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Projeto ABOL

Planos de saúde e pós-pandemia: o que o futuro nos reserva

Abol Day

Realizado em parceria com a Anhumas Seguros, o ABOL Day Online, da ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos, que contou com a participação da psicóloga e diretora de benefícios da Anhumas Seguros, Cristina Naomi Yamamoto, e do clínico e especialista em Medicina Legal e Medicina Ocupacional pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e sócio fundador da RM Consultoria Médica, Rogério Tadeu Moreira, além do diretor presidente e CEO da ABOL, Cesar Meireles, e do diretor adjunto de assuntos jurídicos e regulatórios da ABOL, Luciano do Rego Neto.

Um novo ABOL Day Online foi organizado no dia 17 de setembro, proporcionando rico debate em torno do assunto “Os impactos da Covid-19 nos planos de saúde”. Promovido em parceria com a Anhumas Seguros, o webinar contou com a participação da psicóloga e diretora de benefícios da Anhumas Seguros, Cristina Naomi Yamamoto, e do clínico e especialista em Medicina Legal e Medicina Ocupacional pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e sócio fundador da RM Consultoria Médica, Rogério Tadeu Moreira, além do diretor presidente e CEO da ABOL, Cesar Meireles, e do diretor adjunto de assuntos jurídicos e regulatórios da ABOL, Luciano do Rego Neto.

A mediação ficou por conta do conselheiro consultivo da ABOL e sócio diretor da Ripran Consultoria, Paulo Roberto Guedes. “O tema é de crucial relevância para todas as empresas, já que planos de saúde constam como a segunda rubrica nos departamentos de recursos humanos de qualquer organização e têm papel determinante na dinâmica de contratação e retenção de funcionários”, avaliou o moderador do evento.

O evento possibilitou uma profunda análise sobre o atual cenário dos planos de saúde, a política de reajustes, o papel da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) na mediação de interesses entre os stakeholders e a repercussão para as empresas que atuam no país e para a parcela da sociedade brasileira contratante dos planos de saúde complementar, setor que anualmente fatura algo em torno de R$ 200 bilhões e gasta de R$ 16 a R$ 17 bilhões em despesas operacionais – valores pagos a hospitais, clínicas, laboratórios médicos e demais segmentos.

“Mais de R$ 9,5 bilhões já foram destinados neste ano a pagamentos médicos e operacionais em saúde. O mercado abrange 47 milhões de brasileiros, número que vem se mantendo estável desde 2015, com 720 operadoras ativas nos dias de hoje”. Moreira acrescentou que a pandemia teve impacto muito negativo sobre todos os setores produtivos e de serviços. “Para se ter ideia, ao compararmos a taxa média de ocupação de leitos hospitalares nos meses de fevereiro, março e abril em 2019 e em 2020, identificam-se quedas de 10% a 20%”, detalhou o sócio fundador da RM Consultoria Médica.

Enquanto a estrutura da saúde pública era desafiada pela escala de crescimento da demanda por atendimento e internações, no universo da saúde complementar privada a suspensão de procedimentos eletivos teve resultado erosivo nas receitas de hospitais, laboratórios e todos os prestadores de serviço da cadeia, receitas essas que não foram compensadas pelas internações decorrentes da pandemia. “O que se tenta no momento é entender como a estrutura da saúde privada poderá atender à demanda que ficou represada, porque os procedimentos eletivos serão retomados, criando uma nova rotina”, questionou Moreira.

Para exemplificar o impacto sobre o volume de exames e procedimentos, apenas o Grupo Fleury, durante o pico da pandemia e do distanciamento social, acusou diminuição de 70% na quantidade de solicitações que atendia normalmente. “Isso significa menos diagnósticos, menos procedimentos médicos e menos prognósticos. Tal fato implica ausência de tratamento, o que ocasiona agravamento das condições dos pacientes. Futuramente, portanto, haverá necessidade de mais terapêuticas e intervenções, pressionando os planos de saúde”, previu o sócio fundador da RM Consultoria Médica.

Vários atores, diversos interesses

Guedes, como moderador, instou os palestrantes a discutir a questão da representatividade de todos os atores intervenientes na tríade da saúde complementar: operadoras ou seguradoras, prestadores de serviço e usuários de planos. Vale acrescentar no grupo a figura do corretor de seguros, que atua na intermediação entre as pontas. “Durante a pandemia percebemos que a sinistralidade caiu, mas as pessoas e as empresas continuaram a pagar os planos de saúde. Por essa razão, registrou-se um lucro extraordinário, uma vez que aumentou a eficiência entre pagamento de prêmio e utilização do seguro. Mesmo assim, corremos o risco de enfrentar a imposição de reajustes. Equacionar os interesses desses atores será o nosso grande desafio, porque muitas vezes as vozes estão em conflito”.

Cristina Naomi concordou quanto à preocupação sobre o aumento da sinistralidade nos planos de saúde no futuro próximo e o impacto nos valores cobrados pelas seguradoras. “Precisamos esclarecer que, apesar da ocorrência da brusca queda na carteira, de modo a surtir efeito imediato no prêmio – ou seja, naquilo que o segurado paga para a seguradora –, essa diminuição acabou por levar a relação entre prêmios e sinistros a um patamar mais saudável, de breakeven, que é de 70%. Antes da pandemia, o nível de sinistralidade se encontrava acima da média. Nós, corretores, vivemos em uma linha muito tênue, oferecendo as melhores soluções aos nossos clientes e mantendo salutar o contato com as seguradoras e operadoras de seguros – justamente as que detêm os produtos. Trata-se de uma relação difícil de harmonizar. Por isso, dizemos que ‘saúde não tem preço, mas custa muito caro’. Vale ressaltar que este não é um privilégio do Brasil; mundo afora a saúde tem custos elevadíssimos”.

A diretora de benefícios da Anhumas Seguros comentou que todo o mercado está inseguro em função do recente comunicado da ANS, que determina a suspensão, até o final do ano, de qualquer processo de reajuste nos planos de saúde complementar. “Ainda sem status de normativa, o comunicado gera muitas interpretações: as operadoras o consideram como uma suspensão temporária que permitiria, a partir de janeiro de 2021, a cobrança retroativa do reajuste não aplicado. Segundo a argumentação das operadoras, o reajuste pleiteado diz respeito à operação de 2019. A situação vai ‘dar muito pano para a manga’, e a ANS ainda nem se manifestou. Há mesmo muita celeuma no setor, e infelizmente não contamos com o respaldo da agência. Como corretores, devemos agir de modo criativo para encontrar soluções mais plausíveis aos nossos clientes”.

Na visão de Moreira, existe um descompasso na atuação da ANS. “Realmente, as agências no Brasil (e a ANS não é exceção) parecem não estar atentas aos elos mais frágeis nessa cadeia. Estamos falando de uma tríade (operadoras, prestadores de serviço e usuários), e nos parece existir um descasamento na leitura da agência dos diversos interesses dos atores envolvidos. Um modelo de arbitragem adicional, dotado de isenção e imparcialidade, seria de extrema valia para garantir representatividade a todos os interesses. Com o poder que tem a ABOL e outras tantas associações, devemos pressionar para que as agências assumam e desempenhem de fato o seu papel”, comentou.

Diante do impasse dos interesses conflitantes, Guedes indagou a quem os usuários de planos de saúde, sejam pessoas físicas ou jurídicas, devem recorrer para ganhar representatividade e obter orientações imparciais sobre como agir. “Nós, como empresários, o que devemos fazer: tratar com os corretores e delegar essa discussão ou organizarmo-nos em grupos, entidades e câmaras arbitrais para argumentar diretamente com a agência?”.

Meireles, na sua intervenção, afirmou ter a impressão de que os usuários de planos de saúde estão órfãos de representatividade. “Parece-me que o usuário fica subordinado à pressão de mercado. Mencionei a relevância de contar com uma agência de arbitragem porque, ao que tudo indica, não temos mais a quem recorrer. Estruturarmos uma câmara arbitral pode viabilizar uma plataforma de defesa, unindo-nos àqueles que se percebem prejudicados”.

O diretor presidente e CEO da ABOL frisou que os Operadores Logísticos são responsáveis pela geração de 530 mil empregos diretos no Brasil. Quando consideradas as cadeias periféricas, esse número extrapola a fronteira de 1 milhão de vagas. “Se nossa indústria se unir, ganhamos presença e peso junto à ANS objetivando a criação de uma câmara arbitral com sólida base jurídica, poderemos provocar um efeito absolutamente reverberador, capaz de abrir precedentes positivos para todo o mercado. Na ausência de representação, precisamos nos juntar para a definição de nossos direitos e deveres e ensejar a harmonização entre as partes. Devemos usar a magnitude da nossa associação e do setor para ganhar voz e buscar nossa defesa com a legitimidade que nos caracteriza”, concluiu.

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