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Em meio à pandemia, portos intensificam ações de sustentabilidade e qualidade de vida

Crise sanitária provocada pelo novo coronavírus nos impõe reflexões importantes sobre o futuro das próximas gerações. E esse debate atravessa questões relacionadas à qualidade de vida e ao meio ambiente

A crise sanitária provocada pelo novo coronavírus nos impõe reflexões importantes sobre o futuro das próximas gerações. E esse debate atravessa questões relacionadas à qualidade de vida e ao meio ambiente. Desse modo, os diversos setores da economia já entendem que o processo de retomada no contexto de pós-pandemia precisa andar de mãos dadas com as questões ambientais. Os portos brasileiros, entendendo o impacto que sua atividade pode provocar no meio ambiente e na cidade do entorno, vêm buscando intensificar não apenas o cuidado com a saúde da comunidade portuária, como também ações e projetos visando à sustentabilidade e a garantia da qualidade de vida da população.

O diretor de meio ambiente da Portos Paraná, João Paulo Ribeiro Santana, acredita ser pertinente nesse momento reforçar a reflexão sobre como as atitudes no setor portuário podem provocar alterações no meio ambiente. E, a partir daí pensar medidas que busquem atender as demandas da população sem causar impactos para as gerações futuras. Nesse sentido, ele defende a importância do constante monitoramento ambiental das atividades portuárias a fim de agir para mitigar possíveis efeitos negativos.

Uma dos projetos com base na sustentabilidade vem sendo a adesão a tecnologias sustentáveis. O objetivo é que aos poucos o Porto de Paranaguá possa executar a transição de matrizes energéticas, bem como propor e executar as mudanças de hábito “em todas as escalas”, que a atual situação global impõe.

Embora segundo o diretor de relações com o mercado e planejamento da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), Jean Paulo Castro e Silva, ainda não seja possível citar mudanças significativas no quesito responsabilidade ambiental, já se percebe, de forma mais ampla, maior preocupação com ações solidárias. O Porto do Rio de Janeiro, por exemplo, vem formando uma rede com as empresas que atuam no porto, com o intuito de contribuir com as populações carentes do entorno e com os centros de saúde comunitários.

Além disso, ele destacou que a CDRJ vem implantando ações conjuntas para a criação de ações interinstitucionais de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. Um exemplo disso, segundo ele, é a participação da companhia na Rede Recicla Porto, que congrega diversas organizações que atuam na região portuária, promovendo ganhos de escala em ações de sustentabilidade ambiental, com a coleta seletiva de lixo e convênios com associações de catadores.

Um dos aspectos importantes atualmente, inclusive, tem sido com o descarte dos materiais utilizados para a proteção e segurança dos trabalhadores portuários contra o coronavírus, como é o caso de máscaras, luvas e até mesmo garrafas de álcool gel. A CDRJ informou que a adquiriu coletores de resíduos de saúde que foram distribuídos nos pontos de acesso aos portos, para coleta de luvas e máscaras descartáveis. Quando os coletores enchem, são recolhidos para posterior destinação por uma empresa especializada nesse tipo de resíduo.

Preocupado com a possibilidade do aumento de resíduos em plena pandemia sanitária, o Porto do Pecém afirmou que a maioria da comunidade portuária adotou o uso de máscara laváveis no lugar de máscaras descartáveis. E sobre os demais equipamentos, a destinação tem sido feito de acordo com suas características A gerente ambiental e segurança do trabalho do Complexo do Pecém, Ieda Passos, apesar de não haver geração de resíduos hospitalares no interior do porto, existem contentores de infectantes (classe A) e perfurocortantes (classe E) caso haja necessidade de utilização do material, com a correta destinação desses resíduos.

Além disso, ela afirmou que de modo geral, em razão da pandemia, o porto vem observando uma diminuição no quantitativo de resíduos gerados e menos resíduos jogados no mar pela população.

Entre os projetos realizados pelo Pecém, Ieda destacou dois deles que ela considera fundamentais no atual contexto de pandemia. Um deles é o “Rede Protege”, que consiste na distribuição gratuita de máscaras feitas por costureiras da comunidade do entorno do Complexo do Pecém. O outro projeto é o "Solidariza Pecém", que está sensibilizando os colaboradores e as empresas instaladas no Complexo do para doarem cestas básicas e kits de higiene para aquelas comunidades.

Além disso, outros projetos não pararam como é o caso da redução de descartáveis (distribuição de copos), a redução de consumo de papel (configuração padrão das impressoras para economia de papel e tinta), e a instalação de coberta no estacionamento com placas fotovoltaicas. Este último com o objetivo de redução do consumo médio de energia elétrica no porto.

O Porto de Fortaleza afirmou que tanto nas condições atuais quando normais, a preocupação com as questões ambientais sempre estiveram presentes, sobretudo que se refere à destinação de resíduos para evitar riscos sanitários para a cidade. A diretora-presidente Mayhara Chaves da Companhia Docas do Ceará (CDC), disse que ao receber embarcações vindas de outros lugares, os resíduos gerados a bordo são coletados e encaminhados aos locais de destinação final, licenciados pelos órgãos ambientais competentes. Já os resíduos que necessitam de tratamento com incineração são encaminhados diretamente pelo prestados de serviço especializado.

No caso de recipientes reutilizáveis, como é o caso das garrafas de álcool em gel ou álcool, Mayhara destacou que a recomendação é reaproveitar com reechimento do mesmo produto, desde que o recipiente esteja em boas condições de uso.

Santana, da Portos do Paraná ressaltou que além da execução dos programas ambientais e da tomada de medidas de enfrentamento à pandemia, o Porto é signatário dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Isso faz com que tenha um papel importante dentro do estado para atingir as metas da Organização. Uma das ações relacionadas ao atingimento desses objetivos é executada através do programa de compensação à atividade pesqueira, onde o Porto está reformando e irá construir, ao todo, 14 trapiches nas comunidades pesqueiras da baía de Paranaguá e Antonina.

Consonantes também com os objetivos das Nações Unidas, estão também as ações realizadas pelo Porto através do Programa de Educação Ambiental, que tem sido enfocadas no fortalecimento das associações comunitárias, empoderamento destas comunidades, conscientização e melhoria das condições de saneamento básico, entre outras ações.

A Portos Paraná estuda ainda a possibilidade de reaproveitamento dos resíduos orgânicos oriundos da atividade portuária para a geração de energia através do seu processamento em biodigestores. Se efetivado, este projeto deve trazer uma série de ganhos ambientais, com a redução da quantidade de resíduos que são destinados ao aterro, redução de emissão de gases relacionados ao efeito estufa e geração de energia limpa e produção de digestato (resíduo da biodigestão).


Fonte: Portos e Navios

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