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O Operador Logístico no caminho da modernização do setor

Por Paulo Tarso Vilela de Resende.

Operadores logísticos são empresas essenciais para a integração de diversas atividades que permitem movimentações fundamentais para a vida de qualquer país. No Brasil, números da principal representante do setor, a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), apontam que os operadores logísticos alcançam uma receita operacional bruta de R$65,2 bilhões, proporcionando 366 mil empregos diretos e 732 mil empregos indiretos, além do pagamento de impostos, tributos, contribuições e encargos em cerca de R$13,5 bilhões ao ano. Mais ainda, o operador logístico não é apenas responsável por uma atividade econômica que gera valor diretamente, mas um provedor de maior racionalidade para um conjunto de atividades que formam a logística integrada, reduzindo custos e criando competitividade em vários setores econômicos.

Acontece que o Brasil não tem formalizada uma taxonomia moderna para operadores logísticos, com suas resultantes legais e de regulamentação. O reconhecimento formal do papel do operador logístico como integrador das cadeias de suprimento é sinal de modernidade, de avanço nas relações negociais, de propostas de ganhos competitivos superiores e, finalmente, de movimentos colaborativos típicos de economias avançadas. Isso tudo porque a logística, se vista como uma vantagem competitiva, é um processo de movimentação e armazenagem de materiais, e estoques finais, com seus respectivos fluxos de informação, e que, de forma organizada, garante rentabilidade atual e futura.

Assim, o operador logístico se encaixa como um elemento essencial no fornecimento de um complexo e variado conjunto de funções, contribuindo, sobremaneira, para a criação de valor pela otimização da relação "excelência do produto e do serviço".

O objetivo principal da formalização e da regulamentação do papel institucional de qualquer função em uma cadeia de suprimentos é transformar o relacionamento baseado em preço para um relacionamento baseado na qualidade. Quando as relações em uma cadeia de suprimentos se baseiam em preços, o fornecedor procurará reduzir seus custos e fornecer apenas a especificação básica, sobretudo se barreiras formais, legais e tributárias se fizerem presentes. Em situações como essas, o cliente sempre correrá o risco de retrabalhos e múltiplas contratações, o que encarece a cadeia de suprimentos para todos. Além disso, a qualidade é também passível de ser prejudicada quando o fornecedor prioriza somente a tarefa na qual ele se especializa e tem reconhecimento formal.

A logística eficiente não mais se baseia no conceito "caminhões e galpões", e sim no suprimento "ponta a ponta", onde a tarefa principal do operador logístico é a coordenação e a canalização mais ampla, sob o paradigma da compressão do tempo de uma extremidade a outra na cadeia de suprimentos. Os operadores logísticos devem ser reconhecidos formalmente como capazes da coordenação em redes, onde o princípio regente é a capacidade de gestão cada vez mais complexa, integrando as cadeias de suprimento de ponta a ponta.

O papel do operador logístico moderno passa, então, pela sua habilidade de sistematizar informações, desenvolver estratégias de armazenagem, movimentações internas e transportes, reengenharia de processos, e consequente identificação de fornecedores especializados, ou através de ativos próprios, que irão executar as diferentes atividades na cadeia de suprimentos. A contratação de operadores logísticos pode garantir cadeias de suprimentos competitivas, independentemente do valor agregado dos produtos. Isto é, tanto os clientes que produzem commodities, quanto empresas que ofertam produtos de alto valor agregado podem usufruir de serviços ampliados.

Ao adotar uma taxonomia que define o operador logístico como a pessoa jurídica contratada para prestar, de forma integrada, por meios próprios ou por intermédio de terceiros, os serviços de transportes, armazenagem e controle de estoque, o Brasil entra em uma dimensão moderna da função agregadora de valor nas movimentações, na armazenagem, e em todas as outras atividades que valorizam as cadeias de suprimentos.

* Paulo Tarso Vilela de Resende é coordenador do Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral

(Fonte: Guia do TRC)