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AliExpress passa a trazer produtos da China para o Brasil em até sete dias

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O AliExpress agora consegue importar produtos em até sete dias da China para o Brasil. Em expansão no País, a empresa vai fretar seis voos por semana para transportar os produtos comprados pelos brasileiros. “Antigamente tínhamos quatro voos fretados (por semana), aumentamos para cinco, e estamos providenciando o sexto”, disse ao Estadão/Broadcast o responsável pela operação brasileira do AliExpress, Yan Di. Ele vê a abertura da plataforma para lojistas virtuais brasileiros como algo inevitável, e que deve acontecer “em breve, no sentido chinês” de rapidez.

Embora o braço da gigante chinesa Alibaba não revele o quanto fatura por aqui, tem cerca de 33% do mercado de venda de produtos importados, o chamado crossborder, segundo a consultoria Conversion. É o líder neste segmento, à frente da americana Amazon, por exemplo.

O prazo de sete dias de importação conta o tempo de viagem do produto da China até a alfândega brasileira; daí em diante, começa outro processo. O transporte do aeroporto internacional até a casa do cliente é operado principalmente pelos Correios, que têm no máximo cinco dias para levar a encomenda até o consumidor em regiões como a Grande São Paulo.

O AliExpress diz que, nos próximos meses, esse prazo da “última milha” será estendido para todas as principais regiões metropolitanas e grandes cidades do País. Questionado a respeito da eficiência desse modelo, Di destaca a alta capilaridade dos Correios e diz que o AliExpress pode vir a complementar a malha logística no futuro, sem deixar de lado a parceria.

Eugênio Foganholo, sócio da consultoria especializada em varejo Mixxer, considera que a companhia chinesa acerta ao reduzir o tempo de importação, embora o consumidor seja mais paciente com o período de espera nessa categoria de e-commerce. “Reduzir o tempo de entrega para o Brasil é bastante relevante. Além disso, as pessoas, sabendo que os produtos vêm da China, têm mais paciência para aguardar. Até porque, em geral, os preços são muito competitivos”, afirma.

Segundo Di, o consumidor brasileiro médio do AliExpress é adulto, tem 35 anos e chega a consumir até R$ 1.900 por mês no e-commerce. Pelo volume de compras dos clientes, estima-se que boa parte deles compre para revender os produtos em outros marketplaces. “Você escolhe se compra nossos produtos diretamente dos nossos vendedores ou de vendedores em outros marketplaces”, diz o executivo.

Para esse recorte de revendedores, que busca a compra de atacado, o preço é ainda mais importante. Di afirma que os produtos da plataforma são cerca de 39% mais baratos do que em outros lugares. “Essa porcentagem vira margem para quem revende os produtos”, explica.

Loja brasileira

No entanto, o Alibaba não pretende estar no Brasil apenas via crossborder. Abrir a plataforma para vendedores locais é uma “questão de tempo” para o AliExpress, segundo Di. Ele vê essa abertura como inevitável e avalia que a importação de produtos e o comércio local devem conviver bem, uma vez que o primeiro garante preço, enquanto o segundo prioriza a rapidez e a conveniência na entrega.

“Em breve, no sentido chinês”, diz a respeito sobre quando deve se concretizar essa próxima etapa dos planos da empresa, que exigiria, inclusive, o lançamento de um centro de distribuição no País. A inserção desses vendedores brasileiros no crossborder para outros países, aliás, também está nos planos.

Neste próximo passo, Foganholo, da Mixxer, pondera que há desafios logísticos que a companhia chinesa teria de superar. “A implantação como marketplace no Brasil é um movimento muito mais complexo. Se eles ficarem dependentes dos Correios, a tendência é que não sejam bem-sucedidos”, afirma o consultor. A logística, segundo ele, é um dos fatores cruciais na competição entre os marketplaces locais, e as empresas correm para aprimorá-la. Assim, o AliExpress ainda teria de mostrar como planeja complementar os serviços de seu maior parceiro de entregas.

Questionado ainda sobre o controle da plataforma em relação a produtos falsificados e que infrinjam políticas da empresa, Yan Di afirma que o AliExpress tem mecanismos para fiscalizar esse tipo de delito e que garante a qualidade de seus produtos ao usuário, além de adotar mecanismos de devolução de itens e ressarcimento do valor pago aos clientes que são lesados de alguma forma. Para ganhar musculatura nessa frente, a companhia investiu em uma equipe local de atendimento ao cliente.

Fonte: Estadão

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