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« voltar para publicaçõesCustos logísticos do Brasil: a abordagem do Banco Mundial vs. o estudo do ILOS

Prezados(as) Senhores(as),

Hoje inauguramos a nossa nova homepage. Mais moderna e interativa, ela traz novo conceito que a torna mais rápida e aderente às novas tecnologias da web. Esperamos que gostem e continuem a fazer uso constante dos nossos artigos, entrevistas e notícias. O propósito é garantir sempre mais transparência e interatividade com todos os stakeholders do nosso setor.

Gostaria de aproveitar este comunicado para comentar alguns números e falas veiculadas no Valor Especial – Logística de ontem, quarta-feira, dia 28 de julho, trazendo, como habitual, informações atualizadas das matérias afetas à infraestrutura logística e, em especial, à compreensão mais acurada das atividades dos operadores logísticos.

Algumas semanas antes, porém, recebemos a 5ªedição do relatório do Banco Mundial (lpi.worldbank.org/report) trazendo o ranking de160 países no que concerne à performance logística, dando conta que o Brasil ocupa a posição 65º, tendo melhorado em dez posições quando comparado com a penúltima edição, em 2014. O Logistics Performance Index (LPI), criado em 2007 pelo Banco Mundial, é editado a cada dois anos, e leva em conta seis parâmetros a saber:

      1. Performance da alfândega (Customs), medindo a eficiência dos processos de desembaraço alfandegário.

       2. Infraestrutura (Infrastructure), avaliando a qualidade e intergração dos modais e facilidades (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, terminais multimodais etc).

       3. Afretamento internacional (International shipments), mensurando a facilidade e competitividade na contratação dos fretes internacionais.

       4. Competência logística (Logistics competence), trazendo a análise da eficiência e competência dos brokers, agencias marítimas, despachantes, operadores portuários, operadores logísticos, freightforwardings etc).

       5. Controle e rastreamento (Tracking & tracing), capacidade de controlar e rastrear as remessas/processos.

       6. Pontualidade (Timeliness), que se traduz pela análise da capacidade de cumprir a pontualidade dos embarques em alcançar os destinos dentro dos horários de tempo de entrega previstos.

Penso que aqui cabe uma análise sutil, pois, ainda que tenhamos escalado dez posições nos dois últimos anos, há quatro anos, na 3ª Edição do LPI, em 2012, ocupávamos a 45ª posição.

Não me parece crível que se nada fizemos, nada avançamos, nenhum projeto de infraestrutura novo surgiu, nenhuma nova concessão quer seja em rodovia, ferrovia, hidrovia, ou porto, a graduação em 10 posições seja traduzida em eficiência e melhora efetiva. Há, possivelmente, uma relatividade por detrás que merece atenção. É claro que o LPI mede seis fatores, seis variáveis e, algumas delas, trouxeram maior confiança dos entrevistados.

Penso que a baixa na economia permite um serviço mais célere, atores dedicando-se mais para prestar um serviço mais diferenciado, além do que, o custo dos fretes e serviços em geral, tornam-se mais competitivos. Ademais, com baixa ocupação de berços, estradas e entrepostos, a pontualidade tende a aumentar.

Para contrapor o resultado do LPI/2016, trago para cotejar esses racionais, o último estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) que dá conta do aumento significativo dos custos logísticos no país. Ora, eficiência, qualidade e competitividade concorrem para a formulação dos custos dos serviços logísticos de um país.

Ainda que tenhamos registrado modesta melhora na distribuição (mix) da matriz de transportes, reduzindo a participação do modal rodoviário de 67,2% em 2014, para 65,4% em 2015 e incremento de 18,3% de participação da ferrovia em 2014, para 19,7%, mantendo os demais estáveis, o custo logístico do país em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), segue elevando-se.

Para chegar nesses números, o Ilos leva em conta quatro quesitos: (a). Transporte; (b). Estoque; (c). Armazenagem; e (d). Administrativo.

Tomando como base a mesma régua temporal do LPI do Banco Mundial, ou seja, os anos de 2012, 2014 e 2015, temos, respectivamente, os seguintes números: 11,5%, 11,7% e 11,9%, o que mostra a manutenção da tendência de piora na cadeia de valor da logística no país.

Tenho como princípio empresarial e acadêmico, utilizar-me sempre de análises comparativas, fazendo, portanto, benchmarking com países referenciais. Os EUA, com uma matriz de transporte mais equilibrada, com o modal rodoviário participando de 43% frente ao ferroviário, com 32%, dentre outras políticas agressivas de competitividade para obtenção crescente de competitividade na gestão integrada, tem um custo logístico bastante inferior ao do Brasil. Enquanto amargamos um custo logístico de 11,9% do PIB, os EUA registram apenas 7,7%, com viés de redução.

Para entendermos de uma forma simplificada o que isso significa, tomemos em conta o PIB do Brasil em 2015, igual a R$5,9 trilhões, teríamos um custo de R$702 bilhões naquele ano. Se nossa matriz de transportes e nossa logística estivesse em condições análogas aos EUA e pudéssemos ter custos semelhantes, iguais aos 7,7% alí registrados, teríamos um custo logístico igual a R$454 bilhões, ou seja, uma redução de R$248 bilhões, o equivalente ao PIB dos Estados de Pernambuco e Ceará juntos. Em síntese, jogamos fora o PIB de dois estados relevantes do país por ano, o que, de fato, não é uma boa notícia.

Mas sou um realista esperançoso e acredito que as bases e os fundamentos do redirecionamento e da retomada da economia estão na prancheta do presidente Temer e de suas equipes, assim, espero ventos melhores para 2016.

Muito mais poderíamos discorrer desses dados e informações, mas por ora ficamos por aqui.

São Paulo, 27 de julho de 2016

Um fraterno abraço.

Carlos Cesar Meireles Vieira Filho

Presidente Executivo - ABOL

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