por outro temos alguns pontos com limitação de capacidade, pela alta demanda. Temos que ter excelência na gestão para dar conta desses novos volumes, dessa nova realidade”.

Na JSL, como na maioria das empresas, a pandemia forçou uma revolução de processos e estratégias. O principal executivo da empresa e filho do fundador, Fernando Antônio Simões, disse que o momento exige simplicidade e objetividade. “Temos a certeza que conhecíamos muito pouco do ontem, quase nada do hoje e absolutamente nada do amanhã. Estamos em uma posição confortável graças à diversificação das nossas atividades, mas estamos muito preocupados com o que vem por aí. Nós, na JSL, criamos um comitê de contingência para cuidar da nossa equipe, da nossa gente, que são mais de 20 mil pessoas, e incluímos também os caminhoneiros, que são nossos parceiros”.

Simões afirma que o momento pode ser de grande valia para fortalecer as relações com os clientes, se e somente se os Operadores Logísticos conseguirem escutar a problemática dessas empresas e, juntos, criarem soluções para os novos desafios que se apresentam. “Os clientes buscam criatividade, prazos de pagamentos; podemos crescer com eles, sendo criativos e ganharmos a confiança deles, pois apostarão nas empresas que estiverem dispostas a parcerias. Acredito no crescimento orgânico das empresas que quiserem colaborar. E creio na simplicidade, inclusive por parte do Governo Federal. Não são necessárias obras faraônicas, como novas estradas, mas precisamos de estradas boas; precisamos que cada um faça a sua parte, com responsabilidade e espírito colaborativo”.

O futuro que ninguém (ainda) vê

Marchesan, da SEQUOIA, é cético em relação ao futuro. “Tenho uma visão bastante conservadora do que estamos passando. Estamos bem no início, existe uma dificuldade muito grande para a retomada do comércio físico e, somado a isso, acredito que teremos tempos difíceis pela frente. No país, temos uma condição especial de grande desorganização para a gestão desta crise, e muitas questões estão sem resposta: como será o consumo, como as cadeias de distribuição darão conta dessa nova maneira de consumir... Sofreremos, certamente, um nível importante de adaptação”, avalia.

O executivo da SEQUOIA diz não acreditar no que chama de ‘realidades binárias’, resumidas a apenas duas formatações. “Não acredito que a nova realidade será definida por consumo online ou físico, mas acredito que as mudanças acontecerão de maneira muito mais rápida. O omnichanel, a integração completa entre o físico e o online, terá que acontecer. O e-commerce é uma modalidade de consumo que se adapta muito fácil, mas exige da logística uma integração importante com o cliente”, diz Marchesan.

O executivo alerta que a mudança estrutural que estamos presenciando em todos os mercados exigirá do Operador Logístico ainda mais criatividade e agilidade. “Temos que entender que 'mais do mesmo' não funciona mais, porque o ‘mesmo não existe mais'. O Operador Logístico tem que, a toda hora, vestir a camisa dos clientes e adaptar as soluções e, agora, essa capacidade de flexibilidade será ainda mais importante, porque o nosso cliente vai ter que mudar a operação e, como Operadores Logísticos, teremos que viabilizar essa mudança para o cliente”.

Janaina, da TORA, prevê uma seleção natural no cenário dos Operadores Logísticos. “Acredito que o mercado dos Operadores Logísticos sairá menor dessa crise, porque alguns não sobreviverão; mas aqueles que conseguirem encontrar o equilíbrio entre uma receita minimamente plausível e adequada para fazer frente aos custos operacionais e à oferta de soluções cada vez mais customizadas, mais próximas às necessidades cliente, estarão mais capacitados a sobreviver. De qualquer forma, haverá consolidações, em um processo natural, pós crise”.

Ao final do webinar, Fernando Simões enfatizando que não cabe, neste contexto utilizar-se de retrovisores, e sim olhar adiante, concluiu com uma visão realista do cenário: “Este momento não é uma crise, é a queda no precipício; cada empresa está conhecendo o seu piso. É normal que as empresas revejam seus processos logísticos, mantenham internalizado, terceirizem... Teremos oportunidades de aquisições, fusões, teremos muitas oportunidades no futuro. Seremos obrigados a repensar nosso presente, com simplicidade e objetividade. Temos que pensar como sermos mais leves em nossas estruturas para podermos cruzar o rio e chegar à outra margem”.

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