Selo ABOL

« voltar para publicaçõesA responsabilidade dos operadores logísticos neste novo mundo novo!

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Prezados(as) Senhores(as),


Como de praxe nesta época do ano, expedimos texto com um pensamento que procure refletir o entendimento da nossa entidade, a ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, em relação ao setor.

Assim, abaixo, o fazemos, esperando que tenham uma prazerosa leitura, deixando, contudo, o nosso Canal Aberto disponível, quer seja para discussão, questionamento, quer seja para encaminhar sua opinião a respeito da nossa entidade, do nosso trabalho e da nossa agenda. 

Sentir-me-ei regozijado em receber vossos comentários através do meu e-mail cesar.meireles@abolbrasil.org.br, ou através de uma das nossas redes sociais.


Logística e terceirização

Não há dúvida que o mundo vive grandes incertezas e passará por grandes transformações nos próximos anos, alterando não só o comportamento das pessoas e da sociedade, mas também as características dos mercados, com novos competidores e consumidores.

Motivos hão de sobra para que toda a sociedade, e não só os setores produtivos, discutam profunda e seriamente, como se reestruturar e adaptar-se à nova realidade, faça-se mister. Tornam-se imprescindíveis, portanto, discussões a respeito dos novos modelos de negócios, das novas formas de gestão e, principalmente, do novo tipo de profissional a ser contratado e, principalmente, formado.

E uma das principais realidades deste novo constructo de negócios, não só no Brasil mas em todo o mundo, é a terceirização dos serviços logísticos, principalmente agora que os maiores usuários desses serviços passaram a entender ser este um dos caminhos mais curtos e econômicos para se aumentar a eficiência logística de suas cadeias de suprimento e de distribuição, reduzindo estoques, melhorando o atendimento aos clientes, investindo menos em ativos e, consequentemente, diminuindo custos.

Dados da Armstrong & Associates, Inc., relativos à 2018, dão conta de que de um total de US$9,2 trilhões gastos em logística no mundo todo (cerca de 10,9% do PIB mundial), dez vírgula três porcento (10,3%) foram através de serviços terceirizados, ou seja, mais de US$950 bilhões. O Brasil, em termos de terceirização dos serviços logísticos, contudo, está um pouco abaixo da média mundial, cerca de 9,2%. Há muito ainda para ser terceirizado.

Observa-se, como demonstram diversas pesquisas, que, se no começo do processo esses empresários “compravam” serviços logísticos mais simples, agora terceirizam atividades mais complexas e sofisticadas, sempre buscando a melhoria de seus processos, inclusive aqueles voltados à geração, produção, tratamento rápido e fidedigno dos dados e das informações fundamentais, que terminam por levar as empresas a buscarem operadores logísticos que primam, cada vez mais, pelo desenvolvimento tecnológico, por programas de gerenciamento de riscos mais eficientes, eficazes e, claro, com requisitos superiores de qualidade.

Como o uso de tecnologia é indissociável da presença de cabeças privilegiadas, o olhar para talentos e mentes bem preparadas e formadas, faz-se necessário, como visto acima quanto a contratação e formação de profissionais de alta qualificação técnica e gerencial.

Como resultado, a terceirização das atividades logísticas passou a ser cada vez mais comum, não só em volume, em quantidade de serviços prestados, bem como na sofisticação desses serviços, em todos os segmentos da atividade econômica, em todas as cadeias produtivas. Não sendo à toa, como indicam os últimos levantamentos, que tem aumentado o número de operadores logísticos em atividade, assim como o faturamento médio de cada um deles em todo o mundo.

São diversos os motivos pelos quais as empresas terceirizam suas atividades logísticas, sendo a busca pela redução de custos, um dos mais conhecidos. Variáveis relativas à qualidade, à segurança (inclusive das informações disponibilizadas), à garantia de entrega dos serviços contratados, ao relacionamento e à ética, também passaram a ter importância aumentada em todo e qualquer processo de seleção para contratação de operadores logísticos.

A busca por maior eficiência operacional, redução de investimentos em ativos, foco no core business da indústria, da agroindústria e do comércio em si, além de maior flexibilidade operacional e acesso junto às tecnologias mais avançadas, também são apontados como itens importantes de avaliação.

Quando são realizadas pesquisas a respeito dos motivos pelos quais os operadores logísticos são dispensados e substituídos por outros, entretanto, os resultados chamam a atenção. Pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) em 2017 indicou que 94% dos entrevistados trocaram de operadores logísticos em face da má qualidade dos serviços prestados.

Em uma outra análise, outros 56% consideravam o operador logístico pouco flexível a mudanças e, cinquenta e dois por cento (52%) declararam baixa capacidade de propor novas soluções.

Analisando-se o estudo mais detalhadamente, verifica-se que no momento de se decidir sobre a rescisão de um contrato com um determinado operador logístico, os motivos que mais ganharam ênfase foram: (a). dificuldade de relacionamento; (b). pouca capacitação tecnológica; e (c). problemas éticos.

Variáveis como “experiência do operador logístico” e “qualificação de seu pessoal”, consequentemente, tem tido lugar importante nos processos de seleção do operador logístico, motivo pelo qual a quase totalidade dos operadores logísticos investem percentuais significativos no desenvolvimento de seus funcionários e de seus colaboradores terceirizados; em certificações de qualidade; desenvolvimento tecnológico, inovação, modernização e melhoria de suas instalações, infraestrutura e equipamentos operacionais e/ou administrativos.

Na medida em que a logística passou a frequentar o topo da hierarquia das organizações, notadamente entre as médias e grandes empresas, ela foi se alinhando à própria estratégia empresarial, não se limitando a instituir processos de compra que apenas avaliassem os preços dos serviços a serem adquiridos.

Enquanto junto aos tomadores de serviços, consolidou-se a compreensão de que a compra de serviços logísticos é muito mais complexa do que a compra de commodities, os operadores logísticos passaram a entender que, além de serviços com preços competitivos, é essencial agregar, além de utilidade, valor ao cliente, exatamente em momento o qual o mercado exige mais qualidade, excelência operacional, segurança, atitudes inovadoras e respeito ao meio ambiente, à ética e à legalidade.

Comprar e vender serviços logísticos, portanto, são atividades que precisam ser realizadas de forma apropriada, posto que diferentemente das commodities, exige-se competências específicas e aplicadas na solução de operações complexas, diferenciadas e que precisam ser desenvolvidas com e para cada cliente.

Não há receita única, uma vez que é necessário respeitar as estratégias de cada cliente, as características de cada produto, de cada região, e de cada mercado.

Diante disso, mais uma certeza solidificou-se: a terceirização logística somente ocorrerá se o tomador desses serviços tiver certeza de que o operador logístico a ser contratado, além da capacidade operacional e dos conhecimentos técnicos exigidos, também terá condições de entender e respeitar a cultura, os costumes e os tempos do cliente, assim como das demais empresas que compõem a sua cadeia de fornecimento, abastecimento e distribuição.

Aqui, vale à pena uma breve observação sobre a tendência e o futuro (já bem próximo) da logística, na medida em que a tecnologia terá importância cada vez maior no contexto empresarial.

Considerando que a percepção dos novos cenários e padrões de consumo, os quais exigem qualidade, rapidez, integridade e informação, assim como o foco no cliente e na sustentabilidade, a solução da “última milha” (last mile), notadamente nos grandes centros urbanos, a visibilidade da operação e a realização do “pedido perfeito”, serão atividades comuns a todos.

Por outro lado, faz-se necessário que os profissionais de logística conheçam e acompanhem de perto a evolução tecnológica, a exemplo da Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial, Blockchain, Computação Quântica etc. O caminho para o aumento de produtividade, de melhoria operacional, de eficiência e de compreensão a tudo o que acontece, será criado, sem dúvida, pelo aproveitamento positivo da tecnologia, vis-à-vis a correta atuação e interação humana nesses processos.

Pesquisas realizadas por institutos de renome em todo o mundo, têm demonstrado que o prestador de serviços logísticos pode vir a ser um grande parceiro na cadeia de valor e que a terceirização logística e, quando feita de forma estratégica, não só libera energia para que as empresas se dediquem com mais foco aos seus próprios negócios, como também ajuda no aperfeiçoamento das atividades de Supply-Chain Management (SCM).

E se terceirizar a logística é preciso, tomar os devidos cuidados com os processos de compra, seleção e contratação do operador logístico, entendendo-o como uma empresa que presta serviços feitos sob medida (tailor-made), também passou a ser pressuposto fundamental.


Logística no Brasil

Como demonstram diversos exemplos do mundo mais desenvolvido, e se constata nas mais variadas pesquisas e estudos realizados, a melhoria do desempenho logístico sempre veio precedida de atividades de transporte eficazes, principalmente na medida em que, via matriz de transporte menos dependente do rodoviário, a multimodalidade assume papel importante, transformando-se em uma de suas principais tendências e estratégias de geração de valor.

Consequentemente, os esforços voltados à expansão da infraestrutura logística e de integração de todas as suas operações, e em todos os modais de transporte, com prática efetiva da multimodalidade, são realidades nos países mais desenvolvidos, nos quais são obtidos resultados satisfatórios, quer seja em termos de custo, quer seja em eficiência.

Há que se ressaltar, inclusive, que em países desenvolvidos, os projetos e obras voltadas à infraestrutura logística, na grande maioria das vezes, são entregues no tempo e ao custo previamente acordado em seus orçamentos. Isso faz, efetivamente, imensa diferença, quando comparado com os países menos desenvolvidos.

Assim também deve ocorrer com os investimentos necessários ao desenvolvimento das melhores práticas e das tecnologias voltadas à logística, posto que estes são assegurados e realizados de acordo com o programado.

Nesses países, com expressiva participação do setor privado, busca-se interconectividade, automação, robotização, tecnologias e softwares sofisticados para a gestão de armazéns e de estoques. Desenvolvem-se equipamentos especializados no suprimento de “estruturas inteligentes”, de grandes dimensões e em regiões densamente povoadas.

Maior eficiência no monitoramento e no gerenciamento de riscos, bem como apólices de seguro com coberturas específicas e adaptadas à nova realidade logística, também fazem parte dessa lista de inovações e de melhores práticas que têm como objetivo dar à logística uma eficácia correspondente aos anseios e às necessidades do mundo moderno.

Enquanto isso no Brasil, não se limitando à carência da infraestrutura, à falta ou erros regulatórios, de planejamento e do pouco interesse dos governos em suas várias instâncias, com relação ao tema, o problema logístico brasileiro vai além, como bem se vê corroborado nos muitos indicadores de performance global.

Alguns desses indicadores, publicados pelo Banco Mundial, a exemplo do Índice de Performance Logística (Logistics Performance Index – LPI), indica que, em 2018, dentre 160 países analisados, o Brasil alcançou a 56ª posição geral ao obter nota média de 2,99 (num total de 5). No quesito “competência e qualidade dos serviços logísticos”, alcançou a 46ª posição, obtendo nota média de 3,09.

Confirmando as análises do Bando Mundial, que classifica o Brasil como “regular”, o ILOS, em estudo datado de 2017, ao comparar a utilização de melhores práticas logísticas, numa escala que varia de 1 a 100, apurou que o desenvolvimento das atividades logísticas entre as grandes indústrias brasileiras equivale à nota 65, dentre esses requisitos, vemos o transporte, com 55, e TI, com 49, como sendo as piores notas.

Já em relação às empresas analisadas, em mais de 100 delas, apenas 15 puderam ser classificadas como “empresas de referência”, cuja maior nota foi 92 (nenhuma delas alcançou a nota máxima de 100), enquanto que, as demais foram classificadas como “a desenvolver” ou “em desenvolvimento”.

As maiores diferenças, entre o índice alcançado pelas empresas consideradas como “referências” (nota 92) e a média obtida no mercado, foi TI (gap de 36 pontos) e Armazenagem (gap de 25 pontos).

Nesse estudo, que também tratou de avaliar o grau de avanço tecnológico em nossas atividades de logística e supply-chain (“Sofisticação da Logística Brasileira” – ILOS 2017), as respostas dadas por 102 empresários de 18 segmentos econômicos diferentes, mostraram que ainda estamos distantes do que se pratica em países mais avançados.

No questionário realizado, setenta e dois por cento (72%) dos entrevistados responderam que não havia qualquer perspectiva de se utilizar robôs em seus armazéns; sessenta e quatro por cento (64%) em utilizar transelevadores; cinquenta e seis por cento (56%) em utilizar roteirização dinâmica e em tempo real; e, cinquenta e três por cento (53%) na utilização de instrumentos que deem visibilidade de disponibilidade de estoque para seus clientes.

Quando a pergunta voltava-se ao que efetivamente não praticavam, oitenta e três por cento (83%) responderam “utilização de drone em algum processo logístico”; cinquenta e seis por cento (56%) em “utilização de Internet das Coisas” nas operações logísticas; cinquenta e um por cento (51%) em “aplicativo para contratação de fretes”; e, cinquenta por cento (50%) na utilização de “Radio-Frequency IDentification (RFID) na logística”.

De acordo com outra pesquisa, “Visibilidade no Supply-Chain (SC) – O papel da tecnologia”, elaborada pela Rede Transparência e Sustentabilidade de Negócios e a Coppead da UFRJ, divulgada no último Fórum Internacional de Logística do ILOS, apenas 10% das 112 empresas pesquisadas responderam que já adquiriram tecnologias de coleta e análise de dados juntamente com seus clientes.

A pesquisa revelou também que apenas 10% das empresas pesquisadas reconheciam ter o total de suas equipes de SC capacitadas para utilizar ferramentais analíticos e avaliar de forma qualificada os dados recebidos. Os mesmos 10% se repetem quando a pesquisa avaliou “Visibilidade do SC”, pois, tanto a logística, quanto o SC no Brasil, têm muito o que avançar!

Não há que se estranhar, portanto, quando estudos e pesquisas comprovem um cenário logístico extremamente insuficiente para um País que quer ter maior inserção no comércio mundial e almeja alcançar melhores índices de crescimento e desenvolvimento econômico.

É de fácil observação a confusão funcional dos diversos órgãos que discutem e planejam a logística no país.

A desconexão das políticas públicas em suas diversas esferas e destas com as demais áreas envolvidas, a politização dos cargos nas agências reguladoras, nos ministérios e nos departamentos técnicos especializados no assunto, as indefinições com respeito aos marcos legais e regulatórios, a fragmentação dos núcleos de gerenciamento e a falta de políticas claras de investimentos, de participação do setor privado e das garantias correspondentes, como já salientado, são problemas reais e que dificultam a obtenção de maior eficácia na logística.

As constatações observadas vêm sendo, paulatinamente, tratadas pela ação direta do Ministério da Infraestrutura, o qual, com ações de prioridade, vem trabalhando uma inércia de anos, fazendo com que uma agenda positiva venha sendo realizada.

Mas se por um lado é necessário que o governo, no caso o Ministério da Infraestrutura, desempenhe papel inovador e adaptado à nova realidade, torna-se imprescindível que o setor privado, de forma imperativa, também participe desse esforço nacional, investindo e aperfeiçoando, cada vez mais os conhecimentos em logística e SC.

Costumamos dizer na ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos que tecnologia não tem fronteira, basta que a economia pague por esse incremento tecnológico que de imediato se instala a solução necessária, e os operadores logísticos estão aptos, e são extremamente céleres no provimento destas mudanças em inovação.

Para tanto, será necessário que as empresas deem a essas atividades, importância compatível, capacitando seus profissionais (diretos e indiretos), utilizando melhor a tecnologia, promovendo a inovação e buscando entender, muito mais profundamente de como se faz atualmente, as exigências de seus clientes e suas redes de abastecimento e distribuição, bem como de todos os demais stakeholders.

Em entrevista dada à revista Conjuntura Econômica de novembro de 2018, o economista e professor da Unicamp, Fernando Sarti afirma que (sic) “há uma revolução tecnológica em pleno processo, a quarta revolução industrial e nós ainda não internalizamos nem a terceira”, completando que o “enorme atraso na fronteira tecnológica não vem de agora”, o que nos expõe e nos jacta à necessidade imperativa de que estamos diante da irreversibilidade, do non return point, isto é, não há outro caminho senão o investimento na logística e na tecnologia para o destravamento da economia brasileira.


Considerações finais, por Paulo Roberto Guedes, Conselheiro Consultivo da ABOL.

Muitos são os pensamentos que tratam de inovação, ou em relação àqueles que não as compreenderam ou não as implantaram. Reproduzimos a seguir, duas frases pinçadas do e-Book das 50 corporações que falharam por não inovarem. Uma, de Phil McKinney, CEO da CableLabs:

“Sem uma estratégia de inovação robusta e resiliente, nenhuma empresa pode sobreviver”.

Outra, do Maxwell Wessel, gerente geral da SAP.iO:

“A falha da Xerox em conquistar o mercado de computação pessoal – isso apesar de desenvolver tecnologia revolucionária – demonstra a importância de alinhar todos os segmentos da sua organização na busca da inovação”.

Não há dúvida, portanto, que estratégia e alinhamento organizacional são fundamentais para que as empresas, ao se adaptem aos “novos tempos”, promovam um ambiente no qual sejam privilegiadas a inovação e o desenvolvimento tecnológico.

Óbvio que isso se faz através de pessoas, posto que as organizações são um conjunto dessas pessoas trabalhando na busca dos mesmos objetivos.

Sendo esse pressuposto verdadeiro, não há mudança que seja somente “técnica”. Ela também é comportamental (e até de costumes), exigindo que se busque soluções nesse sentido. Mudança, inovação e evolução tecnológica são fenômenos inexoráveis e fazem parte do dia-a-dia de todos nós, notadamente neste século.

É compreensível, por outro lado, que a busca de melhorias contínuas no desenvolvimento de processos automáticos / autônomos – muitos já existentes nos paíseis mais desenvolvidos -, de coleta, inserção (BigDatas) e, principalmente, de análise de dados em quantidades cada vez maiores, proporcionadas pela computação cognitiva e a inteligência artificial, exijam aperfeiçoamento, aprendizado e capacitação constantes.

Como escreveu o empresário e professor da USP Sérgio Rodrigues Bio, em “Do Empreendedorismo ao Empresadorismo” (Alta Books Editora – 2019): “o desenvolvimento de habilidades e competências profissionais constitui-se num ativo inalienável das pessoas. As empresas, em larga medida, são o campo em que se pode transformar o conhecimento adquirido nos bancos escolares em competências profissionais remuneradas. Empresas são o ‘palco’ dos processos, questões e desafios que exigem a aplicação do conhecimento e do comportamento requeridos para equacioná-los. Muitas empresas tratam de criar seus próprio programas de desenvolvimento e treinamento de operários, funcionários administrativos, especialistas e executivos”.

E mais, escreveu o professor Sergio: “para além da satisfação e melhoria profissional que pode advir do aprimoramento de competências, as pessoas buscam um sentido de contribuição, um significado no trabalho. As empresas podem (o que nem sempre ocorre) prover condições de um trabalho significativo que preserve o sentido de contribuição e a autoestima das pessoas”.

Ao publicar artigo para o Estadão, em 14/10/2019, com o título de “Propósito corporativo não é slogan nem filantropia, é o novo normal do capitalismo”, para explicar porque “propósito corporativo vem se tornando tão relevante na gestão empresarial moderna”, Yacoff Sarkovas, fundador da Sarkovas Consultoria e ex-sócio da Edelman Brasil, escreveu: “Se há divergência quanto ao que é propósito, há convergência sobre seus predicados: gera mais significado para o trabalho das pessoas, orienta planos de longo prazo, motiva a empresa para grandes esforços, inspira e direciona a inovação, identifica a marca para seus públicos. Esse conjunto de benefícios só é obtido quando o propósito é genuíno e real, materializado nos produtos e nas atitudes da empresa”.

Já o economista e conselheiro emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais do Conselho Empresarial da América Latina, Roberto Teixeira Costa, no livro “Mercado de Capitais – Uma Trajetória de 50 Anos”, publicado em 2006, escreveu: “No entanto, maior responsabilidade social dos empresários é fato novo. É um movimento que teve seu início há não mais de 20 anos”.

Agora, em artigo publicado pelo jornal o Estado de São Paulo, em 31/10/2019, complementou, o insigne conselheiro: “Quando comecei a trabalhar, essa preocupação (responsabilidade social dos empresários) não fazia parte do receituário das empresas. De qualquer forma, é bom que se frise que se trata de um conceito muito amplo, quando se trata de um empresário. Você vive em uma comunidade constituída por clientes, fornecedores, empregados, meio ambiente, Estado e seus acionistas. O que interessa é como você se relaciona – de maneira íntegra, honesta e decente – com essas pessoas e instituições, respeitando os seus direitos e tendo obrigações claramente definidas em relação a esse público”.

Resumindo, é fundamental que os executivos e profissionais em posição de comando, comecem a pensar e agir “fora da caixinha’. Além da competência, da crença no mercado competitivo (sem recorrer de forma automática ao governo sempre que estiver em dificuldade) e da providencial distância das “amizades conflitantes”, quando não suspeitas, é preciso compreender o quanto é grandioso trabalhar para o sucesso de seus subordinados, seus familiares, suas empresas e seus países, tendo a real dimensão dos reais impactos de suas ações junto à toda a sociedade, pois ao final de tudo, de um jeito ou de outro, essas ações irão impactar – para o bem ou para o mal - a vida de milhões de pessoas.

A ABOL acredita na mudança contínua, tanto pela inovação tecnológica, quanto através das pessoas, tanto é que, já nos seus primeiros estudos, na frase de abertura do Sumário Executivo, publicado em 20 de março de 2015, traz o pensamento do economista John Maynard Keynes (1883-1946):

“A verdadeira dificuldade não está em aceitar novas ideias, mas em escapar das ideias antigas”.

Esta frase foi grafada para, não só introduzir a entidade no mercado brasileiro, levando no cerne do pensamento do notório economista, mas por ser considerada um dos seus pressupostos corporativos.


Considerações finais, por Cesar Meireles, Diretor Presidente da Diretoria Executiva da ABOL.

No dia 17 de julho de 2019 completamos sete anos de fundação da ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos.

Uma agenda rica foi preenchida e empreendida, registrando vários reconhecimentos, a exemplo do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, da SMS-MG - Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais, da SEFAZ-SP - Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, dentre outros órgãos públicos intervenientes, anuentes e reguladores, cumprindo, assim, nossos pressupostos fundamentais, estabelecidos lá nos idos da nossa fundação.

Reforçando nossa missão e visão institucionais, realizamos parcerias estratégicas com o setor privado, como a CNT - Confederação Nacional do Transporte, ALALOG - Associação Latinoamericana de Logística, CIT - Câmara Interamericana de Transporte, FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Sindusfarma - Sindicato da Indústria Farmacêutica, CRF - Conselho Regional de Farmácia, dentre outras.

Regozijamo-nos do quanto avançamos até aqui, mesmo sabedores do largo caminho que temos a percorrer. Comemoramos nossas muitas parcerias, como a que mantemos com a FDC - Fundação Dom Cabral, realizando estudos e projetos; com o ITL - Instituto de Transporte e Logística, na realização de cursos de pós-graduação executiva; com a Integration Consulting, realizando estudo de benchmarking de excelência operacional e inovação; com a Korn-Ferry / Hay Group, produzindo, bianualmente, pesquisa de cargos, salários e benefícios do setor, através de Club Survey estruturado para servir nossos associados, bem como outras de grande valor.

Hoje, orgulhosamente, vemos que o planejamento estratégico edificado no nosso I Congresso, em 2015, está sendo rigorosamente cumprido com atitudes transparentes e republicanas. No mês de agosto, realizamos nosso V Congresso ABOL, o qual, com uma agenda fantástica, logrou grande êxito, haja vista, o elevado interesse dos nossos 32 associados, que inscreveram e participaram do summit anual, com 64 congressistas, todos C-Level dentro das suas empresas.

Ao findar esta mensagem, desejando a todos um Excelente Natal e um Ano Novo repleto de saúde, paz e realizações, queremos, em nome do nosso Conselho Deliberativo e de nossos associados, agradecer a todos aqueles que cooperaram, torceram e apoiaram nossos projetos e trabalhos em benefício do setor, e do país.

São Paulo, 22 de dezembro de 2019

Um abraço.

Cesar Meireles                                                                  Paulo Roberto Guedes

Diretor Presidente                                                              Conselheiro Consultivo

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