12/05/2022

Favela Llog vai aos locais onde o varejo formal não chega

 Favela Llog vai aos locais onde o varejo formal não chega



A Favela Log, braço de logística da Favela Holding, que opera em 112 favelas e 12 bairros do Rio de Janeiro, atendendo empresas como Procter & Gamble (P&G) e Natura, vai ganhar escala. Os empreendedores Celso Athayde, fundador da Favela Holding, e Luciano Luft, um dos três acionistas da Luft Logistics, uniram esforços com o objetivo de ampliar o acesso dos moradores das favelas ao e-commerce e ao varejo formal que “não sobe o morro”.


Convidado por Athayde, Luft passa a ser sócio, com 50%, da empresa, rebatizada de Favela Llog (com um “l” a mais) e que inaugura hoje a operação em São Paulo com a abertura de um centro de distribuição na favela de Paraisópolis.


Com operações até agora concentradas no Rio de Janeiro, a Favela Log sempre contou com a capilaridade da Central Única das Favelas (Cufa), parceiro social da Favela Holding, que está presente em mais de 5 mil comunidades espalhadas nos 26 Estados e no Distrito Federal. 


E foi essa potência que permitiu entregar mercadorias em comunidades de Norte a Sul do país, nos grandes centros ou ribeirinhas, quilombolas, que chamou a atenção de Luft durante a pandemia da covid-19. 


“Eu já conheço o Celso Athayde há muitos anos, mas essa parceria me fez perceber a capacidade de dar escala e vencer esse desafio de garantir o acesso da população das favelas a um mercado do qual muitas vezes eles ficam de fora simplesmente porque as empresas não entregam nas suas casas”, diz Luft.


Segundo Athayde, o foco da Favela Llog será o modelo que funcionou na pandemia e na ajuda aos atingidos pela seca na Bahia, que é fazer a entrega na “última milha” da logística. Por isso, a empresa estima que pode ter como clientes grandes empresas de e-commerce e logística, como DHL e Mercado Livre, além da própria Luft, que não opera na ponta do 


que não opera na ponta do consumidor, ou redes de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A Favela Log entra com a expertise de entregar produtos nas favelas e Luft com a experiência de gestão e tecnologia de distribuição de mercadorias. “Mas quem sabe como entregar nesses territórios são eles”, deixa claro o empresário. 


“Vamos operar com qualquer produto”, diz Athayde, confirmando que até fogão e geladeira podem ser entregues.


A Favela Log emprega cerca de 50 pessoas e Luft estima que a nova empresa pode ter 600 funcionários até o fim de 2023. Os empreendedores não falam em valores, nem do aporte feito por Luft, nem das expectativas de faturamento. A Favela Holding faturou R$ 178 milhões em 2021, enquanto a Luft é um empresa que fatura “por volta de R$ 1 bilhão por ano”. Ela opera na logística do agronegócio, farmacêutica e e-commerce (sem a ponta final), explica o sócio.


Fundada em 2014, a Favela Log começou a operar em um projeto montado junto com a P&G. A atividade foi ampliada em 2016 quando começou a fazer as entregas da fabricante de cosméticos Natura no território das favelas, conta Athayde. A ampliação da atividade veio junto com o programa Recomeço, projeto da Cufa, que trabalha na inserção social de egressos do sistema penitenciário. São ex-detentos, homens e mulheres, que tocam a operação da Favela Log e continuarão a ser a maioria dos funcionários na nova configuração da empresa, conta Athayde.


Athayde e Luft não revelam as projeções para a expansão da atividade, mas estimam uma demanda muito elevada justamente pela dificuldade que empresas comuns têm de operar em um território como o das favelas. Eles também estimam aumento de vendas e acesso dos moradores dessas comunidades a produtos a com preços mais acessíveis. Hoje, de acordo com dados do DataFavela, outra empresa do grupo Favela Holding, 17 milhões de pessoas moram em favelas no Brasil.


Os empreendedores lembram que muitas pessoas não compram pela internet porque seu endereço não é aceito pelos canais de venda digital, enquanto outros não possuem um endereço formal e aí não conseguem se cadastrar nas redes, ou precisam contratar transporte para levar as mercadorias da entrada da favela até sua casa. Para facilitar, os moradores de uma comunidade poderão cadastrar o endereço do centro de distribuição da Favela Llog no seu bairro em um e-commerce e retirar a mercadoria lá. “Mais pessoas vão comprar e mais empresas vão vender para os moradores das favelas”, pondera Athayde.


Luft explica que a parceria com a Favela Log é um investimento pessoal, e não da Luft Logistics. “Meu objetivo é principalmente social, mas acredito no potencial do negócio”, diz ele.


Fonte: Valor Econômico



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